quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

DESENHO

DESENHO 9º ANO
2026

O desenho é a arte e a técnica de representar formas, ideias e emoções por meio de traços, linhas, pontos, sombreamento (luz e sombra) e ilusão de volume, geralmente sobre uma superfície bidimensional (2D), utilizando-se grafite, carvão, lápis sangüínea, pastel oleoso ou seco, nanquim, tinha e pincel. 


Alberto Giacometti. Maçãs. Desenho, 1949.


Elementos da linguagem visual 

Na arte não existe certo ou errado, mas sim maneiras mais claras e menos claras de passar uma informação (sentimento). 

Ponto
Representação de forma, sua distribuição cria a ilusão de luz e sombra e volume e por isso a forma. 

Linha
Sua distribuição também é usada para representação de forma 

Forma
A forma é sugerida pela disposição de pontos e linhas no plano.
A partir do ponto, linha e forma podemos criar imagens. 

Cor/Tom

Textura

Luz e sombra (que nos dá a ilusão do volume)

Cor e tom
Cor e tom apresentam diferenças, visto que o primeiro conceito diz respeito ao matiz, ou seja, sua distinção em comparação às demais cores a partir da presença e mistura de outras cores em sua composição, já o tom da cor é relativo à intensidade, azul-claro ou escuro, por exemplo.

Diferença entre cor e tom
Assim, o matiz, uma das propriedades das cores, sendo as outras a saturação e a luminosidade, torna uma cor única, visto que é possível para a maioria das pessoas distinguir o verde do roxo, no entanto, os tons tornam as cores pastéis ou mais densas, dependendo da quantidade de luz ou falta dela.

A diferença entre cor e tom é, assim, o conceito, a definição, visto que enquanto as cores são únicas, sejam elas primárias, secundárias ou terciárias, os tons podem ser diversos para diferenciar essas cores.

A cor atua tanto como um processo criativo/preliminar (esboço) quanto como uma obra finalizada, sendo essencial na comunicação de ideias e conceitos (propaganda e literatura científica: ilustração e gráficos), comunicação visual, arte, engenharia e arquitetura.


EXERCÍCIOS 

1) CONSTRUINDO A FORMA COM LINHAS











Al. Kober


EXERCÍCIO COM LINHAS 

1) Desenho de objetos com linhas: usando somente lápis 6B
2) Desenho de objetos com linhas: usando giz pastel oleoso. Monocromático.
3) Desenho de objetos com linhas: usando giz pastel oleoso; respeitando as cores dos objetos.
2) Desenho de objetos com linhas: usando giz pastel oleoso. Pintando as áreas. Observe a luz as nuances de cores e tom, a sobra e a luz. (12/Fev/2026).
















quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

ARTE AFRO-BRASILEIRA

ARTE AFRO-BRASILEIRA
9° ANO 
(2026)


Artes Visuais

Patrimônio cultural e matrizes estéticas afro-brasileiras

Duração sugerida: 6 aulas 


1. Introdução: O que é Arte Afro-Brasileira?

A Arte Afro-Brasileira é o conjunto de manifestações artísticas produzidas no Brasil que têm origem, influência ou diálogo direto com as culturas africanas trazidas pelos povos negros escravizados e por seus descendentes
Ela se expressa nas artes visuais, na música, na dança, na religiosidade, na oralidade e nas formas de organização simbólica da vida cotidiana.

Sem título (série "Composição"), de Luiz 83, 2017/2018. 
Foto: Cortesia artista. (1)

Assim, nossa investigação deve focar na valorização cultural e no combate ao racismo, abordando a influência africana na identidade brasileira. Temas centrais incluem o sincretismo, a resistência (capoeira/maracatu) e artistas como Mestre Didi, utilizando grafismos, produção de desenhos, pinturas, têxteis e máscaras com materiais recicláveis.

Essa arte não é apenas estética: ela é também memória, resistência, identidade e afirmação cultural, sendo parte fundamental do patrimônio cultural brasileiro.

Algumas informações para reflexão

Muitos de nós desconhecemos por completos palavras como yorubá, jeje, fon, bantu, e sem saber somos herdeiros das culturas desses povos, que foram trazidos para o Brasil nos porões dos navios negreiros e hoje integram a nossa cultura brasileira.

Os primeiros africanos escravizados chegaram ao Brasil no início da colonização portuguesa, estimando-se que os primeiros navios desembarcaram entre 1531 e 1539, acompanhando o início da produção açucareira, com registros específicos mencionando a expedição de Martim Afonso de Souza em 1530. 

O tráfico intensificou-se a partir de 1550, consolidando-se como principal mão de obra.

Início do Tráfico: Embora a escravização de indígenas tenha ocorrido primeiro, a introdução de africanos escravizados começou cedo (décadas de 1530-1550) para suprir a demanda nos engenhos de cana-de-açúcar, principalmente no Nordeste.

