ARTISTAS GAÚCHOS CONSAGRADOS
6º ANO
MARIA LÍDIA MAGLIANI
(Pelotas 1946 - Rio de Janeiro 2012)
Maria Lídia Magliani
Ao longo de cinco décadas de trajetória, Maria Lídia Magliani desenvolveu uma obra vibrante e diversa, que abrange desenho, pintura, ilustração e dramaturgia. A artista inicia sua produção nos anos 1960, apresentando uma pintura matérica, de tons rebaixados, por vezes sépia, e que incorpora, ocasionalmente, colagens de jornais e objetos. No início dos anos 1980, sua prática pictórica passa por uma fase ácida, trazendo cores lisérgicas que animam os tons antes soturnos. Já na segunda metade da década de 1980, Magliani faz convergir essas duas fases iniciais em um corpo de obra singular. Por meio de pinceladas ágeis e de uma paleta cromática desconcertante, a artista aborda uma espécie de noir brasileiro, fundamentado na força de uma figuração expressionista, em que cenas atmosféricas e corpos voluptuosos emergem de gestos tão líricos quanto violentos.
Magliani atravessou dimensões raciais e de gênero de maneira interseccional, décadas antes desses debates se tornarem centrais no cenário artístico. Conectada à produção intelectual brasileira do final do século XX, dialogava de maneira próxima com Iberê Camargo, com o poeta Caio Fernando Abreu e com a crítica de arte Angélica de Moraes, entre outros agentes do campo, relações registradas em cartas que mantiveram viva a voz da artista.
Desde sua primeira exposição individual realizada em 1966 na Galeria Espaço, em Porto Alegre, Magliani manteve-se em constante circulação, com mostras monográficas expressivas: Pinacoteca de São Paulo (1981); Museu de Arte do Rio Grande do Sul, MARGS (1986, Porto Alegre); Musée Imaginaire (2011, Bruxelas, Bélgica). Após seu falecimento em 2012, sua obra ganhou nova visibilidade em exposições como: “Magliani: a solidão do corpo” (2013, Pinacoteca Aldo Locatelli, Porto Alegre); “Magliani” (2022, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre); “Magliani Gráfica” (2023, Museu de Arte Murilo Mendes, Juiz de Fora); e “Até de repente: Maria Lídia Magliani” (2025, Galeria Bolsa de Arte, São Paulo).
Participou da XVIII Bienal de São Paulo (1985), no núcleo “Expressionismo no Brasil: Heranças e Afinidades”. Também foi figura recorrente no Panorama de Arte Brasileira, presente nas edições de 1981, 1985, 1987 e 1993. Dentre outras diversas exposições coletivas que participou ao longo de sua carreira, destacam-se “Connections Project/Conexus (1989, MAC USP, São Paulo); “Introspectives: Contemporary Art by Americans and Brazilians of African Descent” (1989, California African American Museum, Los Angeles; Bronx Museum of the Arts, New York, USA); “O triunfo do contemporâneo 20 anos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (2012, Santander Cultural, Porto Alegre); “Matéria Difusa: Um olhar sobre a coleção MACRS (2022, Galeria de Arte Gerd Bornheim, Caxias do Sul) e “Mãos: 35 anos da Mão Afro-Brasileira” (2023, Museu Afro Brasil Emanoel Araújo; MAM São Paulo).
Sua obra compõe o acervo de instituições como a Fundação Vera Chaves Barcellos (Porto Alegre), Galeria do Paço Municipal (Porto Alegre), Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Salvador), Museu Afro Brasil Emanoel Araujo (São Paulo), Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, MAC USP(São Paulo), Brasil Museu de Arte do Rio, MAR (Rio de Janeiro), Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Pelotas), Museu de Arte Moderna, MAM (São Paulo), Museu de Artes do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – MARGS (Porto Alegre), Museu de Arte de Santa Catarina, MASC (Florianópolis), Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (Porto Alegre) e a Pinacoteca de São Paulo (São Paulo).(bolsadearte)
Maria Lídia Magliani. Acrílica sobre tela.
Maria Lídia Magliani. Gravura em metal.
Maria Lídia Magliani. Acrílica sobre tela.
Maria Lídia Magliani. Acrílica sobre tela.
Maria Lídia Magliani. Escultura em madeira.
