quarta-feira, 27 de maio de 2026

ARTE E COMUNIÇÃO

ARTE E COMUNICAÇÃO

Plano de Aula: A Arte como Linguagem e Comunicação
Público-alvo: 9º ano do Ensino Fundamental.
Duração: 8 aulas.


Compreender como a humanidade utiliza a arte para transmitir ideias, sentimentos e mensagens políticas através dos tempos.


1. Introdução

O que a arte nos diz? 
A arte nasceu antes da escrita organizada. Desde os tempos em que humanos usavam as cavernas para se abrigar, o ser humano pinta para deixar mensagens, contar histórias e se conectar com o outro. A arte é um canal de comunicação visual que ultrapassa as barreiras da língua falada.

A arte surgiu nos primórdios da humanidade, há cerca de 60000 anos, durante o período Paleolítico. O desenho rupestre mais antigo do mundo tem cerca de 67.800 anos. Trata-se de um contorno em negativo de uma mão humana encontrado em uma caverna na ilha de Sulawesi, na Indonésia. A confirmação da idade foi feita por meio de modernos métodos de datação do material usado para confeccionar o desenho e do substrato onde esta o desenho.

O estêncil desbotado é uma mão em negativo, junto com outras pinturas rupestres espetaculares na ilha de Sulawesi, provavelmente foi feito por humanos que faziam parte de uma população que se espalhou para um continente perdido conhecido como Sahul, que hoje abrange Austrália, Papua-Nova Guiné e partes da Indonésia.

Esses desenhos são feitos com pigmentos ocre. Eles colocaram a mão ali e depois borrifaram pigmento. Não conseguimos dizer qual técnica eles usaram. Eles poderiam ter colocado pigmento na boca e borrifado. Eles poderiam ter usado algum tipo de instrumento", disse Maxime Aubert, arqueólogo e geoquímico da Universidade Griffith, na Austrália.

A tinta ocre das pinturas rupestres era feita a partir de minerais terrosos triturados ricos em óxidos de ferro, como a hematita (para o vermelho) e a goethita (para o amarelo). Esse pó mineral era misturado a um aglutinante natural (como gordura animal, a clara de ovo, e sangue e eventualmente seiva de plantas, óleo vegetal e até saliva) para dar liga e fixar a tinta no substrato rochoso da caverna. 

Estencil de mão, encontradas na caverna de El Castillo, na Espanha. A arte rupestre foi considerada uma das mais antigas do mundo, com 40.800 anos 
(Foto: AFP).

Estencil de mão encontrados na caverna Sumpang Bita, ìndonésia, datado de 39000, indonésia.

Pintura rupestre de um javali, de 54cm, datado de 45.500 anos, pintado na parede da caverna de Leang Tedongnge da ilha de Celebs, Indonésia.(elpais)


Essas primeiras manifestações gráficas humanas ocorreram através das pinturas rupestres, esculturas, e incisões em ossos registrando a necessidade humana de comunicar emoções, rituais e a sua visão de mundo.

2. Linha do tempo da comunicação visual

A) Pré-história: O registro da sobrevivência
Exemplo: Pinturas rupestres na Caverna de Lascaux (França) ou no Parque Nacional da Serra da Capivara (Brasil).
Como comunica: Os povos antigos não tinham papel ou alfabeto. Eles pintavam animais, cenas de caça e rituais nas paredes das cavernas para compartilhar técnicas de sobrevivência e registrar sua existência para as próximas gerações.

B) Idade média: a imagem substitui o livro
Exemplo: Vitrais das catedrais góticas, como a de Notre-Dame, e as esculturas nas igrejas.
Como comunica: Naquela época, a maioria da população não sabia ler. A Igreja Católica utilizava as imagens coloridas dos vitrais e as estátuas para contar as histórias da Bíblia de forma visual. Era o "livro" de quem não sabia ler.

C) Século XX: a arte como protesto e alerta
Exemplo: A pintura Guernica (1937), de Pablo Picasso.
Como comunica: Picasso usou o cubismo, com formas distorcidas, tons de preto, cinza e branco, para gritar ao mundo o horror do bombardeio à cidade de Guernica durante la Guerra Civil Espanhola. A obra não é apenas estética; é um manifesto de indignação contra a violência.

