PIGMENTOS AZUIS
“Para começar, o tímido Azul, o favorito dos nossos contemporâneos porque ele sabe se fazer consensual. Em seguida, o orgulhoso Vermelho, sedento de poder, que manipula o sangue e o fogo, a virtude e o pecado. Aqui está o Branco virginal, aquele dos anjos e dos fantasmas, da abstenção e de nossas noites insones. Logo vem o Amarelo do milho, um problema complexo, lutando para aliviar seu status (você deve desculpá-lo, por muito tempo ele foi marcado pela infâmia). Em seguida vem o Verde, também carregando uma má reputação, desonesto e astuto, rei do acaso e dos amores infiéis. Enfim, o suntuoso Preto, que joga um duplo papel, humilde quando austero, arrogante quando elegante…”
Le petit livre des coulers. Michel Pastoureau e Domique Simonnet (2004)*
I
AZUL EGÍPCIO
A HISTÓRIA DO PRIMEIRO PIGMENTO SINTÉTICO
Práticas simbólicas do Pleistoceno
O surgimento de comportamentos simbólicos continua sendo um debate central na paleoantropologia (Oktaviana, 2024). A noção de que desenhos abstratos, gravuras e o uso de pigmentos e ornamentos pessoais são exclusivos do Homo sapiens L. 1758, é desafiada por evidências que atestam um surgimento gradual de comportamentos semelhantes entre táxons hominídeos pré e coexistentes desde o pleistoceno. O Pleistoceno (Lyel 1839) iniciou entre 2,6 milhões e terminou há 11,7 mil anos atrás com o inicio do Holoceno, a era atual. O pleistoceno é uma época geológica do período Quaternário, da era Cenozoica, e é também conhecida como Era do Gelo. O Pleistoceno combinação do grego antigo πλεῖστος, pleîstos: mais e καινός, kainós: cænus, novo. Este período abrange as últimas glaciações, que vão de 12.000 a.C. a 10.000 a.C. O Pleistoceno corresponde ao Paleolítico arqueológico. O pleistoceno foi marcado por várias glaciações, que tiveram um impacto significativo no planeta: alteraram a paisagem, afetaram o nível do mar, mudaram o clima global, e influenciaram a evolução, a distribuição e o comportamento das espécies de hominídeos (WP).
Os primeiros comportamentos simbólicos (como a pintura em cavernas e pintura corporal), ao invés de ser produto de um salto cognitivo repentino, sugerem trajetórias culturais complexas e não lineares até mesmo anteriores à dispersão das populações humanas modernas i.e., antes da saída do homem da África (Oktaviana, 2024).
Os primeiros pigmentos utilizados pelo homem foram: o vermelho, o preto, o ocre e o branco, mais fáceis de obter na natureza (de terras, argilas, carvão, e rochas calcáreas) e utilizados até hoje na arte. Estes pigmentos foram os primeiros porque estão prontos e são encontrados em todos os locais em maior ou menor quantidade. Todos esses pigmentos citados aparecem na arte feita nas paredes de cavernas há mais de quarenta mil anos.
Óxidos de ferro naturais. Gomes, Rosina e Oosterbeek (2013).
Em novembro de 2018, na caverna de Lubang Jeriji Saléh, na ilha indonésia de Bornéu, cientistas encontraram a mais antiga obra de arte representativa, que se acredita ter em torno de 51.000 anos, de um animal desconhecido (Oktaviana et all, 2024).
As primeiras evidências de desenho, feitas por humanos foram encontradas em rochas nas cavernas de Blombos, no sul da África, e datam de 75.000 a 100.000 anos atrás. Elas consistem como motivos abstratos ou padrões geométricos.
Padrões abstratos, geométricos feitos há mais de 75.000 anos no sul da África são as primeiras evidências de desenho, mas não constituem arte representativa. (Ghosh, 2024). Um motivo abstrato se refere a padrões compostos de uma ou várias formas geométricas (Robb, 2020), ou seja, círculo, espiral, labirinto, linhas retas, cruzes, etc. Durante o Paleolítico, tais motivos aparecem tanto de forma independente, por exemplo em itens portáteis, quanto em associação com representações figurativas. Os primeiros relatos de motivos abstratos carecem de documentação adequada para distinguir modificações antropogênicas intencionais de outras alterações naturais e tafonômicas confusas (para uma revisão, veja d’Errico e Nowell, 2000; d’Errico e Villa, 1997; Nowell e d’Errico, 2007) (Rigaud e Doyon, 2024).
Estudo publicado na revista Science revela que a arte rupestre mais antiga encontrada na Europa é anterior aos humanos modernos em pelo menos 20 mil anos e, portanto, deve ser de origem neandertal. É a primeira evidência clara de que os nossos extintos primos ibéricos criaram desenhos rupestres há 64 mil anos. As pinturas pertencem a três grutas espanholas: Ardales (Málaga), La Pasiega (Cantábria) e Maltravieso (Cáceres). As figuras foram feitas com pigmento vermelho, hematita ou ocre. O pigmento foi reduzido a pó esmagando-o e misturando-o com água (Rodriguez, 2018).
Desenho do painel 78 da caverna La Pasiega feito por Breuil et al. (1913). O símbolo escalariforme vermelho tem idade mínima de 64.000 anos, mas não está claro se os animais e outros símbolos foram pintados posteriormente.(Zimmer, 2018).
As primeiras evidências de desenho foram encontradas em rochas nas cavernas de Blombos, no sul da África, e datam de 75.000 a 100.000 anos atrás. Elas consistem em padrões geométricos gravadas em pedras. A nova pintura, na caverna de calcário de Leang Karampuang, na região de Maros-Pangkep, em Sulawesi do Sul, mostra arte representativa, uma representação abstrata do mundo ao redor da pessoa ou pessoas que a pintaram. Portanto, representa uma evolução nos processos de pensamento em nossa espécie que deu origem à arte e à ciência. A questão é o que desencadeou esse despertar da mente humana, de acordo com o Dr. Henry Gee, editor sênior da revista Nature, onde os detalhes foram publicados. Algo parece ter acontecido há cerca de 50.000 anos, logo depois que todas as outras espécies humanas, como os neandertais e os chamados hobbits, morreram. É muito romântico pensar que em algum momento daquele tempo algo aconteceu no cérebro humano, mas acho mais provável que existam exemplos ainda mais antigos de arte representativa. (Gosh, 2024).
Os seres humanos têm deixado pinturas na mesma parede de caverna na Indonésia há mais de 50 mil anos. A arte rupestre da Indonésia não é a mais antiga do mundo, esse título pertence a Cueva de los Aviones, na Espanha. A equipe de Aubert estudou as camadas de arte que cobrem as paredes de uma caverna de calcário chamada Leang Bulu Sipong 4, na ilha de Sulawesi, na Indonésia. Trabalhos anteriores na caverna mostraram que o homo sapiens, ou humanos modernos, visitaram o local ao longo de milhares de anos, deixando suas histórias nas paredes entre 27 mil e 44 mil anos atrás. A arte está preservada atrás de uma camada de carbonato de cálcio que se formou sobre a parede da caverna ao longo de milhares de anos, prendendo a arte como um inseto em âmbar. Técnicas de datação anteriores, chamadas de cronologia por urânio-tório, dataram a arte mais antiga em aproximadamente 44 mil anos. Mas uma nova versão do método, que usa um laser para coletar amostras da rocha, permitiu uma maneira "mais precisa e eficiente" de definir a data em que a pintura foi feita, explica Aubert. O novo método atrasou a data da arte rupestre em 4 mil anos, para cerca de 48 mil anos atrás. A equipe de Aubert também usou o método em uma seção de arte figurativa sem data anterior na caverna vizinha de Leang Karampuang. A cena mostra humanos interagindo com um animal parecido com um porco. A análise constatou que a arte tem 51,2 mil anos, o que a torna a cena mais antiga já criada por humanos descoberta até o momento.