Maria Lídia Magliani. Acrílica sobre tela.
Maria Lídia Magliani.
Maria Lídia Magliani. Gravura em metal.
Maria Lídia Magliani. Acrílica sobre tela.
Maria Lídia Magliani. Acrílica sobre tela.
Maria Lídia Magliani.
Maria Lídia Magliani. Acrílica sobre tela.
Maria Lídia Magliani.
Maria Lídia Magliani.
PEDRO WEINGÄRTNER
(Porto Alegre 1853–1929)
Pedro Weingärtner (Porto Alegre 1853- Porto Alegre 1929).
Pedro Weingärtner. s/d. Gravura em metal; água forte.
Pedro Weingartner foi pintor, gravador, litógrafo, desenhista e professor. Filho de imigrantes alemães, iniciou sua trajetória profissional como caixeiro-viajante e, em seguida, como litógrafo. Em 1879, viajou por conta própria para Hamburgo, na Alemanha, onde estudou no Liceu de Artes e Ofícios. Posteriormente, seguiu para Karlsruhe e ingressou na Escola de Belas Artes de Baden, onde foi aluno de Ferdinand Keller (1842–1922), Theodor Poeckh (1839–1921) e Ernst Hildebrandt.
No início dos anos 1880, mudou-se para Paris, onde estudou com Tony Robert-Fleury (1837–1911) e William-Adolphe Bouguereau (1825–1905), com quem permaneceu por três anos. Bouguereau solicitou ao imperador dom Pedro II (1825–1891) uma bolsa para que Weingartner pudesse continuar seus estudos na Europa. Em 1886, passou a residir em Roma, onde permaneceu por um longo período. Fez constantes viagens ao Brasil e participou de diversas exposições. Em 1888, realizou uma mostra individual no Rio de Janeiro, com paisagens e cenas de gênero, muito elogiadas pela crítica brasileira.
De volta ao Brasil em 1891, tornou-se professor da cadeira de desenho figurado na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro. Realizou diversas viagens ao sul do país, explorando temas regionais que se tornaram recorrentes em sua obra. Viajou novamente para a Itália entre 1896 e 1902, e depois entre 1911 e 1920, mantendo frequentes idas ao Brasil. Passou também a se dedicar à técnica da água-forte, da qual foi um dos precursores no país.
Pedro Weingärtner. s/d. Telhados góticos. Bico de pena e aquarela. (sociarte).
Pedro Weingärtner. s/d. Quintal. Óleo sobre tela.(sociarte)
Pedro Weingärtner. s/d. Prado de Porto Alegre. Óleo sobre tela.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1921. Pousada de carreteiros. Óleo sobre tela.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1921. Lavadeiras (Garibaldi). Óleo sobre madeira.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1912. Villa Borghese. Óleo sobre tela. 41cmX40cm.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1912. Primavera. Óleo sobre tela. 22,5cm X 23,5cm.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1911. Maricás. Óleo sobre tela. 34cm X 59cm.(sociarte)
Pedro Wiengärtner. 1917. Paisagem italiana. Óleo sobre tela.
Pedro Wiengärtner. 1918. Paisagem. Óleo sobre tela.
Pedro Weingärtner. 1908. Idílio. Óleo sobre tela. Roma. 25cm X 19cm.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1905. Visita dos avós. (sociarte)
Pedro Weingärtner. s/d. Paisagem gaúcha. Óleo sobre tela.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1893. O arqueiro. Óleo sobre madeira. 13,5cmX23,5cm.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1898. Tempora mutantur. Óleo sobre tela.
Pedro Weingärtner. 1892. Kerb. Novo Hanburgo. Óleo sobre tela. 75cmX100cm.(sociarte)
Pedro Weingärtner. 1884. No ateliê. Óleo sobre tela. 54cm X 38cm.(sociarte)
VITÓRIO GHENO
(1923 -)
Vitório Gheno, nasceu em 26 de outubro de 1923 em Muçum, numa família italiana, e com poucos anos de idade mudou-se para Porto Alegre. Jovem, frequentava assiduamente a Livraria do Globo. A sua facilidade para desenhar levou-o a mostrar seus trabalhos na Editora Globo, que o contratou e onde ilustrou dezenas de contos de escritores consagrados.