Contexto: Portugal, com pequena população, recorreu à escravização africana para viabilizar a exploração colonial, transformando o Brasil no maior mercado de escravizados das Américas.

Duração: O regime escravagista durou cerca de 350 anos, terminando apenas com a Lei Áurea em 1888.

A maioria dos escravizados veio inicialmente da região da Guiné e, posteriormente, de Angola, Congo e do Golfo de Benin.


2. Patrimônio Cultural Afro-Brasileiro

O patrimônio cultural é tudo aquilo que um povo reconhece como valioso para sua história, identidade e continuidade. Ele pode ser:

Patrimônio material

Esculturas, máscaras, tecidos
Instrumentos musicais (atabaques, berimbaus)
Arquitetura (terreiros de candomblé)
Objetos rituais e artísticos

Patrimônio imaterial

Festas populares (Congado, Maracatu)
Religiosidade afro-brasileira (Candomblé, Umbanda)
Saberes tradicionais
Oralidade, cantos, mitos e símbolos

A arte afro-brasileira preserva e transmite esse patrimônio, conectando passado, presente e futuro.


3. Matrizes Estéticas e Culturais Afro-Brasileiras

As matrizes culturais africanas que influenciaram o Brasil vêm principalmente das regiões da África Ocidental e Centro-Ocidental, como:

Principais Povos e Regiões de Origem

Povos Bantos 
Originários da costa centro-ocidental (Angola, Congo) e da costa oriental (Moçambique). Eram a maioria, trazendo grande influência cultural e linguística.

Povos Sudaneses (África Ocidental)
Incluíam iorubás (nagôs), jejes, haussás e tapas, vindos da Costa da Mina (atuais Gana, Togo, Benim, Nigéria).

Outras Origens
Povos da Guiné, Namíbia e Sudão também foram registrados. 

Principais rotas do tráfico negreiro para o Brasil (terreirodegrios).

Retratos de negros e negras em Pernambuco, por volta de 1870 


Características estéticas frequentes:

Valorização do corpo como suporte artístico

Uso simbólico de cores (branco, vermelho, preto, azul)

Geometrização e estilização das formas

Relação entre arte, espiritualidade e cotidiano

Presença de símbolos ligados à natureza, ancestrais e divindades (orixás)


4. Cultura Afro-Brasileira

Características e importância

Resistência
A capoeira, por exemplo, nasceu como forma de luta e resistência à escravidão, sendo hoje Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Identidade
Fundamental na construção da identidade brasileira, valorizando a cultura negra e promovendo a diversidade.

Crítica social
Utiliza a arte como ferramenta de denúncia, questionando o racismo, a violência e a hegemonia eurocêntrica, propondo novas narrativas.

Conexão com o passado
Reconecta com a ancestralidade africana, usando símbolos como o Sankofa (conhecimento do passado para o futuro).


A cultura afro-brasileira está presente em diversos aspectos do nosso dia a dia, como:

Música (samba, afoxé, maracatu)

Dança (capoeira, danças rituais)

Linguagem e expressões populares

Religiosidade

Artes visuais

A arte funciona como um meio de resistência cultural, especialmente durante e após o período da escravidão, quando as populações negras tiveram que preservar suas tradições de forma simbólica e criativa.


5. Produção Material Afro-Brasileira

A produção artística afro-brasileira inclui:

Esculturas em madeira e pedra
Cerâmicas e objetos rituais
Pinturas contemporâneas
Arte têxtil
Máscaras e adornos

Esses objetos muitas vezes têm função simbólica, espiritual e social, indo além do simples valor decorativo.


6. Artistas Africanos e Afro-Brasileiros

Artistas afro-brasileiros em destaque

Heitor dos Prazeres: Produz pinturas do cotidiano negro e do samba

Abdias Nascimento: Trabalha com arte, política e identidade negra

Rubem Valentim: Usa pintura em tela com símbolos afro-religiosos em linguagem geométrica

Rosana Paulino: Fotografia para investigar a memória, corpo negro e história

Emanoel Araújo: Produz esculturas, curadoria e patrimônio afro-brasileiro

Antonio Obá: Mescla o sagrado e o profano para discutir racismo religioso e violência contra o corpo negro.

Arjan Martins: Usa mapas e rotas do Atlântico como metáforas da diáspora africana.
 
Maxwell Alexandre: Aborda a vida e as questões sociais da periferia.

Campos da arte afrobrasileira
Artesanato, moda, pintura, escultura, com artistas como Antonio Obá, Arjan Martins, Jaime Lauriano, Maxwell Alexandre, Paulo Nazareth, Renata Felinto, que questionam o apagamento histórico e a representação do corpo negro.


Artistas africanos contemporâneos:

El Anatsui (Gana/Nigéria)
Esculturas com materiais reciclados

Yinka Shonibare
Identidade, colonialismo e cultura híbrida


7. Análise e Leitura de Imagens

Para analisar uma obra afro-brasileira, os alunos podem observar:

Quais cores predominam?