A nova pintura, na caverna de calcário de Leang Karampuang, na região de Maros-Pangkep, em Sulawesi do Sul, mostra uma arte representacional, uma representação do mundo ao redor da pessoa ou das pessoas que a pintaram (Schwaller, 2024).
Entre a "pré-história", nas cavernas do paleolítico médio (c. 300.000 - c. 30.000 a.C.) e as avançadas civilizações da China e Egito, difundiu-se o uso de minerais para a extração de cores variadas. Sumérios, babilônios e egípcios, por exemplo, usavam o tetróxido de chumbo, bastante tóxico, na obtenção da cor vermelha. Misturas de diferentes minérios de cobre davam o amarelo, o calcário era usado para obter o branco; e o carvão e a pirolusita, o óxido de manganês retirado do deserto, para o negro. (domestika)
Datado de cerca de 6.000 (Neolítico c. 10.000 - c. 3.000 a.C.) e o começo da era do bronze (3200 a.C.), teve inicio o uso do que acredita-se ser o pigmento azul mais antigo: o Azul ultramarino. Esse azul era e ainda é produzido a partir da rocha lápis-lazúli uma rocha metamórfica formada onde ocorre metamorfismo de contato. A rocha lápis lazúli, apresenta como componente principal o mineral lazurita (25% a 40%), é um silicato do grupo dos feldspatoides de fórmula química (Na,Ca)8[(S,Cl,SO4,OH)2|(Al6Si6O24)] (2), como uma cor azul intensa. A maioria dos lápis-lazúli contém também minerais como calcita (cor branca), sodalita (cor azul) e pirita (amarelo metálico). A quase totalidade da rocha lápis lazuli minerada e comercializada desde antes de cristo vem da província do Badakhshan nordeste do Afeganistão, no Vale do Indo, atualmente na Rússia, e no Chile principalmente.(modif. WP, WP, ideas, geologyscience).
Para a produção do pigmento de cor azul intensa a rocha é moída e transformada em pó (pulverizada), sendo necessário que apresente pouca ou quase nada de calcita. Observe a seguir o vídeo como historicamente era produzido o pigmento da rocha lápis lazuli.
Entre 2.000 e 3.000 a.C., os egípcios criaram o que se acredita ser o primeiro pigmento sintético, que hoje é chamado de Azul Egípcio: tetrassilicato de cobre e cálcio, um tom turquesa produzido pelo aquecimento de areia (sílica), cobre, natrão, e carbonato de cálcio juntos a 800º C - 900º C (Nolasco, 2023).
Esses dois pigmentos azuis permaneceram os únicos pigmentos de cor azul até que o Azul da Prússia nome dado ao composto hexacianoferrato(II) de ferro(III) cuja fórmula molecular é FeIII4[FeII(CN)6]3.xH2O (com x=14–16 moléculas) fosse inventado por acaso em 1704. Este foi seguido pelo Azul de cobalto (óxido de cobalto [II]-óxido de alumínio) em 1802.
Atualmente outro azul veio a se somar a esses poucos azuis em 2016. Trata-se da descoberta por acaso de um azul, YInMn blue, intenso e brilhante formado pela queima dos metais YInMn (Ítrio, Índio e Manganês) em alta temperatura (1200 ºC) (bbc).
YInMn blue (bbc). Pesquisas conduzidas com esse novo pigmento revelaram que o material é durável, não desbota em uso mesmo com água ou óleo, e estável, características não encontradas nos outros pigmentos hoje presentes no mercado. Além disso esse material não é tóxico, diferente dos anteriormente utilizados que contém cobalto.
Pigmentos azuis. As diferentes tonalidades do novo azul YInMn blu, vai do azul bem claro ao azul escuro quase preto dependendo da quantidade de manganês adicionada.
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Os pigmentos azuis foram valorizados desde muito tempo porém devido a sua raridade na natureza iniciaram a ser utilizados pela humanidade muito tempo depois dos pigmentos naturais mais abundantes.
O pigmento azul historicamente mais citado vem de minerais como o lápis-lazúli, escasso e raro e, portanto, muito caro. Os maiores depósitos de lápis-lazúli estão localizados no Hindukush, Afeganistão, onde ainda são explorados com procedimentos muito semelhantes aos empregados há mais de 3.000 anos.
Os egípcios compravam dessas minas grandes quantidades de lápis-lazúli para obter a azurita, o pó que fornecia o pigmento azul com que adornavam suas obras artísticas.
A azurita é mineral formado basicamente por carbonato de cobre (Cu3(CO3)2(OH)2) e, como seu nome indica, possui uma coloração azul profunda inconfundível, extremamente característica.
Seu preço era tão alto que mesmo na época medieval ainda era vendido por um valor quatro vezes maior que o valor do ouro.
Devido ao preço elevado dessa rocha, por volta de 3.000 a.C, os egípcios procuraram uma maneira de fazer seu próprio pigmento azul. Pouco a pouco foram aperfeiçoando a técnica, que consistia em moer sílica (areia), cal, cobre e uma base alcalina (sódio) e aquecê-la a 800-900 graus Celsius. O produto eram uma espécie de vidro (frita) azul que devia ser moído para produzir o pó que então era usado para fazer a tinta. Frita é um material vítreo obtido a partir da fusão de uma mistura de matérias primas minerais sob temperaturas elevadas, seguida de um resfriamento rápido. É um componente básico na produção de esmaltes e vidrados para peças cerâmicas. O resultado obtido é considerado o primeiro pigmento sintético da história, o azul egípcio. Os artesãos egípcios utilizavam-no para pintar madeira, papiros e telas, colorindo esmaltes, incrustações e vasos. Mas principalmente no campo funerário nas máscaras, estátuas e pinturas de túmulos, pois acreditavam que a cor azul protegia os mortos do mal na outra vida.
Segundo Gomes, Rosina e Oosterbeek (2013) A variedade das matérias-primas e das técnicas utilizadas na arte parietal é documentada desde o 3º Milénio a.C. pelas pinturas egípcias. Os artistas egípcios, ornamentavam os
túmulos de paredes de calcário, que pintavam com uma primeira camada de gesso, em que
depois aplicavam pigmentos pretos, vermelhos, amarelos, castanhos, azuis e verdes. Ao aplicar as cores e/ou misturando-as com pigmentos pretos e brancos, os artistas egípcios conseguiram uma grande gama de cores e tonalidades. Também vários minerais em pó foram utilizados nos seus cosméticos. Além das pinturas murais, os Egípcios usavam para os lábios era aplicado o ocre vermelho e para a maquiagem dos olhos materiais diversos como: a Estibina, antimonita ou estibinita (1) (Sb2S3) sulfeto de antimônio III, um mineral raro e tóxico, (de coloração preta), a Malaquite (verde), a Azurite (azul
escuro), a Turquesa (azul turquesa), e Lápis Lazuli (azul profundo).
Os estudos sobre os pigmentos permitiram identificar os componentes das pinturas do processo de hominização e são de grande interesse para a compreensão das técnicas utilizadas e dos métodos da sua aplicação, entretanto, não há informações sobre as “receitas”, em particular os ligantes utilizados nessas pinturas. A existência de ligantes de origem orgânica é importante pois possibilitam a datação absoluta (Valladas et al. 1999, Trujillo et al. 2010, Pike et al. 2012). Na investigação da composição dos pigmentos são utilizadas diferentes técnicas e metodologias como a análise por espectroscopia FT-IR (Bikiaris et al. 1999), análises magnéticas e voltamperemétricas (Grygar et al. 2001), difração de raios X (Clark e Curri, 1998, Pomiès et al., 1999, Mazzocchin et al., 2003, Boulc´h e Hornebeq, 2009), parâmetros de minerais magnéticos (Mooney et al., 2003), espectrometria Raman, uma análise não destrutiva que permite obter informações químicas e estruturais de materiais, sejam eles orgânicos ou inorgânicos (Edwards et al., 2000, Frost et al., 2003, Frost 2004, Ospitali et al., 2006, Hanesch, 2009), microfluorescência de raios X, microscopia eletrónica de transmissão (TEM) (Faria e Lopes, 2007), microscopia eletronica de varredura (MEV), indução de raios X por partículas (PIXE), entre outras.