Vitório Gheno
Em 1942 participou do primeiro Salão de Artes Plásticas de Porto Alegre e, em 1945, mudou-se para a Argentina, para trabalhar com publicidade, onde permaneceu por dois anos. De volta a Porto Alegre, fez a sua primeira exposição e ganhou um prêmio de viagem pelo Brasil. Passou também a trabalhar para o jornal Correio do Povo.
Em 1950, por conta própria, mudou-se para Paris, para estudar gravura por dois anos. Ao retornar ao Brasil, foi contratado por uma agência de publicidade norte-americana, como diretor de arte e criação. Com a criação da Revista Manchete, passou a colaborar com a revista.
No fim dos anos 1950, Gheno voltou a morar em Porto Alegre onde, em 1957, fundou a primeira loja de decoração da cidade. No início da década de 1960 passou atuar na área de decoração e design de interiores, especializando-se em hotelaria, tendo decorado dezenas de hotéis no Brasil, para redes hoteleiras como a antiga Rede Tropical, hoje Belmond Hotel das Cataratas em Foz do Iguaçu, Paraná, e Rede Plaza.
É conhecido por seu traço firme e leve, e por suas cores vibrantes, tendo criado milhares de obras utilizando as mais variadas técnicas, como óleo, aquarela, nanquim, guache, litografia, acrílico, bico de pena, ponta seca, sanguínea, pastel, carvão, etc.
Em 2009 recebeu da Câmara Municipal de Porto Alegre a Comenda Pedro Weingartner.
VITÓRIO GHENO nasceu em Muçum, Rio Grande do Sul, em 26 de outubro de 1923. Seu nome de batismo é Vitorino Gheno, mas desde os sete anos de idade, passou a chamar-se pelo nome artístico VITÓRIO, como é conhecido de todos em todos os lugares. Com apenas quatro anos de idade, mudou-se com os pais para a rua 24 de outubro em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento, onde viveu por seis décadas. Desde o fim dos anos 1980, mora no Centro Histórico da cidade, onde trabalha em seu atelier e pinta diariamente, depois de morar desde os quatro nos de idade no Bairro Moinhos de Vento, onde manteve galeria e loja especializada em decoração de interiores, junto com seu antiquário. Gheno é artistaplástico, artista gráfico, ilustrador, gravador, aquarelista, desenhista, publicitário, jornalista, designer de mobiliário, antiquário, decorador e designer de interiores especializado em Hotelaria Brasileira, com milhares de obras espalhadas por vários países do mundo e vários estados brasileiros, centenas de litografias criadas e dezenas de hotéis brasileiros com projetos de decoração assinados pelo artista gaúcho. Além disso, realizou dezenas de exposições individuais desde 1947 com êxito total de vendas em todas. As obras de Vitório Gheno não esquentam as paredes das galerias e tampouco as paredes de seu atelier. Todas estão nas paredes das casas de seus colecionadores.
Ainda estudante do ensino médio nos Colégios Rosário e Anchieta, Gheno foi descoberto por Mariano Sanvicente e começou sua carreira artística profissional apenas com 14 anos de idade na Seção Litográfica da Editora Globo em Porto Alegre. Em seguida, seis meses depois, já havia sido descoberto também por Ernest Zeuner – artista gráfico alemão radicado na Capital – que chefiava a notável Seção de Desenho da Globo, onde o adolescente artista Gheno, passou a trabalhar, criando e ilustrando ao lado de grandes artistas gaúchos da época, como Edgar Koetz, Edgard Kletner, João Faria Vianna, Nelson Boeira Fäedrich, João Fahrion, João Mottini, Honório Nardin, entre outros artistas de especial talento. Lá permaneceu por quase 10 anos, onde passou a ser o pupilo de Zeuner com quem aprendeu quase tudo. De aprendiz de litografia, passou imediatamente para ilustrador da Revista do Globo, uma das mais importantes revistas da primeira metade do século XX, passaram-se apenas alguns meses, tamanho era seu talento para ilustrar e criar. Ilustrou dezenas de contos de escritores consagrados como Cyro Martins, Rubem Braga, Vinícius de Morais, Lygia Fagundes Telles, Fernando Sabino, entre muitos outros. Na Globo, também criou capas de muitos livros como o de Érico Veríssimo (México) e de George Orwell (A Revolução dos Bichos), entre muitos outros.