Que símbolos aparecem?

Há relação com religião, corpo ou ancestralidade?

Que sentimentos a obra transmite?

O material usado tem significado?

Importante: entender que a leitura da imagem envolve contexto cultural, histórico e simbólico.


8. Proposta de Criação Artística

Atividade prática

Tema: Identidade, ancestralidade ou cultura afro-brasileira

Os alunos poderão criar:

Um desenho simbólico

Uma colagem inspirada em padrões africanos

Uma pintura com cores simbólicas

Uma máscara estilizada (em papelão ou papel)


9. Técnica Artística (sugestões)

Colagem com revistas e papéis coloridos

Desenho com carvão, grafite e giz pastel oleoso

Pintura com guache ou tinta acrílica

Estamparia simples com carimbos feitos de EVA ou batata

Uso de formas geométricas e símbolos


MÁSCARAS

As máscaras africanas, fundamentais para a identidade cultural afro-brasileira, representam ancestralidade, espiritualidade e proteção, sendo usadas em cerimônias de iorubás como o Odun Egungun. 

Os principais povos africanos cujas tradições de máscaras influenciaram o Brasil, principalmente através das religiões de matriz africana (Candomblé, Xangô) e expressões culturais, são os Iorubás (Nigéria/Benim), com as máscaras Guelede e Egungun. Outras influências incluem povos de Angola, Gabão e Congo, cujos ritos refletem ancestrais. 
Iorubá (Nigéria/Benim): Conhecidos pelas máscaras Gueledé (homenagem ao poder feminino e fertilidade) e Egungun (representação dos antepassados), essenciais na cultura brasileira de matriz iorubana.
Punu (Gabão): Produzem máscaras brancas (Okuyi) com caolin (argila), representando ancestrais femininos.
Baga (Guiné): Conhecidos pelas máscaras D'mba (Nimba), representações da fertilidade.
Chokwe (Angola): Produzem máscaras Puo, focadas em fertilidade e símbolos sociais.
Maconde (Moçambique): Conhecidos pela máscara Mapiko, usada em rituais de iniciação. 
Essas máscaras chegam ao Brasil não apenas como arte, mas como objetos rituais que representam espíritos, antepassados e valores comunitários, frequentemente incorporando marcas de escarificação e tranças características de seus povos de origem. 

Confeccionadas tradicionalmente em madeira, essas peças simbolizam a ligação com antepassados, sendo integradas a trajes que cobrem o corpo em danças rituais.
 
Significado e Função 
Muito mais do que objetos decorativos, as máscaras africanas funcionam como instrumentos espirituais em rituais de colheita, fertilidade, iniciação e funerais, mediando a comunicação entre humanos e espíritos.

Presença e Acervo
O Museu Afro Brasil, localizado em São Paulo, possui um vasto acervo que demonstra a diversidade dessas expressões, incluindo peças de diversas etnias.

Influência na Arte Brasileira
A estética das máscaras africanas, com formas geométricas e linhas marcantes, influencia artistas brasileiros e inspira a valorização da herança cultural africana no país.

Conexão com a Religião
No contexto brasileiro, o uso de máscaras é fortemente associado à religiosidade de matriz africana, onde a dança, o som e o transe compõem o ambiente ritualístico.

Confecção
Tradicionalmente produzidas por iniciados, as máscaras podem incluir materiais como madeira, cerâmica, marfim, couro e metais, conforme descrito em YouTube e Toda Matéria. 

À esquerda, máscara do povo Grebo (Costa do Marfim). 
À direita, máscara Punu (Gabão) (2).

À esquerda, máscara do povo Bwa. À direita, máscara da etnia Senufo (2).

Da esquerda para a direita: máscara Fang, do Gabão, Guiné e República dos Camarões; máscara Bwa, de Burkina Faso; máscara Senufo, da Costa do Marfim , Mali e Burkina Faso. (ensinarhistoria)

Máscaras africanas diversas (2).

Máscara 1 e 2: Pwo Mwana (“mulher jovem”) do povo Chokwe, de Angola e República Democrática do Congo. Máscara 3 e 4: do povo Kuba, República Democrática do Congo (Domingues)


TÊXTEIS

Os têxteis afro-brasileiros representam uma fusão de técnicas, cores e significados ancestrais africanos com a identidade brasileira. Eles não são apenas tecidos, mas "arquivos vivos" que perpetuam a cultura de resistência, identidade e a religiosidade de matriz africana, especialmente através de estampas vibrantes, algodão e tecelagem manual.
Aqui estão os principais aspectos dos têxteis afro-brasileiros:

1. Pano da Costa (Alaká) Significado
É uma das indumentárias mais importantes, com forte ligação com as religiões de matriz africana (Candomblé e Umbanda).
Origem e Função: Originalmente da África Ocidental, era usado por mulheres. No Brasil, tornou-se um símbolo de status social e sacerdotisa dentro dos terreiros.
Confecção: Tradicionalmente feito em tear manual, com listras e fios de algodão, o pano da costa é uma peça de resistência cultural e técnica artesanal.