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O exemplo mais antigo conhecido do pigmento azul egípcio data de aproximadamente 4600 anos atrás, na IV dinastia. O azul egípcio era utilizado na produção de vasos, copos, estatuetas, vidrados para vasos e potes e pigmentos para pintura até o final do Império Romano. Estre primeiro pigmento sintético era obtido misturando-se areia quartzosa moída até virar pó, compostos de cobre, carbonato de cálcio e o natrão e cozidos a 800 a 950 ºC (Thomas 2000, Nolasco, 2023).
O azul egípcio, é o primeiro pigmento artificial da história humana, é produzido pelo aquecimento de uma mistura de quartzo, calcário moído (cálcio), cobre, natrão e oxigênio, i.e., quartzo finamente moído (pó), carbonato de cálcio em pó e óxido de cobre em pó a temperaturas entre 850°C a 1050°C, outras fontes dizem de 800 a 950 ºC. A mistura também inclui uma pequena quantidade de álcalis, como carbonato de sódio, carbonato de potássio ou ainda bórax (tetraborato de sódio), para apoiar a formação da fase cristalina azul. A reação requer uma faixa estreita de temperatura e atmosfera controlada, portanto, são usados cadinhos como recipientes de reação. O esmalte resultante (chamado de frita) é então triturado e transformado em pó, este pigmento é misturado com um aglutinante (clara de ovo, uma resina, óleo de linhaça por ex.), um solvente, e eventualmente aditivos, e misturados com outros pigmentos para produzir diferentes cores.
Os egípcios mantiveram em segredo os detalhes da fabricação desse azul o qual foi muito utilizado desde mais de 3000 anos a.C., até que os romanos conquistaram o Egito e a receita, incompleta, foi relatada por Plinio, o velho. Atualmente existem algumas receitas que podem ser úteis para produzir algumas tonalidades de azul:
1) Areia do deserto (triturada até virar um pó), calcário em pó, fragmentos de natrão (carbonato de sódio), bronze ou cobre, composto de cálcio, composto de cobre, quartzo ou sílica gel.
2) Areia, natrão (carbonato de sódio) ou cinza de árvores, minerais de cobre ou lascas de bronze.
3) Quartzo moído (pó), giz (carbonato de cálcio), malaquita (carbonato de cobre) e natrão (carbonato de sódio ou borato de sódio).
Relevos do teto, Vestíbulo do Templo de Hathor, Dendera, Qena, Egito, Norte da África. (Arkley)
(Fonte: dreamstime)
Azul egípcio é um pigmento azul sintético e brilhante constituído de uma mistura de sílica, cal, cobre e natrão, álcali. A cor é devido à formação do tetrasilicado de cálcio-cobre CaCuSi4O10 com a mesma composição da cuprorivaita que ocorre naturalmente. O termo para esse azul na língua egípcia é hsbd-iryt, que significa lápis-lazúli artificial (hsbd) (Rouchon, 1990). Foi usado na antiguidade como um pigmento para colorir uma variedade de meios diferentes, tais como pedras, madeira, gesso, papiro, cerâmica e lona; e na produção de numerosos tipos de objetos, incluindo selos cilíndricos, contas, escaravelhos, incrustações, potes cerâmica e estatuetas. É, às vezes, referido pela literatura como frita azul. Alguns argumentam que este é um termo errôneo que deveria ser reservado para descrever a fase inicial na produção de vidro ou esmalte enquanto outros argumentam que azul egípcio é uma frita tanto na forma fina e grossa, uma vez que é produto da reação em estado sólido. A sua cor azul característica, resultante de um de seus principais componentes, cobre, varia das tonalidades claro e escuro, dependendo do processamento diferencial e composição. Além do Egito, ele também foi encontrado no Oriente Próximo, no Mediterrâneo Oriental e nos limites do Império Romano. Embora, sem dúvida, uma invenção egípcia, não é claro se a sua existência noutras civilizações foi um resultado de invenções paralelas ou se a tecnologia se espalhou para essas áreas.
Cálice em cerâmica em forma de lótus. Egito antigo. (antigoegito).
Azul egípcio, frita azul ou frita de cobre é reconhecido como o primeiro pigmento artificial/sintético do mundo antigo. Ele surgiu pela primeira vez no “Antigo” Reino Egípcio no início do terceiro milênio a.C., e foi visto se espalhando de meados do terceiro milênio a.C. até o quarto período dinástico em diante (ou seja, de ca. 2600 a.C.) como pigmento azul nas obras de arte egípcias. O pigmento e seu método de produção já foram mencionados por escritores clássicos e pós-clássicos (como Plínio, o Velho, Gaius Plinius Secundus (AD 23/24–79) e Vitrúvio, Marcus Vitruvius Pollio 80–15 a.C.) como caeruleum vestorianum ou azul Vestoriano. O início de sua produção no antigo Egito é atribuído à falta de lápis-lazúli naquele período, devido principalmente ao declínio das rotas comerciais orientais do Egito (através da Mesopotâmia e talvez até o Afeganistão) durante o terceiro milênio a.C., dando origem à fabricação do azul egípcio (que significa literalmente lápis-lazúli artificial) como um substituto para o lápis-lazúli, um material precioso altamente apreciado pelos egípcios. Ele foi usado simultaneamente na Mesopotâmia também (meados do terceiro milênio a.C.). Depois, também foi amplamente aplicado como pigmento no período romano. Mais precisamente, ele foi amplamente usado nos tempos antigos como um pigmento azul; da Ásia Ocidental e zona costeira do norte da África (especialmente Egito) até a Europa. Existem inúmeros relatos sobre o uso do azul egípcio em pinturas murais, esculturas e objetos policromados e até mesmo em pinturas de cavalete a óleo mais recentes.
Cálice lotiforme. Novo reinado, c. 1479-1425 a.C.
Esta taça fragmentária, datada de 1479-1425 a.C., na forma de uma flor de lótus azul parcialmente aberta, faz parte de um grupo de vasos de vidro que pertenceram a três esposas estrangeiras de Tutmés III, o sobrinho e co-governante de Hatshepsut. A fabricação de vidro no Egito iniciou por volta de 3500 a.C. Note o formato da taça tipicamente egípcio, sugerindo um conhecimento avançado para a época. A superfície externa é gravada com um padrão de pétalas da flor de lótus, semi-aberta, numa das quais contem a inscrição com as palavras "O Bom Deus, Menkheperre, deu vida." (metmuseum).
O cálice Harrow (Nicholson, 2006).
Existe no Egito uma longa história de produção de dois outros importantes produtos vítreos: a faiança e a frita (para definições claras de cada um, veja Nicholson 1993: 9-17). A forma mais conhecida de frita é o pigmento chamado azul egípcio, que, de acordo com Nicholson (1993: 16): parece ser uma invenção legitimamente egípcia e, embora de muito mais antiguidade, está intimamente ligada ao vidro. Esta evidência clara da longa história dos egípcios na produção destas duas outras formas de produto vítreo, torna mais provável que eles tenham desenvolvido o vidro primitivo aproximadamente simultaneamente com outras culturas da Idade do Bronze Tardio no Oriente Próximo, como o reino de Mitanni, ou que, no mínimo, eles eram capazes de assimilar e se adaptar rapidamente a esta nova tecnologia, com base no fato de que eles vinham produzindo substâncias semelhantes desde o período pré-dinástico (5000 a 3200 a.C.) (Shaw, 2012 p. 85).