Participou da fundação de entidades culturais importantes do RS no início dos anos 1940, como o Clube do Cinema e Associação Francisco Lisboa, apesar de - no dia da fundação propriamente dita da Chico -, Gheno ter saído antes da assinatura da ata no fim da reunião. Entretanto, seu nome consta nas diversas atas anteriores de várias reuniões antes da criação.
Da segunda metade dos anos 1940 até fim dos anos 1950, trabalhou como artista ilustrador, publicitário, jornalista, diretor de arte, em três importantes cidades: Buenos Aires, Paris e Rio de Janeiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, Gheno já estava em Buenos Aires, por sua própria conta, em busca de novas oportunidades de trabalho, onde ficou de 1945 até fim de 1947. Trabalhou em várias editoras argentinas como a Peuseur e a Editorial Atlântica, Sopema e Kraf e também agências de propaganda como a Proventas e Grant. Ilustra livros, cria capas e anúncios de publicidade. Torna-se amigo de Monteiro Lobato em Buenos Aires. Volta para Porto Alegre e busca seus amigos artista da Seção de Desenho da Globo, para também tentarem trabalho na efervescente capital argentina do pós guerra. Alguns ficam por lá e Gheno volta para o Brasil depois de receber o Prêmio Nacional de Belas Artes em Buenos Aires. Viaja a Minas Gerais e torna-se amigo de Guinhard, em 1948.
Continua colaborando com a Editora Globo e com a Empresa Jornalística Caldas Junior. É o ilustrador das personalidades impressas na primeira página do Jornal Correio do Povo. Também ilustra a Folha da Tarde. Vitório Gheno é o autor e ilustrador das primeiras crônicas ilustradas da Revista do Globo. Começa a criar reclames, como eram chamados os anúncios de propagando no fim dos anos 1940.
Suas primeiras exposições individuais em 1947, 1948 e 1949 na Galeria do Correio do Povo, são sucesso imediato, pelo seu talento de seu traço firme e definitivo na ilustração, no desenho e na aquarela. Nesta época passa a retratar nas aquarelas com rigor e brilhantismo, cenas urbanas e sócias da capital Porto Alegre e cenas rurais da colônia italiana e alemã no interior do Rio Grande do Sul.
Em 1950 viaja para Paris, também por conta própria, sem bolsa de estudos, para estudar e trabalhar. Retrata em suas rigorosas e apuradas aquarelas, os brasileiros na Cidade-Luz, e como correspondente envia ao Brasil para serem publicadas em revistas cariocas de variedades como as Revistas Rio e a Sombra: além das aquarelas, ilustrações, crônicas e capas de tudo que acontecia em Paris referente aos brasileiros que se encontravam lá no pós-guerra. Nesta época também morou em Paris, o grande artista gaúcho Iberê Camargo que, além de seu amigo, morava embaixo de seu apartamento na Avenue Montparnasse. Junto com o artista gaúcho Carlos Scliar, Gheno imprime suas litografias no mesmo atelier utilizado por Braque. De 1950 a 1952, convive entre ilustres como Christian Berard, Jean Cocteau, Marc Chagall, Marcel Vertes, Jean Paul Sartre, Juliette Grecot. E também brasileiros como Antônio Bandeira (este, já influenciado pelo artista norte-americano Jackson Pollock, um dos principais representantes do expressionismo abstrato no século XX), José Morais, Carlos Scliar, Iberê Camargo, Cândido Portinari, Genaro de Carvalho, Cícero Dias, Danúbio Gonçalves e Clóvis Graciano, entre outros. Cria estampas de tecidos para a Casa de Alta Costura de Madame Grees. Passa a frequentar desfiles da alta costura parisiense, enviando suas ilustrações para serem publicadas no Brasil. Cria aquarelas e estudos junto ao Ballet Internacional do Marquês de Cuevas, em Paris. Colabora com a agência subsidiária da McCann Erickson em Paris.