2. Tecidos e Estampas PrincipaisWax Print (Tecidos de Cera)
Tecidos coloridos e estampados que se popularizaram na moda africana e afro-brasileira, muitas vezes com padrões geométricos que contam histórias ou representam provérbios.

Kente: Tecido tradicional dos povos Ashanti (Gana), conhecido por ser feito de tiras estreitas costuradas juntas, criando padrões geométricos vibrantes.
Adinkra: Estampas feitas através de carimbos artesanais com símbolos que representam atitudes, provérbios ou provérbios ancestrais.
Algodão Branco: Muito utilizado em roupas rituais de orixás, simbolizando pureza e paz, especialmente no Candomblé.

3. Características e EstiloCores Vibrantes
Uso intenso de cores quentes que refletem a tradição africana e energia.
Materiais Naturais: Algodão, linho e rendas são preferidos, valorizando o toque leve e a origem natural.

Geometria: Padrões complexos e repetitivos que trazem um forte apelo visual e cultural.
Moda Afro-brasileira: Estilistas contemporâneos como Mônica Anjos, Goya Lopes, Negrif e Isaac Silva incorporam esses elementos para criar uma moda que empodera e celebra a ancestralidade.

4. Usos e Contextos Vestuário Ritualístico
Roupas de santo, turbantes (torços) e panos de ombro no candomblé/umbanda.
Moda Quilombola e Afro-urbana: Peças de uso diário, valorizando a identidade negra, o empoderamento e a sustentabilidade, comum em tecidos de algodão.

Decoração: Cestos, vasos e tecidos de decoração que incorporam palha, madeira e estampas africanas para criar ambientes com identidade.
Os têxteis afro-brasileiros funcionam como uma ferramenta de resistência, desafiando estereótipos e mantendo viva a memória de diferentes etnias africanas que influenciaram a cultura brasileira.






(Google imagens)

PINTURA

Ao longo da história da sociedade brasileira, a contribuição dos artistas negros foi negligenciada, onde omitiram nossas heranças artísticas. A arte afro-brasileira se potencializou e se firmou a partir da criticidade social, bem como a percepção de mundo e de pertencimento, destacando a criatividade e técnica do negro. É possível entender a arte afro-brasileira a partir da representatividade e expressividade em um campo de questões sociais, delineada pelas especificidades da cultura brasileira. A pesquisa faz uma reflexão essencial a partir da importância da arte afro-brasileira.

Pintura Afro-Brasileira: Expressões de Identidade, Memória e Resistência

A pintura afro-brasileira constitui um campo artístico fundamental para compreender a formação cultural do Brasil. Mais do que um estilo ou escola, ela representa um conjunto de produções que articulam tradições visuais de matriz africana com as experiências históricas e sociais da população negra no país, criando uma linguagem própria que desafia cânones eurocêntricos.

Contexto Histórico e Características

Embora a presença negra na arte brasileira remonte ao período colonial, muitas vezes relegada à condição de tema ou de mão de obra anônima (como nos entalhes e pinturas sacras), a consolidação de uma pintura afro-brasileira com autoria reconhecida ganha força no século XX. Suas características frequentemente incluem:

A reinterpretação de símbolos e cosmologias de origens africanas (iorubá, banto, jeje, entre outras).
A denúncia social e política do racismo e das desigualdades.
A celebração da cultura negra, seus ritos, festividades e personagens históricos.
A exploração da figura humana negra como protagonista, com toda sua subjetividade.
O uso de cores vibrantes e padrões que dialogam com texturas e ritmos.

Artistas e Obras Históricas (Séculos XIX e XX)

Antônio Rafael Pinto Bandeira (c. 1863-1896)
Pouco conhecido, é considerado um dos primeiros pintores negros de formação acadêmica no Brasil. Sua obra, de temática diversa, enfrentou as barreiras do racismo na Academia Imperial de Belas Artes.

Emmanuel Zamor (1840-1919)
Pintor e professor nascido no Rio de Janeiro, de ascendência africana. Estudou na Academia Imperial e posteriormente em Paris. Suas obras, como Paisagem com Rio e Árvores, mostram domínio da técnica acadêmica, ainda que sua trajetória tenha sido obscurecida pela historiografia tradicional.

Antônio Obá (c. 1880-1950)
Artista popular mineiro, autodidata, conhecido por seus ex-votos e pinturas religiosas que mesclam influências do barroco mineiro com representações de figuras negras em cenas sacras.