KW 3485-KW 4417: lingotes de vidro azul-cobalto; KW 2932-KW 4425: lingotes de vidro azul-cobre; KW 3163: lingote de vidro roxo; KW 3779: lingote de vidro âmbar; KW 4180: lingote de vidro azul-cobre fundido em um molde inclinado; KW 2468: lingote de vidro azul-cobalto fundido em um molde irregular profundo. Os lingotes são dispostos para mostrar a superfície aberta na parte superior e a superfície do molde na parte inferior. (Lankton, Pulak, and Gratuze, 2022).
Vidro azul do naufrágio de Uluburun, Turkye. (Wilke, 2021)
No final do século XIV a.C. (1320 Manning et al., 2009), um veleiro de 15 metros afundou ao longo da costa sul da Turquia, próximo ao promontório conhecido como Uluburun, ou Grande Cabo. Escavações feitas pelo Instituto de Arqueologia Náutica de 1984 a 1994 revelaram uma carga notável de materiais preciosos, principalmente lingotes de cobre e estanho, mas também muitos produtos acabados e inacabados, incluindo cerca de 200 lingotes de vidro discoides (Pulak, 2008). A carga do navio veio de Canaã, Chipre, Egito, Micenas, Assíria e outros locais do Mediterrâneo e do Oriente Próximo.
Durante a escavação, cada lingote de vidro completo ou parcial recebeu um número KW (Kaş Wreck) se pelo menos metade do lingote fosse preservada, e um número de lote se menos da metade de um lingote tivesse sobrevivido. Sempre que possível, uma estimativa do tamanho e da cor originais do lingote foi registrada nos cadernos de escavação, juntamente com detalhes de seu locus, e seu ponto de descoberta plotado no plano do local da escavação. Cento e quarenta e seis lingotes de vidro completos ou quase completos foram levantados pelos escavadores e 28 foram recuperados em fragmentos, cada um representando metade ou um pouco menos da metade de um lingote. Uma gama impressionante de matérias-primas foi encontrada no local do naufrágio: toneladas de cobre, estanho e vidro foram escavadas junto com ovos de avestruz completos, grandes pedaços de marfim não trabalhado e itens de ouro e prata amassados prontos para serem refundidos. Também foi escavada uma variedade de produtos manufaturados, notavelmente uma coleção de cerâmicas cipriotas requintadas e ainda intactas. No momento da escavação, estava claro que muitos outros lingotes foram parcial ou completamente perdidos devido à degradação severa; em alguns casos, tudo o que restou foi um vazio em forma de lingote na incrustação marinha. As evidências sugerem que grande parte do prestigioso conteúdo do navio foi possivelmente destinado a um patrono real e pode até ter sido um presente de um mandatário real para outro. As conclusões a que se chega após as análises isotópicas, permitem identificar: a zona de produção dos lingotes de vidro do naufrágio de Uluburun usando análise estatística multivariada incorporando 35 óxidos ou elementos determinados por LA-ICP-MS e comparando as proporções de elementos traço Li/Zr e Ti/Cr. Ambos os métodos indicam que todos os lingotes de vidro, independentemente da cor, são egípcios; estudos de isótopos de estrôncio também confirmam isso.
Embora o naufrágio de Uluburun seja, por si só, a melhor evidência da natureza de longa distância da troca de vidro na Idade do Bronze Tardia, os autores do estudo foram capazes de explorar ainda mais o impacto do vidro "estrangeiro" em sítios arqueológicos egípcios e mesopotâmicos. O caso do vidro mesopotâmico no Egito, particularmente nas oficinas de Amarna, é muito mais forte, com um número substancial, de até 8% nos dados apresentados aqui, das amostras não cobaltosas indicando vidro mesopotâmico ou possível mistura com vidro mesopotâmico. As novas evidências apresentadas aqui de vidro egípcio em sítios mesopotâmicos, embora sugestivas, permanecem limitadas, com amostras egípcias encontradas em Tell Brak, na Síria, e Tell al-Rimah, no Iraque, juntamente com o uso de vidro egípcio de cor âmbar para o corpo de um vaso mesopotâmico. (Lankton e cols, 2022).
Encosto ou descanso de cabeça feito de vidro pertencente ao rei Tutankamon.(Wilke, 2021)
Pintura da tumba do faraó Horemheb, final da XVIII Dinastia, que faz uma oferenda de vinho à deusa Ísis. (researchgate).
Fragmento de ladrilho vidrado em azul egípcio. Novo reino. Reinado de Akhenaton. 1352-1336 a.C. Museum of Fine Arts, Boston.
Este peixe de vidro foi encontrado em uma casa particular bastante modesta em Amarna, enterrado sob um piso de gesso junto com alguns outros objetos. Pode ter contido pomada. Crédito: The Trustees of The British Museum.
Outro tom do azul egípcio.
Horemheb / Djeserkheperure Setepenre (XVIIIª dinastia).
OS PIGMENTOS AZUIS
Células unitárias correspondentes aos pigmentos Azul Egípcio (CaCuSi4O10) e “Azul Han” (BaCuSi4O10), apresentados ao lado esquerdo da figura, e ao lado direito corresponde à célula unitária do pigmento “Violeta Han” (BaCuSi2O6) e o composto CaCuO2.
O pigmento azul também teve um papel marcante no desenvolvimento chinês, pois embora o mineral azurita (Cu3(CO3)2(OH)2), carbonato de cobre hidróxido, fosse relativamente abundante na China, ele não era estável para ser usado como pigmento para tinta, e o óxido de cobalto era limitado a apenas algumas aplicações. Essas dificuldades impulsionaram o desenvolvimento da alquimia e consequentemente o desenvolvimento químico industrial chinês e a produção de pigmentos azuis com propriedades melhoradas, criando assim os pigmentos conhecidos como “Azul Han” (BaCuSi4O10) e “Violeta Han” (BaCuSi2O6), obtidos pela primeira vez durante a dinastia Han (208 a.C. até 220 d.C.). Uma comparação direta do pigmento Azul Han com o Azul Egípcio evidencia que o pigmento chinês apresenta o elemento homólogo bário ao invés do cálcio, presente no Azul do Egito. Além de ser o primeiro sinteticamente produzido pela humanidade, o pigmento azul egípcio é muito estável e apresenta uma cor azul brilhante. Este pigmento contém uma mistura de várias fases, tais como cuprorivaita (CaCuSi4O10), de quartzo que não reagiu e quantidades variáveis de vidro. O Azul Egípcio, cuja cor é proveniente do cromóforo CuO4 6- presente em sua composição, é baseado no cristal CaCuSi4O10, sendo que suas propriedades ópticas são bastante diferentes das do pigmento Violeta Han, BaCuSi2O6, bem como dos compostos CaCuO2 e Li2CuO2, embora todos eles envolvam o mesmo cromóforo quadrático plano CuO4 6- (Figura abaixo). Os pigmentos azuis e violeta apresentam estrutura cristalina tetragonal, mas grupos espaciais diferentes, P4/ncc e P41/acd, respectivamente.
Células unitárias correspondentes aos pigmentos: azul egípcio CaCuSi4O10 (e azul Han BaCuSi4O10), Violeta Han BaCuSiO2O6, e os compostos CaCuO2 e Li2CuO2. Os íons Cu2+ envolvidos nos complexos CuO4 6- quadráticos planos (círculos pontilhados amarelos) são representados em azul escuro, enquanto os tetraedros SiO4 4- estão em verde.
O azul egípcio, pigmento sintético mais antigo conhecido no mundo como vimos teve sua origem no Egito há mais de 5.000 anos, por volta de 3300 a.C. Os centros de produção conhecidos eram Amarna e Memphis, e no período romano também era fabricado no sul da Itália, ao redor da Baía de Nápoles.