Quando volta para o Brasil, é contratado imediatamente como Diretor de Arte da Agência McCann Eriksson do Brasil no Rio de Janeiro, onde fica até 1958.Cria muitos anúncios, entre eles: “ISTO FAZ UM BEM...”, slogan da campanha publicitária da Coca-Cola, juntamente com o poeta e escritor J.G. de Araújo Jorge, seu colega de McCann. Foi responsável por outras grandes contas na McCann, como a Esso do Brasil e a SAS - Scandinavian Airlines System, para a qual criou um de seus anúncios mais sugestivos:"PARIS COMEMORA SEUS OS 2000 ANOS. ESTEJA PRESENTE A ESTA FESTA VOANDO PELA SAS." Gheno foi criador do layout da Revista Manchete Nº1 lançada em 26 de abril de 1952. Colaborou durante alguns anos com a Revista Manchete, ilustrando contos de ilustres escritores brasileiros como Fernando Sabino, Afonso Arinos, Rubem Braga, Mário de Andrade entre muitos. No Rio de Janeiro dos anos 1950, conheceu Xico Stockinger, que se tornou seu amigo e foi morar e trabalhar em Porto Alegre, com a ajuda de Gheno. Conviveu com grandes escritores e artistas como Aldemir Martins, Djanira, Darel, Guilherme de Figueiredo, Maria Leontina, Athos Bulcão, Maria Martins, eram todos seus amigos no Rio dos anos 50. A partir de 1995, passa a colaborar com a VARIG, criando vários anúncios e também os cardápios internacionais para os vôos das novas aeronaves Super G Constellation 1049G Intercontinental, que passa a ter a rota entre Rio de Janeiro e Nova Iorque, em 1955.
Ainda no Rio, Gheno desperta interesse pelo design mobiliário, exímio desenhista que sempre foi. Ficou amigo e estudou com o grande mestre da arte mobiliária, Joaquim Tenrreiro, português radicado no Rio. Profundamente interessado no design moderno e criador de peças e de mobiliário que primam pela simplicidade e funcionalidade, Gheno é um admirador da Bauhaus, uma das primeiras escolas de design, arquitetura e artes de vanguarda do mundo. Inicia na decoração de interiores quando a palavra “decorador” ainda não era utilizada no Brasil. Assinou diversos projetos de decoração de interiores de residências, clubes, hospitais, bancos e hotéis em todo o país. (flaneur)
Vitório Gheno. Filas Urbanas.
Vitório Gheno. Litografia
Vitório Gheno. Litografia aquarelada
Vitório Gheno. Óleo sobre tela
Vitório Gheno. Óleo sobre tela
Vitório Gheno. Óleo sobre tela
JOÃO FAHRION
(1898-1970)
João Fahrion (Porto Alegre, 4 de outubro de 1898 – Porto Alegre, 11 de agosto de 1970) foi um pintor, ilustrador, desenhista, gravador e professor brasileiro.
João Fahrion
(Porto Alegre, 4 de outubro de 1898 – Porto Alegre, 11 de agosto de 1970)
João Fahrion. 1927. Praça da Alfândega. Porto Alegre. Óleo sobre tela. 73cmX60cm.
João Fahrion. s/d. Ilustração de livro.
João Fahrion. Vestido verde. 1949. Óleo sobre tela.
João Fahrion. Óleo sobre tela.
João Fahrion. Óleo sobre tela.
Levou uma vida discreta, inteiramente dedicada à sua carreira, mas em certos períodos apreciou a boemia. Passou muitos anos atribulado por crises periódicas de depressão, que em seus anos finais o deixou incapacitado. Recebeu uma sólida formação acadêmica, estudando em Amsterdam, Berlim e Munique, com bolsa concedida pelo governo do Rio Grande do Sul, mas entrou em contato com as vanguardas modernistas e delas recebeu influência. Nos anos 1930-1940 foi prolífico capista e ilustrador da Revista do Globo e de livros infantis publicados pela Editora Globo, criando imagens alinhadas à estética modernista que circularam por todo o Brasil e que o creditaram como um dos grandes ilustradores de sua geração. Deu aulas no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre de 1937 a 1966, sendo considerado um excelente professor e formando gerações de alunos.
Na pintura deixou obra extensa, centrada nos retratos, nos autorretratos e nas cenas de bastidores do teatro e do circo. Os retratos, embora de grande qualidade, são tipicamente conservadores, produzidos para a elite gaúcha, e lhe trouxeram uma apreciável fama dentro deste círculo. Já os autorretratos e as cenas, em que surge nítida a influência da Nova Objetividade e do Expressionismo alemães, são os grupos, junto com suas ilustrações, em que deixou sua contribuição mais original e renovadora para a arte de seu estado natal. Hoje seu nome parece definitivamente consagrado no Rio Grande do Sul, é considerado por outros críticos brasileiros como um mestre, e é um consenso que sua obra precisa ser mais conhecida e divulgada, principalmente no restante do Brasil. Tem obras em muitas coleções privadas e públicas.