Heitor dos Prazeres (1898-1966)
Fundamental na transição entre a arte popular e a erudita. Pintor e sambista carioca, suas obras são celebrações da vida urbana negra. Em pinturas como Família no Morro (1957) e Roda de Samba (1960), retrata com cores planas e perspectiva simplificada o cotidiano, a música e a alegria das comunidades cariocas.

Ronaldo Rêgo (1930-2013)
Artista baiano que dedicou sua obra à representação dos orixás e dos rituais do candomblé, como na série Orixás, utilizando cores intensas e formas estilizadas para traduzir a força das divindades.

Gerações Contemporâneas (Final do Século XX e Século XXI)

A partir dos anos 1970 e 1980, com o Movimento Negro e a busca por uma "negritude" brasileira, a pintura ganha novos contornos.

Eustáquio Neves (1955-)
Artista mineiro que utiliza fotografia, mas cuja produção pictórica e intervenções em suportes diversos trabalham com a memória da diáspora e a ancestralidade. Sua série Filtro de Barro explora questões identitárias através de procedimentos químicos que "queimam" a imagem, aludindo a violências históricas.

Rubem Valentim (1922-1991)
Embora baiano, sua obra é um marco para a arte construtiva afro-brasileira. Desenvolveu um alfabeto plástico de símbolos derivados de ferramentas rituais do candomblé (oxés, ogós, símbolos gráficos dos orixás). Suas pinturas, como Emblema Logotipo Poético 1 (1975), são composições geométricas rigorosas em cores simbólicas (branco, vermelho, preto), elevando a cosmovisão afro-brasileira à condição de linguagem universal.

Mônica Ventura (1965-)
Pintora e ilustradora paulista, conhecida por retratar com sensibilidade e poder a mulher negra. Suas figuras, muitas vezes envoltas em padrões e cores quentes, transmitem dignidade e introspecção, como na série Mulheres de Axé.

Arjan Martins (1960-)
Carioca, sua pintura investiga as rotas transatlânticas, a cartografia colonial e a presença negra no mundo. Em telas de grande formato, como as da série Navegações, cria mapas imaginários onde rostos, barcos e instrumentos de navegação se fundem, discutindo deslocamentos e pertencimento.

Maxwell Alexandre (1990-)
Artista carioca da nova geração que alcançou grande reconhecimento internacional. Sua série Pardo é Papel (2017-em diante) utiliza o papel pardo (cor de sua pele, como afirma) como suporte para narrativas que misturam auto-representação, crítica ao sistema de arte, religiosidade e cenas do cotidiano da periferia. Suas pinturas, de estilo figurativo e gestual, são cheias de referências à cultura hip-hop, ao gospel e ao cenário artístico.

Dercy Santos (1949-)
Pintora baiana, iniciada no candomblé, cuja obra é profundamente ligada aos mitos e símbolos dos orixás. Utiliza técnicas mistas, incluindo areia e pigmentos naturais, criando texturas que remetem aos elementos da natureza.

A pintura afro-brasileira não é um movimento homogêneo, mas um campo de força em constante expansão. Dos pioneiros que romperam barreiras no sistema artístico acadêmico aos contemporâneos que atuam no circuito global, esses artistas constroem uma contra-narrativa visual essencial. Suas obras são atos de presença, memória e invenção, afirmando que a experiência negra é plural, complexa e central para a compreensão da arte e da sociedade brasileiras.



RUBEM VALENTIM (1922-1991) Emblema-Logotipo-Poetico. 1975 Acrilica sobre tela 700 x 500 cm.

Pintura sem título de Heitor dos Prazeres, 1962. 
Historicamente a festa tem cumprido um papel central na estruturação das comunidades periféricas e na subjetividade dos sujeitos que pertencem a elas. A festa foi uma conquista dos escravizados e o carnaval é um legado extraordinário deles. Não é sem propósito que ela, a festa, seja frequentemente demonizada pela elite branca e econômica – as festas populares elaboradas aqui e ali na obra desses artistas e que deveriam ser incorporadas aos currículos e programações que se pretendam decoloniais. A festa é uma estratégia de sobrevivência dos asfixiados, se exerce nas frestas de uma sociedade opressiva e têm múltiplas dimensões, inclusive religiosa. Ela esta sugerida na obra de um Heitor dos Prazeres (1898-1966), espécie de polímata que certa narrativa em vias de se tornar obsoleta reduziu a “pintor primitivo”, espécie de patriarca daquele mesmo partido que convencionamos chamar “popular” e que hoje acolhe artistas negros e negras como o pintor paulista André Ricardo, a gravadora baiana Eneida Sanches, a multiartista paranaense Lídia Lisboa e o poderoso xilogravador piauiense Santidio Pereira – artistas que embaralham e tornam bastante mais complexa esta categoria. Na realidade, essas e outras produções contestam as dicotomias que contrapõem o erudito ao popular, o centro à periferia e, em alguns casos, até noções de gênero fossilizadas.