O azul egípcio era relativamente barato de produzir e era comercializado em todo o Império Romano como uma alternativa menos dispendiosa ao índigo, que era importado da Índia e a rocha lapis lazuli importada do Afeganistão. Na antiga língua egípcia, o azul egípcio era conhecido como hsbd-iryt, que significa lápis-lazúli artificial.
Ingredientes para produção do azul egípcio
Existem algumas receitas que produzem uma cor azul de diferentes tonalidades, todavia o que varia são as quantidades de cada constituinte da fórmula. Aqui, registro mais uma variante da fórmula para produção dessa cor.
Ingredientes precisos e um forno muito quente eram necessários para criar o azul egípcio.
Primeiro, areia, natrão (carbonato de sódio) ou cinzas e minerais de cobre ou aparas de bronze eram moídos, triturados e pulverizados separadamente até se obter a consistência semelhante à farinha ou a um pó muito fino.
Depois esse material era misturado.
Essa mistura era então umedecida com água e goma e enrolada em pequenas bolas que eram colocadas em um cadinho e colocadas em um forno.
O forno era aquecido de 850 a 1.000 graus Celsius, fazendo com que a mistura se solidificasse e vitrificasse em um pedaço azul e vítreo chamado “frita”, que era então moído até se transformar em pó e transformado em um pigmento.
Três estágios do azul egípcio. Um pedaço de frita azul (lado esquerdo superior ); o pigmento em forma de pó (lado esquerdo inferior ); e como pigmento aplicado a uma máscara de múmia egípcia á direita (exhibitions).
O azul egípcio é um material complexo e multicomponente no qual a cuprorivaíta (CaCuSi4O10) é o principal material responsável por produzir uma tonalidade de cor azul. Estudos analíticos demonstraram a detecção de quantidades variáveis de wollastonita (CaSiO3), quartzo (SiO2), vidro rico em Cu e cuprita (Cu2O) ou tenorita (CuO) em sua composição. Vale a pena salientar que todas as fases observadas não foram observadas em todas as amostras antigas, pois alguns relatórios indicam partículas de quartzo parcialmente reagidas (ou seus polimorfos) e fase vítrea (como álcali cuproano e vidro de silicato contendo cloro) como componentes menores ao lado da cuprorivaíta; enquanto outros relatam wollastonita (metassilicato de cálcio) como outra fase de silicato ao lado dela. Em alguns casos, resíduos do uso de bronze de estanho (e bronze de estanho com chumbo em alguns casos) também são detectados na composição de amostras arqueológicas na forma de óxido de estanho ao lado de óxidos de cobre. Além disso, estudos recentes sobre pinturas murais medievais antigas revelaram o uso de limalhas de latão (Cu-Zn) para obter o cobre necessário, levando à produção de pigmento rico em Zn.
A variabilidade dos minerais no azul egípcio pode ser atribuída ao próprio método de produção, bem como às matérias-primas. As matérias-primas usadas para sintetizar o azul egípcio nos tempos antigos eram diferentes e dependiam da fonte de cada elemento na composição da cuprorivaíta:
1) Fontes de silício: areia de sílica (areia de quartzo), seixos de quartzo triturados
2) Fontes de cálcio: cal (CaO), areia calcária, calcário (às vezes como impurezas na areia)
3) Fontes de cobre: carbonatos de cobre (malaquita), escamas de cobre oxidado ou cobre metálico e bronze de estanho (limalhas)
4) Fluxos (álcalis): soda, potássio, cinza vegetal, natrão
A mistura era então aquecida até cerca de 850–1050 °C (ou 800–1000 °C). A frita final consistia em cristais de tetrassilicato de cobre e cálcio, bem como outras fases mencionadas anteriormente. Alguns estudos de laboratório mostraram que uma faixa de temperatura de 900–1000 °C seria apropriada para a produção deste composto. Claro que faixas mais baixas são relatadas como a temperatura de aquecimento ideal para a produção de azul egípcio devido aos fluxos usados na mistura. Além disso, aquecer a mistura a mais de 1050 °C (ou 1100 °C) leva à quebra da cuprorivaíta em algumas fases, pois ela é estável entre 850–1050 °C. Estudos de laboratório recentes revelaram adicionalmente que a temperatura e o lapso de tempo da queima são fatores-chave para produzir diferentes matizes de cor no azul egípcio. (Oudbashi and Hessari, 2021).
Atualmente vários experimentos tem sido realizados por pesquisadores e arqueólogos interessados em analisar a composição do azul egípcio e as técnicas usadas para fabricá-lo. É agora geralmente considerado como um material multifásico que foi produzido por aquecimento conjunto de areia de quartzo, um composto de cobre, carbonato de cálcio, e uma pequena quantidade de um álcali (natrão) a temperaturas que variam entre 800-1000°C (dependendo da quantidade de álcali usado) por várias horas. O resultado é cuprorivaita ou azul egípcio, dióxido de carbono e vapor de água:
Cu2CO3(OH)2 + 8 SiO2 + 2 CaCO3 → 2 CaCuSi4O10 + 3 CO2 + H2O
No estado final, o azul egípcio consiste em cristais azuis retangulares juntos com quartzo que não reagiu e algum vidro. A partir das análises de um número de amostras a partir do Egito e noutros locais, determinou-se que a porcentagem em peso dos materiais usados para obter azul egípcio na antiguidade geralmente variavam dentro dos montantes seguintes:(Tite, 1987 p.39)
60-70% de sílica (SiO2)
7-15% de cal (CaO)
10-20% de óxido de cobre (II) (CuO)
Para obter cuprorivaita teórica, onde ocorrem apenas cristais azuis, sem excesso de quartzo que não reagiu ou formação de vidro, as seguintes porcentagens teriam que ser utilizadas:
64% de sílica
15% de cal
21% de óxido de cobre (Tite, 1987 p.39, WP).
O AZUL BABILÔNICO
O povo da Mesopotâmia tinha uma visão diferente do egípcio. Por não praticar a mesma religião, sua arte foi voltada para a representação de poder, incluindo a cor, utilizando-a em amuletos azuis, representando o olho de seu deus para se protegerem do infortúnio. O vidro azul foi fabricado na Mesopotâmia em 2500 a.C. e, além do cobre, era composto pelos mesmos ingredientes que o pigmento azul egípcio.
Portão de Ishtar, arte da esmaltação neo-babilônica, 630-562 a.C.
Pergamon Museum, Berlin.
Portão de Isthar (detalhe).
Eles também adicionaram cobalto, produzindo assim um azul mais escuro, que foi utilizado na construção do Portão de Ishtar. Sua decoração com tijolos em tons azuis profundos formam um plano de fundo para figuras de leões, dragões e auroques, espécies de protetores do lugar.
Os gregos antigos classificavam as cores por serem mais claras ou escuras do que por seu matiz. Não foi uma das quatro cores primárias para a pintura grega descrita por Plínio, em o Velho (em sua História Natural), mas mesmo assim foi usada como cor de fundo por trás dos frisos nos templos gregos e em esculturas do Panteão.
Usaram Azul Egípcio nas pinturas de parede de Knossos, dentro de Creta (2100 a.C.) no período da Grécia Minoica.
II
O AZUL NO NOVO MUNDO: O AZUL MAIA
Alguns povos do Novo Mundo também desenvolveram uma forma de pigmento azul, principalmente os Maias. Este povo desenvolveu o chamado pigmento azul maia, que se sabe que é uma coloração preparada artificialmente, uma vez que os solos da região não possuíam minerais com a tonalidade do azul.
Entretanto, estudos químicos sobre os murais maias do final do período Pré-Clássico (800 a.C. a 300 d.C.) e início do Clássico (300 d.C. a 900 d.C.), realizados pelo Laboratório Físico-Química e Meio ambiente da Universidade Politécnica de Valencia, apresentavam pigmentos tanto naturais quanto artificiais.