D) Atualidade: a arte urbana e o grafite
Exemplo: As obras do artista britânico Banksy ou dos brasileiros Os Gêmeos.
Como comunica: O grafite utiliza os muros das cidades para fazer críticas sociais diretas sobre política, consumo e desigualdade. A rua vira uma rede social física onde o artista dialoga diretamente com o cidadão comum.


3. ATIVIDADE PRÁTICA 

PROPOSTAS

1. Artivismo (Arte Ativista)
Uso da expressão visual para defender causas sociais, ambientais ou políticas.
Objetivo: Estimular o debate público e provocar mudanças sociais imediatas.
Mecanismo: Cartazes, murais urbanos e performances chocam ou emocionam o espectador.
Exemplo: Intervenções urbanas que alertam sobre as mudanças climáticas globais.


2. Proposta: "Seu muro, sua mensagem".
Tarefa: Em uma folha de papel, os alunos devem criar um desenho rápido no estilo grafite ou lambe-lambe.


3. Design Crítico
Criação de objetos e cenários que contestam o status quo tecnológico e cultural.
Objetivo: Fazer o público questionar hábitos de consumo e futuros possíveis.
Mecanismo: Desenho de produtos fictícios ou provocativos exibidos em galerias.
Exemplo: Exposição de embalagens futuristas de água poluída vendida como luxo.


4. Intervenção Poética Urbana
Uso da palavra e da tipografia para quebrar a monotonia do espaço público.
Objetivo: Provocar reflexões cotidianas nos pedestres através de frases curtas.
Prática: Criar cartazes com mensagens poéticas, questionamentos filosoficos ou microcontos. Use letras garrafais pretas sobre papel jornal colorido para garantir leitura rápida.
Impacto: Transforma muros cinzas em páginas de leitura coletiva e espontânea.


5. Narrativas Visuais Coletivas
Criação de painéis em grande escala por meio do esforço comunitário.
Objetivo: Contar a história de uma comunidade através de imagens sequenciais.
Prática: Realizar oficinas onde os moradores desenham, pintam ou colam fotografias locais. Esses materiais são digitalizados, ampliados em xerox e colados juntos formando um grande mural.
Impacto: Fortalece a identidade local e democratiza o acesso à produção artística.


6. Lambe-Mídia e Ativismo Visual
Uso do formato de cartaz para dar voz a pautas sociais urgentes.
Objetivo: Comunicar dados, denúncias ou campanhas de conscientização sem filtros institucionais.
Prática: Desenvolver artes gráficas de alto contraste com ilustrações marcantes e dados estatísticos simplificados. A colagem é feita em pontos estratégicos de grande circulação de pessoas.
Impacto: Funciona como um veículo de comunicação independente e de contra-narrativa.


7. Remix Gráfico (Colagem Digital e Analógica)
Fusão de estéticas históricas com elementos contemporâneos.
Objetivo: Ressignificar símbolos visuais e explorar a textura do papel.
Prática: Misturar gravuras antigas, recortes de jornais e texturas digitais no computador. Imprimir o resultado em diferentes tipos de papel (sulfite, kraft) e rasgar as bordas manualmente antes da colagem.
Impacto: Cria uma estética híbrida rica que valoriza o erro e a textura na comunicação visual.


8. Lambe-Lambe Interativo (QR Code e Realidade Aumentada)
Conexão direta entre o suporte físico da rua e o ambiente digital.
Objetivo: Expandir a mensagem do cartaz estático para conteúdos multimídia.
Prática: Inserir QR Codes caligrafados ou integrados ao design do lambe-lambe. Ao escanear, o pedestre é direcionado para uma música, um manifesto em áudio, um vídeo ou um filtro de realidade aumentada.
Impacto: Amplia o tempo de engajamento do público e cria uma experiência imersiva de comunicação.