Heloisa Hariadne. Espiral dos afetos que circulam enquanto deixa-se ser vestido e visto por dentro traumas que carregamos. 
Através de suas ações e de rituais cotidianos, a pintora paulista Heloisa Hariadne parece pretender um resgate dos usos e sentidos originais dos alimentos e de seu consumo. Os vegetais que a artista consome são assunto central de suas ações e de sua pintura de extração fauve, algo matissiana e africana. Nas composições diretas de acento pop, corpos negros trabalhados com massa de tinta extraídas de bastões de óleo são contrapostos a essa botânica feérica que ela cultiva, oferece em ritual e consome.

Moises Patricio. Série "Album de familia", 2020.
Moisés Patrício batizou como Álbum de família a série de retratos realizados em plena pandemia que apresenta os membros de sua família espiritual, isto é, os membros da casa de candomblé frequentada pelo artista. Existe um apelo, aliás, legítimo, que realça no discurso sobre a arte afro-brasileira os aspectos sobre a religiosidade dos seus autores, já que essa religiosidade é pauta frequente e em muitos casos central das suas biografias. Vide os baianos Deoscóredes Maximiliano dos Santos (1917-2013), o mestre Didi, escultor seminal, escritor e sacerdote e o também escultor, pintor, gravador, professor Rubem Valentim (1922-1991), e o notável artista e professor baiano de Macaúbas, Ayrson Heráclito. No entanto, deve-se admitir que a ascensão desses e de outros artistas foi construída no campo da arte e através do conhecimento adquirido por eles no exercício desse ofício. O que é intrínseco a arte deve interessar tanto quanto o que é externa a ela (da Silva, 2020).

Arjan Martins. Sem título, 2019. 

Luis 83. Sem título, da série "Composição". 2027-2018

Santidio Pereira. Xilogravura. s/d.

Santidio Pereira, em seu atelier.

Santidio Pereira. Xilogravura.

Essa recorrência à realização de retratos explícita na série de Patrício e tão marcante nas obras de artistas como Sidney Amaral (1970-2017), o performático e acidamente irônico Peter de Brito, o pintor No Martins, todos de São Paulo, e o carioca Arjan Martins, participa da construção de identidades que expressam suas individualidades, mas que também contribuem para a construção de uma autoestima coletiva, pois eles refutam a ideia de coisificação do corpo negro e organizam suas memórias
Além disso, esses retratos mitigam um déficit nas galerias reservadas à exibição desse gênero de pinturas. Pode ser que exista uma ideia qualquer que sugira a ausência de tradições artísticas negras brasileiras, o que não é de modo algum verdadeiro, e isto explicaria a falta de reconhecimento das autorias que fundamentam a construção de uma história de arte e justificaria o espanto de alguns diante do que chamam “moda”, “voga” ou “onda” de arte afro-brasileira. Não é por outro motivo que leva artistas afro-brasileiros como Aline Motta, Heráclito, Janaina Barros, Juliana dos Santos, Rosana Paulino, Marcelo D´Salete e Wagner Viana a serem também profundamente comprometidos com pesquisas nos campos da história e da antropologia (da Silva, 2020).


10. Encerramento e Reflexão

A arte afro-brasileira é parte essencial da história do Brasil. Estudá-la é reconhecer a contribuição dos povos africanos e afro-descendentes para nossa cultura, combater o preconceito e valorizar a diversidade.

Pergunta final para a turma:

Como a arte pode ajudar a preservar a memória e a identidade de um povo?





Fonte




https://ensinarhistoria.com.br/mascaras-africanas-recortar-colorir/

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O QUE É ARTE

O QUE É ARTE? 
UMA INTRODUÇÃO FILOSÓFICA, 
HISTÓRICA E CULTURAL


1. Introdução
Arte como problema filosófico e humano

A pergunta “O que é arte?” atravessa toda a história da humanidade. Cada sociedade produziu imagens, sons, rituais e objetos que expressam modos singulares de existir no mundo. Desde as primeiras pinturas nas cavernas até as instalações contemporâneas, a arte acompanha a trajetória humana como forma de simbolizar experiências, comunicar sentidos e transformar a realidade.

Michel Foucault e Marilena Chauí nos ajudam a compreender esse fenômeno para além da ideia de “beleza” ou “técnica”: ambos destacam que a criação artística se insere em modos de vida, sistemas simbólicos e formas de relação com a verdade e com a comunidade.

2. A Arte e o Problema da Verdade: o olhar de Foucault
2.1 Do discurso-verdade à institucionalização da verdade

No Ocidente, religião e ciência tornaram-se instituições que reivindicaram o monopólio da verdade. Nesse processo, a busca pessoal pela verdade — entendida pelos gregos como uma prática de vida — foi enfraquecida. Entre os estóicos, por exemplo, verdade significava coerência entre o modo de viver e aquilo que se afirma.