“Uma das características desses tons é que são pigmentos artificiais, ou seja, feitos pelo homem a partir da transformação de elementos naturais. Os maias aproveitaram as características absorventes da argila branca, chamada sak tu'lum, e cujo nome mineral é atapulgita e saponita, para fixar neles o corante azul produzido pela planta índigo chamada ch'oh em maia.” (MAGALONI, 2001, p. 178).
A planta Indigofera suffruticosa Mill. 1768, comumente conhecida como índigo guatemalteco, índigo de folhas pequenas (Serra Leoa), índigo das Índias Ocidentais, índigo selvagem e anil, é uma planta com flores da família das ervilhas, Fabaceae.
O anil é nativo das Américas subtropicais e tropicais, incluindo o sul dos Estados Unidos, o Caribe, o México, a América Central e a América do Sul até o norte da Argentina. Esta espécie foi amplamente introduzida em outras partes do mundo e hoje tem uma distribuição pantropical. É um arbusto ramificado ereto que cresce até 1 m de altura com folhas pinadas e é comumente encontrado crescendo em áreas secas e campos e qualquer área antropizada.
O anil é comumente usado como fonte de corante índigo e, se misturado com argilas paligorsquitas, pode produzir azul maia, um pigmento usado pelas civilizações mesoamericanas. Primeiramente as folhas são coletadas e maceradas
O azul maia é obtido com a mistura de argila de paligorsquite e estudos recentes apontam para a sepiolite, que tem uma estrutura semelhante e o índigo, que por um tempo, era conhecido como "Pedra de Anil". O índigo é o pigmento azul que é obtido da maceração dos caules e folhas da planta de mesmo nome Indigofera suffruticosa Mill. e é o melhor pigmento do nosso continente.
O processo exato que os maias realizaram para obter esse azul ainda é desconhecido, embora haja certas aproximações. Um deles, é trabalhar o pigmento e o barro molhado. Alguns acreditam que este método foi uma descoberta acidental: primeiro as folhas foram atingidas com pedras e espremidas, depois maceradas em água argilosa, depois filtradas e oxigenadas, para finalmente aquecer a mistura entre 100 e 110 °C.
Outra alternativa era trabalhar os materiais secos, uma vez que o pó índigo foi obtido, também conhecido como tlacehuilli, foi adicionado à argila quente antes de resfriar completamente, causando uma reação que tinge toda a argila de uma determinada cor turquesa.
III
AZUL ULTRAMARINO
O azul ultramarino é um pigmento de cor azul profundo tem sido produzido originalmente pela moagem de lápis-lazúli em pó. Seu longo processo de moagem e lavagem torna o pigmento natural bastante valioso, cerca de dez vezes mais caro do que a pedra de onde vem e tão caro quanto o ouro.
Azul ultramarinho (WP)
Johannes Vermeer. Menina com brinco de pérola. 1665. (WP).
O nome ultramarino vem do latim ultramarinus que significa "além do mar", pois o pigmento foi importado por comerciantes italianos durante os séculos XIV e XV de minas no Afeganistão. Grande parte da expansão do ultramarino pode ser atribuída a Veneza, que historicamente foi o porto de entrada do lápis-lazúli na Europa.
Conta-se uma anedota que Michelangelo não tinha dinheiro para comprar o azul ultramarino. Sua pintura O Sepultamento, conta a história, ficou inacabada como resultado de sua falha em obter esse pigmento caríssimo. Rafael reservou o azul ultramarino para sua camada final, preferindo para suas camadas de base uma azurita comum; Johannes Vermeer (1632-1675) foi menos parcimonioso em sua aplicação e começou a atolar sua família em dívidas.
O azul ultramarino: a qualidade da tonalidade está incorporada em seu nome. Este é o azul superlativo, o azul final, o azul ao qual todos os outros tons silenciosamente aspiram. O nome significa "além do mar", uma ode sonhadora às suas origens distantes, tão romântica quanto imprecisa.
Derivado da pedra lápis-lazúli, o pigmento era considerado mais precioso que o ouro. Durante séculos, a única fonte de ultramarino era uma faixa árida de montanhas no norte do Afeganistão. O processo de extração envolvia moer a pedra até virar um pó fino, infundir misturar esse pó com cera derretida, óleos e resina de pinheiro e, então, amassar o produto em uma solução diluída de soda cáustica. Devido aos seus custos proibitivos, a cor era tradicionalmente restrita às vestes de Cristo ou da Virgem Maria. Os pintores europeus dependiam de clientes ricos para garantir suas compras. Artesãos menos escrupulosos eram conhecidos por trocar ultramarino por smalt ou índigo e embolsar a diferença; se fossem pegos, o golpe arruinava sua reputação.
Em 1824, a Societé d’Encouragement ofereceu uma recompensa de seis mil francos para quem conseguisse desenvolver uma alternativa sintética ao ultramarino. Dois homens se apresentaram com várias semanas de diferença: Jean-Baptiste Guimet, um químico francês, e Christian Gmelin, um professor alemão da Universidade de Tübingen. O prêmio foi ferozmente disputado. Gmelin alegou que havia chegado a uma solução um ano antes, mas esperou para publicar seus resultados. Guimet respondeu declarando que havia concebido sua fórmula dois anos antes, mas, como Gmelin, havia optado por não divulgar suas descobertas. O comitê concedeu o prêmio a Guimet, para grande desgosto da nobreza alemã, e o azul artificial ficou conhecido como “ultramarino francês”.
A cor azul, é como uma trufa negra na cozinha, não é um ingrediente disponível ou apropriado para amadores e diletantes. Um tubo de tinta ultramarina sintética não é mais caro do que um azul cerúleo ou azul cobalto, mas ainda assim tem uma figura imponente. Aplicá-la de forma grosseira parece um desrespeito ao passado. Muitos artistas talentosos teriam dado alegremente sua orelha esquerda por uma única onça (28,35g) desse pigmento azul. Eu me pergunto o que Ticiano ou Veronese fariam com as pinturas de Clyfford Still ou Yves Klein, com azul ultramarino aplicado à vontade. Seus corações podem parar de calcular o custo. (Ravla, 2015).
O ultramarino sintético, devido à sua falta de inclusões minerais, ostenta um tom mais rico do que seu antecessor semiprecioso. Tradicionalistas como Andrew Wyeth insistiram em moer o original, com grande despesa pessoal, mesmo com a tinta artificial prontamente disponível. “Uma cor pode ser pura demais. Tons e cores modernas muitas vezes parecem horríveis, ironicamente, por causa de sua extrema pureza”, escreve Alexander Theroux em seu tríptico de ensaios The Primary Colors. “O azul antigo, que tinha uma pitada de amarelo... agora parece muitas vezes incongruente contra tons mais novos, chamativos, excessivamente luminosos e matadores de olhos.” Em nossa busca pela perfeição, pela coloração imaculada, purgamos as cores de suas características únicas.(Ravla, 2015)
Até mesmo o ultramarino natural mais fino, moído assiduamente à mão, é crivado de minerais estranhos: calcita, pirita, augita, mica. Esses depósitos fazem com que a luz seja refratada e transmitida de maneiras sutilmente diferentes. Nenhuma de duas pinceladas de tinta é igual em sua composição fundamental. Fique no ângulo certo e você poderá ver um brilho silencioso de branco ou dourado, como um raio de luz de alguma província distante do cosmos.
Yves Klein, IKB 191 (International Klein Blue), 1962.
Os pigmentos ultramarinos estão intimamente relacionados com os zeólitos e apresentam propriedades químicas e características destes compostos.
Os zeólitos, zeólitas ou zeolites do grego ζέω, zéō, zein, ferver + λίθος, lithos, pedra, constituem um grupo de muitos minerais que possuem uma estrutura porosa. O termo foi aplicado pela primeira vez pelo mineralogista sueco Axel Fredrik Cronstedt depois de observar que, após o aquecimento rápido de um mineral natural, as pedras começavam a saltitar à medida que a água se evaporava. Usando as palavras gregas significando "pedra que ferve", chamou este material zeólito.