CARLOS SCLIAR
(1920-2001)
Carlos Scliar nasceu em Santa Maria, a 21 de junho de 1920 e faleceu no Rio de Janeiro, 28 de abril de 2001). Foi um destacado desenhista, gravurista, pintor, militar, ilustrador, cenógrafo, roteirista e designer gráfico brasileiro.
Carlos Scliar. 1944. Segunda guerra mundial. Roma, Itália.
Carlos Scliar
Participou constantemente de exposições no Brasil e em todos os centros artísticos mundiais, registrando sempre absoluto sucesso. Ativista social, engajou-se em vários movimentos, como o 1º Congresso da Juventude Democrática, na Checoslováquia e em manifestações brasileiras, seja produzindo cartazes, seja ilustrando livros e revistas.
Gravurista por opção, apaixonou-se pela serigrafia, em cuja técnica desenvolveu várias séries. Aliás, uma das importantes características de Carlos Scliar era a sua capacidade de inovar, buscando novos materiais que lhe servissem de base e técnicas as mais variadas, desde têmpera até o acrílico, passando pelas artes gráficas. Pintou quadros, mas também fez murais e até ilustrou vários bilhetes da Loteria Federal, premiados com sua arte.
Carlos Scliar. Natureza morta, 1960, têmpera sobre tela, acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli.
Carlos Scliar. 1975. Paisagem. Vinil sobre tela encerado colado em placa.
65 x 100 cm.
Carlos Scliar. Paisagem. Óleo sobre tela.
Carlos Scliar. Óleo sobre tela.
Carlos Scliar. s/d. Vaso de flores. Gravura 36/100.
Carlos Scliar. 1983. Composição Com Bananas no ambiente. Vinil e colagem encerado sobre placa, 65 x 100 cm.
Carlos Scliar. Serigrafia
Carlos Scliar. Gravura, Serigrafia.
Carlos Scliar.
Carlos Scliar. Gravura. Serigrafia.
Carlos Scliar. Pintura
Carlos Scliar. Pintura e colagem.
Carlos Scliar. 1969. Composição com Vela
vinil e colagem encerados sobre placa. 35 x 50 cm
REGINA SILVEIRA
(1939 -)
Regina Scalzilli Silveira (Porto Alegre, 18 de janeiro de 1939) é uma renomada artista visual, gravadora, pintora, professora e artista multimídia brasileira, considerada uma das maiores referências da arte contemporânea do país.
Formação e Início de Carreira
• 1959: Conclui o bacharelado em Pintura no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foi aluna e teve forte influência de artistas como Iberê Camargo.
• Década de 1970: Muda-se para São Paulo e assume um papel inovador no ensino e na experimentação gráfica, lecionando na Fundação das Artes de São Caetano do Sul e, posteriormente, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde se tornou professora emérita.
• 1980 e 1984: Obtém o título de Mestre (1980) e de Doutor (1984) pela ECA-USP.
Linguagem Artística e Obras
• Ilusões e Sombras: Sua produção é mundialmente reconhecida pelo uso criativo da perspectiva, da distorção visual (anamorfoses) e da projeção de sombras, questionando a percepção do espaço e a política das imagens.
• Técnicas: Trabalha com gravura, pintura, fotografia, vídeo, instalações e meios digitais.
• Obras marcantes: In Absentia M.D. (1983), Anamorfas (1980), Simulacros (1984), Ex Orbis (2001) e Tramazul (2010/2011). Possui obras em acervos de importantes instituições, como o MoMA (Nova York) e o Museu Reina Sofía (Madri).
Regina Silveira (WP).
Regina Silveira
Iniciou sua formação em Porto Alegre, tendo se formado no Instituto de Artes da UFRGS em 1959, e estudado pintura e gravura com Iberê Camargo e estabelecido com ele duradoura convivência.
No ano de 1980 concluiu mestrado, Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação de Wolfgang Pfeiffer, com a dissertação Anamorfas.