Foucault observa que, com a ascensão das instituições, não era mais necessário transformar a si mesmo para dizer a verdade: bastava pertencer ao corpo religioso ou ao corpo científico.

Ele afirma:

“Se a prática científica [...] basta para garantir o acesso à verdade, o problema da verdadeira vida desaparece. [...] A questão da verdadeira vida não parou de se extenuar no pensamento ocidental.” (Foucault, 2011, p. 207).

A arte, diferente da ciência institucionalizada, preserva justamente essa dimensão existencial, pois exige uma relação direta entre o que se expressa e o modo como o artista vê e vive o mundo. Assim como a parrhesia, o “falar verdade” que implica risco, a arte envolve exposição, vulnerabilidade e coragem.


2.2 A parrhesia e a criação artística

A parrhesia grega, retomada por Foucault, é a coragem de dizer a verdade colocando-se em risco. No campo da arte, isso aparece quando o artista cria algo que pode contrariar expectativas, desafiar normas, romper tradições ou revelar tensões sociais.

Exemplo:
Uma obra que denuncia violência estatal, desigualdade social ou discriminação de gênero pode gerar conflitos, mas é justamente essa franqueza que fundamenta muitas produções artísticas contemporâneas.


3. Por que o ser humano cria arte?

Desde que construiu seus primeiros utensílios, o ser humano decorou, pintou, esculpiu, isto é, atribuiu significados que iam além da função prática.
Isso revela que a arte é expressão da interioridade: do eu, da imaginação, da liberdade criadora.

Exemplos históricos

Arte rupestre
Animais pintados em cavernas para ritualizar a caça ou marcar narrativas do grupo.

Grécia antiga
Esculturas que valorizam a harmonia e a forma humana como ideal estético e ético.

Renascimento
Retorno ao humanismo e à perspectiva científica do mundo.

Sobre essa criatividade essencial, Chauí afirma:

“Da obra de arte não se exige funcionalidade. Espera-se que exprima significações e verdades, cuja beleza decorre de seu poder expressivo.” (Chauí, 2004).


4. Arte como transformação

Um pôr-do-sol, embora belo, não é arte, uma flor por mais bela que seja. Mas quando o artista o traduz em pintura, música, fotografia ou poesia, há uma transformação simbólica da experiência sensível.

“A obra de arte é primeiro obra, depois obra de arte.” (Fernando Pessoa).

Exemplo:

O vaso doméstico é apenas utensílio; quando recebe grafismos, ornamentos ou pinturas, transforma-se em expressão simbólica.

5. Arte e História: principais períodos

A história da arte é um recorte didático que organiza diferentes estilos e modos de expressão:

Arte pré-histórica – desde 50.000 a.C.

Arte antiga – Egito e Mesopotâmia (a partir de 4.000 a.C.)

Arte clássica – Grécia e Roma (séc. VIII a.C. – V d.C.)

Arte medieval – da queda de Roma (476) à tomada de Constantinopla (1453)

Arte renascentista – séculos XIV a XVI

Arte moderna – do século XIX ao início do século XX

Arte contemporânea (pós-moderna) – do final do Modernismo até hoje

6. Formas de Arte


Pintura

Escultura

Dança

Teatro

Literatura

Cinema

Música

Performance

Instalação

Happenings

Cada linguagem utiliza materiais, técnicas e expressões próprios, mas todas são formas de simbolizar e transformar o mundo.

7. Arte como compreensão do mundo

A arte revela valores sociais, modos de vida e crenças de cada época.
Ela não retrata apenas como as coisas são, mas como podem ser, segundo a visão do artista.

Funções da arte

Interpretar o mundo

Expressar sentimentos e necessidades

Construir identidade cultural

Gerar reflexão crítica

Transformar a realidade

“A arte dá e encontra forma e significado como instrumento de vida na busca do entendimento de quem somos.”


8. Arte, tempo e existência

A arte não progride como a tecnologia — não substitui obras antigas por novas.
Ela se transforma porque nós nos transformamos.

Alberto Caeiro (heterônimo de Pessoa) expressa isso poeticamente:

“Sei ter o pasmo essencial [...].
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo.”

A arte é justamente essa união entre o eterno e o novo. Merleau-Ponty comenta:

“O primeiro desenho nas cavernas fundava uma tradição porque recolhia outra: a da percepção.” (Merleau-Ponty, apud Baeta, 2013)

Assim, a arte acompanha a existência humana e seu fluxo de criação.


9. Arte e Religião

Nos primórdios, não havia separação entre arte, religião, trabalho e vida coletiva.
Rituais de caça, semeadura, cura, morte e celebração envolviam música, dança, pintura corporal e objetos simbólicos.

Chauí explica:

“Semear e colher, caçar e pescar, assim como pintar, esculpir, dançar e cantar surgiram como atividades técnico-religiosas.” (Chauí, 2004).