Os zeólitos apresentam uma fórmula geral: Mn+
1/n(AlO
2)−
(SiO
2)
x・yH
2O onde Mn+
1/n é um íon metálico ou H+.
1/n(AlO
2)−
(SiO
2)
x・yH
2O onde Mn+
1/n é um íon metálico ou H+.
QUÍMICA
Os pigmentos ultramarinos são complexos de sulfosilicato de sódio e alumínio cuja composição química exata depende das proporções iniciais das matérias-primas utilizadas na sua produção. Uma formula empírica aceita para os pigmentos ultramar é:
Claro - Na6Al6Si6O24S2
Médio - Na7Al6Si6O24S3
Escuro - Na8Al6Si6O24S4
Composição química aproximada
Al (17.6 a 18.5)
H (0.2 a 0.2 )
Na (10.5 a 15.2)
O (41.7 a 44.2)
S ( 7.0 a 7.3)
Si (18.3 a 19.3)
Acredita-se que a estrutura cristalina desses pigmentos seja composta de tetraedros de SiO4 onde os íons de silício são trocados aleatoriamente por íons alumínio na mesma estrutura. Essa substituição necessita da presença de cátions para manter a neutralidade elétrica.
O azul ultramar apresenta dois tipos de tonalidade o azul-esverdeado e o azul-avermelhado. Eles são quimicamente similares e tem as mesmas características básicas mas o tipo esverdeado contém mais alumínio e menos enxofre que o tipo avermelhado.
O azul ultramar é o mais velho e mais brilhante dos pigmentos azuis. Ele tem interessantes propriedades uma das mais importantes é a da permanência ou estabilidade. Algumas pinturas e manuscritos do século XV ainda se mantém brilhantes, é o azul que dá o melhor cobertura, todavia não resiste a ambientes ácidos.
História
A fonte mineral do ultramar é derivado da rocha metamórfica chamada Lápis Lazúli, uma pedra preciosa que apresenta como componente principal o mineral lazurita (25% a 40%), é um silicato do grupo dos feldspatoides de fórmula química (Na,Ca)8[(S,Cl,SO4,OH)2|(Al6Si6O24)] (2), como uma cor azul intensa. A maioria dos lápis-lazúli contém também minerais como calcita (cor branca), sodalita (cor azul) e pirita (amarelo metálico). A quase totalidade da rocha lápis lazuli minerada e comercializada desde antes de cristo vem da província do Badakhshan nordeste do Afeganistão, no Vale do Indo, atualmente na Rússia, e no Chile principalmente.(modif. WP, WP, ideas, geologyscience).
Foi levada para a Europa no período medieval e sem dúvida entrou na Europa pelo porto de Veneza, um grande centro de comércio oriental, o nome ultramar é derivado de azurro ultramarino, azul além do oceano. O ultramar apareceu como pigmento na região ao redor do Afeganistão onde tem sido usado desde antes do século VI e VII a.C. pelos egípcios, babilônicos e persas.
Um pedaço não polido de lápis-lazúli mostrando manchas douradas (pirita) e brancas (calcita) (Hidley, 2023).
COMO É PRODUZIDO O PIGMENTO ULTRAMARINO
Produzir o pigmento ultramarino a partir do lápis-lazúli era e continua sendo demorado e caro. O lápis-lazúli é cheio de impurezas, e é um trabalho difícil separar a lazurita pura das demais impurezas. A permanencia de quaisquer impurezas residuais da origem a um pigmento acinzentado e opaco decepcionante.
Um processo para refinar o azul foi desenvolvido por Cennino d'Andrea Cennini Cennini (c. 1360 – antes de 1427) viveu na Itália no século XIV A.D. Cennini usava um método que se inicia com a moagem da rocha Lápis Lazúli, até vivar um pó azul muito fino, posteriormente esse pó era misturado com uma goma feita com goma rosina (colofonia), goma mastique e cera de abelha. Essa pasta de lápis Lazúli, colofonia (rosin), rezina mástique, e cera de abelha, e colocada em uma solução alcalina diluída neste processo a matéria estranha (calcita e a pirita) é praticamente separada do pigmento azul.
O mineral moído é primeiro ligado em resinas, óleos e ceras antes de ser aquecido para formar uma massa. Esta massa era amassada e então colocada em uma solução de soda cáustica. Nesta solução, flocos azuis se separavam, afundavam e secavam, criando um pó azul fino. Os trabalhadores repetiam este processo várias vezes, com cada amassamento sucessivo extraindo qualquer cor restante. O amassamento final extrairia um pigmento acinzentado e pálido conhecido como "cinzas ultramarinas".
Aplicação
O azul ultramar é usado em lugares onde sua permanência, brilho, e estabilidade alcalina são de necessários, é um produto atóxico e insolúvel em solventes, é usado em tintas de pintura, tinta têxtil, tinta de borracha, tintas artísticas, cosméticos, plástico, óleos , tintas a base de água em lavanderias como alvejante, sabões, revestimento de pisos, branquear tintas brancas, na poupa de papel, é o principal azul usado em grãos de cobertura ( onde um tipo de resistência ácida é requerida), especial grau repelente de água do azul é feito para prover tipos que possam ser usados em processo de pinturas de litografia e off-set, o tom do ultramar é relativo ao tamanho da partícula , o tipo de massa escura possui partículas em largo tamanho de três a cinco (, o mis claro possui o tamanho de partículas menores , no entanto mais fortes.
Bibliografia
PATTON, T.C. Pigment Handbook
Vol. 1 – Ed. Jonh Wiley & Sons – 1973
FAZENDA – Jorge M. R. – Tintas e Vernizes: Ciência e Tecnologia
ABRAFATI - 1993 - São Paulo
Kandinsky, um conhecedor das cores, acreditava de todo o coração nas propriedades espirituais da cor azul: “Quanto mais profundo o azul se torna, mais fortemente ele chama o homem em direção ao infinito, despertando nele um desejo pelo puro e, finalmente, pelo sobrenatural.”
Ele não estava sozinho nesse sentimento. Espiritualistas orientais há muito tempo associam pedras preciosas de um azul profundo, como o lápis-lazúli, ao sexto chakra, ou terceiro olho, a sede da consciência elevada no corpo humano. O Livro Egípcio dos Mortos reconhece o lápis-lazúli, esculpido no formato de um olho e engastado em ouro, como um amuleto de poder inestimável. Cleópatra, na tradição popular, usava lápis-lazúli em pó como sombra para os olhos.
Algumas cores se impõem como solicitadores indesejados ou convidados de jantar com opiniões francas, mas o ultramarino nunca se impressiona indevidamente em seu observador. Ele não vende nem felicidade pura nem desespero total. O crítico de arte John Ruskin disse, em uma palestra proferida na Philosophical Institution em Edimburgo, “A cor azul é eternamente designada pela Divindade para ser uma fonte de deleite; e seja vista perpetuamente sobre sua cabeça, ou cristalizada uma vez a cada mil anos em uma única e incomparável pedra, seu reconhecimento de sua beleza é igualmente natural, simples e instantâneo.”
O azul continua sendo uma musa precisamente porque é uma miragem. “Entre os elementos antigos”, escreve William Gass em seu tratado On Being Blue, “o azul ocorre em todos os lugares: no gelo e na água do mar, na chama tão puramente quanto na flor, e dentro de cavernas, cobrindo frutas e escorrendo da argila”. No entanto, não podemos manusear ou tocar o azul da chama mais do que podemos engarrafar o azul do céu.
Outros pigmentos utilizados pelos egípcios
As tintas utilizadas nas pinturas egípcias em sua maioria eram extraídas na natureza:
1) Preto (kem): associado à noite e à morte, a cor preta era obtida do carvão de madeira ou do mineral pirolusite (óxido de manganês do deserto do Sinai).