Doutora em 1984, orientada novamente por Wolfgang Pfeiffer, também pela ECA-USP, defendendo a tese Simulacros.
Com intensa atuação no campo das artes nos anos 1970, contribuiu para o estabelecimento da arte conceitual no Brasil.
Regina Silveira. Painel do Aeroporto de Porto Alegre. (WP)
Regina Silveira.
Regina Silveira.
Regina Silveira. Serigrafia
Regina Silveira. Serigrafia.
Regina Silveira. Serigrafia.
Regina Silveira. Serigrafia.
Regina Silveira. Graavura
Regina Silveira. Fotografia
Regina Silveira. Anamorfia
MILTON KURTZ
(Santa Maria RS 1951 - Porto Alegre RS 1996)
Milton Kurtz foi pintor, desenhista, artista intermídia. Gradua-se em arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, em 1977. Integra o Grupo KVHR, entre 1978 e 1980, e o Espaço NO (Nervo Óptico) - Centro Alternativo de Cultura, de 1979 a 1982. Faz sua primeira exposição individual em 1983, na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre.
Milton Kurtz.
Milton Kurtz. Desenho e pintura.
Milton Kurtz. Acrílica sobre painel.
Milton Kurtz. 1984. Mulher onça. Técnica mista, graffite e tinta acrílica sobre papel.
Milton Kurtz. 1984. Mulher onça. Técnica mista, graffite e tinta acrílica sobre papel. 70 x 100 cm.
Milton Kurtz. 1984. Sombras - B. Técnica mista, graffite e tinta acrílica sobre papel. 70x100 cm.
Milton Kurtz. 1984. Técnica mista, graffite e tinta acrílica sobre papel.
Milton Kurtz.
Milton Kurtz (1951–1996) foi um proeminente pintor, desenhista e artista intermídia brasileiro, amplamente reconhecido como um dos grandes nomes da Pop Art e da arte de vanguarda no Rio Grande do Sul. Com uma produção marcadamente provocativa e sintonizada com a cultura de massa, o artista destacou-se pela precisão técnica do desenho combinada ao uso de cores vibrantes e chapadas.
Biografia Resumida
• Data e local de nascimento: Nascido no dia 1951 em Santa Maria, Rio Grande do Sul (https://www.google.com/search?kgmid=%2Fm%2F050s2b).
• Data e local de falecimento: Faleceu precocemente em 27 de junho de 1996, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
• Local de formação: Graduou-se em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1977. Essa formação técnica influenciou diretamente o rigor geométrico e a exatidão de seus traços no campo das artes visuais.
• Atuação em coletivos: Entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, Kurtz integrou grupos seminais da cena artística gaúcha, como o Grupo KVHR (as letras KVHR representam os sobrenomes dos quatro artistas gaúchos que o compunham:
K – Milton Kurtz
V – Julio Viega (ou Veiga)
H – Paulo Haeser
R – Mário Röhnelte
O Espaço NO (Nervo Óptico) Centro Alternativo de Cultura, que questionavam o sistema tradicional de arte através de propostas conceituais e experimentais.
A produção de Milton Kurtz é fortemente calcada no desenho de alta precisão técnica, herança de sua formação arquitetônica. A principal característica de sua fatura é a ausência de gestualidade (traços limpos, sem marcas evidentes de pinceladas) integrada a composições de cores planas, puras e intensas.
Conforme registros críticos da Enciclopédia Itaú Cultural, sua visualidade dialoga diretamente com o espírito Pop e o cotidiano urbano. Kurtz utilizava um vasto repertório iconográfico oriundo do cinema, de histórias em quadrinhos, da publicidade e de fotografias de jornais e revistas.
Além do virtuosismo no papel e na tela com tinta acrílica e grafite, ele consolidou-se como um artista intermídia ao subverter suportes tradicionais, incorporando materiais inovadores e industriais em suas colagens e montagens, tais como tecidos estampados e chapas de radiografia. Suas obras operavam em um limiar ambíguo entre a sedução estética e a crítica ácida à sociedade de consumo e à identidade nacionalizada/americanizada.
Visita virtual à exposição de Milton Kurtz na Galeria Ecarta.
https://youtu.be/ha2jdY-PsZM?si=pJF9m4Wlco2YMto8
Fonte















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