A arte nasce, portanto, dentro do sagrado e do ritual, expressando a ligação entre humanos, natureza e cosmos.


10. Apreciação estética

Para compreender uma obra, é necessário:

repertório (experiência e conhecimento)

sensibilidade e abertura

imaginação

atenção à intenção do artista

As categorias estéticas ajudam a classificar diferentes experiências: o belo, o feio, o sublime, o trágico, o cômico, o kitsch, o irônico, o grotesco.


11. A arte é universal?

A arte não tem um significado único e eterno.
Uma pintura europeia do século XIX pode não ser compreendida por uma sociedade indígena, cujos valores simbólicos são outros.
A arte depende de contexto cultural, histórico e social.


12. Conclusão: por que a arte importa?

A arte é uma das formas essenciais de expressão humana.
Ela atravessa o tempo, transforma o real, revela mundos possíveis e nos ajuda a compreender quem somos.
Ao criar e apreciar arte, participamos de uma tradição que acompanha a humanidade desde o início — uma tradição que busca sentido, beleza, verdade e transformação.



Bibliografia 


Baeta, A. Merleau-Ponty e a tradição da arte. 2013.

Candido, Antonio. Vários escritos.

Chauí, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2004.

Foucault, Michel. A Coragem da Verdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.

Merleau-Ponty, Maurice. A linguagem indireta e as vozes do silêncio.

Pessoa, Fernando. Poemas Completos de Alberto Caeiro.

Safranski, Rüdiger. Ser Único: Uma filosofia da liberdade.

Prata, V. “Perspectiva Filosófica”, v. 47, n. 1, 2020.




Alguns conceitos

Parresia

Parresia ou Parrhesia, do grego: παρρησία, parrhesia, no contexto filosófico, é a "coragem da verdade" ou o "discurso franco", caracterizado pela ousadia de falar abertamente o que se acredita ser a verdade, assumindo os riscos pessoais dessa fala. Originada na Grécia Antiga e analisada por Michel Foucault, a parresia é uma virtude ética onde o falante (parresiasta) prefere a verdade à bajulação ou ao silêncio seguro, mesmo diante de um poder superior.

Na retórica, parrhesia é a fala franca, falar livremente. Implica não apenas a liberdade de expressão, mas a obrigação de falar a verdade para o bem comum, mesmo com risco pessoal.

O primeiro uso registrado do termo parrhesia é de Eurípides no século V a.C.  Parrhesia significa literalmente "falar tudo" e por extensão "falar livremente", "falar com ousadia" ou ousar dizer a verdade.

Parresia, no contexto filosófico, é a "coragem da verdade" ou o "discurso franco", caracterizado pela ousadia de falar abertamente o que se acredita ser a verdade, assumindo os riscos pessoais dessa fala. Originada na Grécia Antiga e analisada por Michel Foucault, a parresia é uma virtude ética onde o falante (parresiasta) prefere a verdade à bajulação ou ao silêncio seguro, mesmo diante de um poder superior.

Michel Foucault desenvolveu o conceito de parrhesia como um modo de discurso no qual as pessoas expressam suas opiniões e ideias de forma franca e honesta, evitando o uso de manipulação, retórica ou generalizações amplas. A interpretação de parrhesia por Foucault contrasta com o modelo cartesiano contemporâneo que exige evidências irrefutáveis ​​para a verdade. Descartes equiparava a verdade ao indubitável, acreditando que aquilo que não pode ser posto em dúvida deve ser verdadeiro.

Foucault afirmou que o conceito clássico grego de parrhesia se baseava em diversos critérios. Uma pessoa que pratica parrhesia só é reconhecida como tal se possuir uma conexão crível com a verdade. Isso implica agir como um crítico de si mesmo, das opiniões populares ou das normas sociais. O ato de revelar essa verdade expõe o indivíduo a riscos potenciais, contudo, o crítico persiste em se manifestar devido a uma responsabilidade moral, social ou política. Além disso, em contextos públicos, um praticante de parrhesia deve ocupar uma posição social menos privilegiada em comparação com aqueles a quem a verdade está sendo transmitida.

Principais aspectos da Parresia

Risco e Coragem 
Não é apenas dizer a verdade, mas fazê-lo quando isso implica perigo, como desafiar um tirano, governante ou a opinião popular.

Verdadeiro vs. Retórica
Ao contrário da retórica (convencer a qualquer preço), a parresia foca no compromisso ético do falante com a verdade, ligando sua fala ao seu modo de vida.
A "Verdade" de Sócrates
Foucault vê em Sócrates o parresiasta por excelência, que questionava os atenienses e aceitou a morte para não renunciar à sua verdade.

Relação de Poder
Ocorre comumente quando alguém com menos poder (súdito, filósofo) fala com alguém com mais poder (rei, tirano).
A parresia, portanto, não é apenas um estilo de fala, mas uma postura ética que une pensamento, vida e ação corajosa.






DESENHO

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