Óxido de manganês (pirolusita) (armazem).
O óxido de manganês (dióxido de manganes) é um composto químico que pode ser utilizado para diversas finalidades, entre estas como pigmento. É utilizado para produzir tons de marrom, preto e púrpura em vidrados alcalinos, e para colorir massas cerâmicas.
Utiliza-se em pinturas e vernizes para pintar cristais e cerâmica, também é utilizado na produção de permanganatos (MnO4–) especialmente o permanganato de potássio (KMnO4) de cor violeta. é um segredo bem guardado entre os amantes da cerâmica. Com um peso molecular de 86.938 g/mol, o óxido de manganês (IV) revela sua magia ao ser usado como corante na cerâmica, proporcionando uma paleta de cores deslumbrantes, que vão desde marrons profundos até pretos intensos. Na cerâmica, a fórmula MnO2 desencadeia uma verdadeira alquimia cerâmica.
Pirolusita, MnO2, (Foto: Aram Dulyan). Algumas das pinturas rupestres mais antigas e famosas da Europa foram executadas usando como fonte da cor preta o dióxido de manganês. Blocos de pirolusita são encontrados frequentemente em sítios neandertais. Pode ter sido mantido como um pigmento para pinturas rupestres, mas também foi sugerido que era pulverizado e misturado com cavacos para acender fogueiras. O dióxido de manganês (dióxido de manganês e oxido de ferro), na forma de sombra natural (umber), foi uma das primeiras substâncias naturais usadas pelos ancestrais humanos. A pirolusita foi usada como pigmento pelo menos desde o Paleolítico Médio. Pode ter sido usado também pelos neandertais na fabricação de fogo.
2) Branco (hedj): extraído da cal ou gesso, o branco simbolizava a pureza e da verdade.
3) Vermelho (decher): representava a energia, o poder e a sexualidade e era encontrado em substâncias ocres.
4) Amarelo (ketj): estava associado à eternidade e era extraído do óxido de ferro hidratado (limonite).
5) Verde (uadj): simboliza a regeneração e a vida e era obtido da malaquite do Sinai.
Nany perante Osiris, Isis e Neftis (Livro dos Mortos da Cantora de Amón, Nany); Papiro pintado, c.1050 a.C., Egipto, III Periodo Intermédio. As zonas verdes são pintadas com pigmento de malaquita. The Met Museum (Fonte: citaliarestauro).
A malaquita é um mineral verde-esmeralda muito intenso, sendo um carbonato de cobre que se forma em depósitos de cobre na natureza. A cor resultante deste mineral é verde-azulada, dependendo da espessura das partículas quando moídas.
Este pigmento foi também designado por crisocola segundo alguns autores como Vitrúvio. Foi um dos verdes mais apreciados na pintura do Antigo Egito e até ao século XIX, altura em que foi substituído pelo verde Verditer (inventado por volta de 1880), que é a sua opção artificial, uma vez que o verde malaquite era um produto relativamente caro.
6) Azul (khesebedj): produzido a partir da moagem da rocha metamórfica lápis lazúli, e a partir da produção sintética do pigmento azul egípcio, ou do pigmento extraído do mineral azurita que é um carbonato de cobre (UFRGS). A cor azul estava associada ao céu e ao cosmo. As estátuas e representações do deus Thoth são rotineiramente azuis, azul esverdeadas ou têm algum aspecto azul que liga o deus da sabedoria com o céu vivificante.
O deus Toth, Θώθ, Thṓth (1)
Os egípcios creditaram a Tooth a autoria de todas as obras de ciência, religião, filosofia e magia. Os gregos o declararam ainda o inventor da astronomia, astrologia, ciência dos números, matemática, geometria, topografia, medicina, botânica, teologia, governo civilizado, alfabeto, leitura, escrita e oratória. Eles ainda alegaram que ele era o verdadeiro autor de todas as obras de todos os ramos do conhecimento, humano e divino.
Maat ou Maʽat, (WP) deusa representada com a cabeça coberta com uma peruca azul de um íbis, e uma pluma de avestruz segurando um cetro e compreendia os antigos conceitos egípcios de verdade, equilíbrio, ordem, harmonia, lei, moralidade e justiça. Ma'at também era a deusa que personificava esses conceitos e regulava as estrelas, as estações e as ações dos mortais e das divindades que trouxeram ordem ao caos no momento da criação (2,3).
O azul ainda estava presente nas representações de Bes (Bisu), o deus da vida, da fertilidade e do nascimento. Encantos de fertilidade costumavam ser desenhados em azul, assim como as tatuagens do deus, que as mulheres usavam ou os padrões em forma de losango no baixo-ventre, nas costas e nas coxas. Bes era representado na forma de um anão robusto e forte, usando um cocar de penas de base azul e ornamentos e acessórios em azul e dourado. Esse deus é o senhor do prazer e da alegria muitas vezes visto com a língua de fora e segurando um chocalho. Quando esculpido ou pintado em paredes, nunca aparece de perfil, mas sempre de frente, o que é único na arte egípcia. Acredita-se que essas tatuagens foram usadas como encantos para proteger as mulheres durante a gravidez e parto (WP).
Bes, senhor do prazer e da alegria e da fertilidade, era comumente representado em azul. Bes no antigo Egito o azul simbolizava a fertilidade, o nascimento, renascimento, e a vida. É geralmente usado para representar a água do Nilo e o próprio rio e os céus, essa cor também simboliza proteção (WP).
Fonte
https://knowablemagazine.org/content/article/society/2021/ancient-origins-glass
https://www2.assis.unesp.br/darwinnobrasil/humanev2b.htm
https://www.researchgate.net/publication/285971264_Pigments_d'Egypte_etude_physique_de_matieres_colorantes_bleue_rouge_blanche_verte_et_jaune_provenant_de_Karnak
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2352409X24000403
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1296207420304854
https://lookingatlooking.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/01/albersinteractionofcolor.pdf
https://www.laprairie.com/pt-latam/editorials-article/origin-of-cobalt-blue.html?nogeoip=true
Vantablack
https://youtu.be/Xr1AiExSAnU?si=aOkjGzzytvyBSbW0
Azul maia
https://www.roemesquita.com.br/a-cor-inventada-pelos-maias-que-mudou-a-historia-da-arte#:~:text=O%20azul%20maia%20%C3%A9%20obtido,como%20%22%20Pedra%20de%20Anil%20%22.
https://en.wikipedia.org/wiki/Indigo_dye
https://en.wikipedia.org/wiki/Indigofera_suffruticosa
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https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160221_civilizacoes_antigas_cor_azul_rb
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Historia das cores
https://forum.outerspace.com.br/index.php?threads/qual-a-hist%C3%B3ria-dos-pigmentos-azuis-e-sua-trajet%C3%B3ria-na-arte.476668/
https://ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/coqui/TCC/Monografia-TCC-Fabiola_A_Ferreira-20162.pdf
https://www.quimica.com.br/pigmentos-e-corantes/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pigmento
https://exhibitions.kelsey.lsa.umich.edu/ancient-color/blue.php
https://www.naturalpigments.com/egyptian-blue-pigment.html#:~:text=a%20powdered%20pigment.-,Source,%C2%B0%20to%201000%C2%B0%20C.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Azurita
https://www.youtube.com/watch?v=XORCBBN1AlM
https://colourlex.com/project/egyptian-blue/
https://www.infoescola.com/compostos-quimicos/corantes/
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A química das tintas imobiliárias
Robinson, J. (1999). The World’s Oldest Art: The Cave Art of the Upper Paleolithic. New York: Oxford University Press.
Este livro oferece uma análise detalhada das pinturas rupestres e os pigmentos usados nessas obras de arte primitiva.
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(Todas as referencias visitadas em dezembro de 2024)