Regras para  

a) A imagem deve transmitir uma mensagem clara sobre um problema atual (ex: respeito às diferenças, o mensagem antirracista, mensagem de paz e contra a guerra, antifascismo). 

b) Não vale usar palavras, apenas símbolos e cores. Se usar palavras use o minimo. 


Dicas

Aprender a receita tradicional da cola de polvilho (grude)
Saber quais os melhores papéis e técnicas de impressão para rua.
Entender as questões legais e de conservação da arte urbana.





4. Conclusão 

A arte é uma ferramenta poderosa de expressão e comunicação. Ao longo da história, ela mudou de suporte, da rocha para o vidro, da tela para o muro da rua, mas o objetivo continua o mesmo: conectar mentes e espelhar a sociedade.






Fonte









ARANHA, Carmen S. G. Arte e Comunicação. São Paulo: Editora Expressão e Arte, 2011.

BARBOSA, Ana Mae. Abordagem Triangular no Ensino das Artes e Culturas Visuais. São Paulo: Cortez, 2010.

GOMBRICH, Ernst H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2009.

SANTAELLA, Lucia. Como ler uma imagem. São Paulo: Paulus, 2012.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

ADINKRA

RESISTÊNCIA EM SÍMBOLOS: 
O LEGADO ADINKRA NAS RUAS DO BRASIL

SÍMBOLOS ADINKRA E SEUS SIGNIFICADOS

“Não quero que a minha casa seja cercada de muros por todos os lados, nem que as minhas janelas sejam tapadas. Quero que as culturas de todas as terras sejam sopradas para dentro da minha casa, o mais livremente possível. Mas recuso-me a ser desapossado da minha por qualquer outra.” (Mahatma Gandhi)

RECONHECER E VALORIZAR OS CONHECIMENTOS AFRICANOS PRESENTES NO BRASIL.

Alguns símbolos Adinkra. Imprima e recorte para o seu zine.
Resistência em Símbolos: O Legado Adinkra nas Ruas do Brasil

Segundo Viana (2018), a sociedade brasileira, de modo geral, e o ambiente escolar, em particular, estão carregados de elementos representativos do multiculturalismo. Relacionado ao ambiente escolar, tal fato pode ser constatado pela observação. Há uma complexa miscigenação de culturas, costumes e etnias entre os alunos, isso porque trazem a bagagem cultural das suas origens e do meio em que vivem.

Sabemos que devemos a renomados filósofos europeus como Hume, Kant e Hegel a ideia de que o continente africano seria a-histórico, parado no tempo e incapaz de produzir conceitos filosóficos. Como nos lembra Adilbênia Freire Machado (2019), os Iluministas buscaram justificar a servidão de negras e negros durante séculos, asseverando a sua inferioridade, “Hegel (...) declarou a África como um papel em branco contra o qual se poderia comparar toda a razão (p. 90)”, silenciando e desconsiderando grandes feitos como a construção das pirâmides que se mantêm ao longo de vários milênios e que “o calendário do Egito Antigo era mais exato que o calendário moderno e os hieróglifos egípcios e seus antecedentes são os primeiros sistemas de escrita” (MACHADO, 2019, p. 91). Além da colonização e extermínio de centenas de etnias indígenas, o racismo supremacista justificou o desterro forçado de milhões de africanas e africanos para as Américas, gerando um sistema brutal de apagamento de tudo que pudesse testemunhar a sua condição humana, produzindo uma política de denegação e deturpação das histórias negras e indígenas milenares. Até hoje
..."a colonialidade do poder reprime os modos de produção de conhecimento, os saberes, o mundo simbólico, as imagens do colonizado e impõe novos. Operam-se então, a naturalização do imaginário do invasor europeu e a própria negação e esquecimento de processos históricos não europeus (...) a repressão de outras formas não europeias de produção de conhecimento que negam o legal intelectual e histórico de povos indígenas e africanos, reduzindo-os, por sua vez, à categoria de primitivos e irracionais, pois pertencem a outra raça" (OLIVEIRA, 2018, p. 47/48). (Petit e Ventura, 2019).

Assim, os Adinkra são ideogramas africanos com os quais convivemos no nosso cotidiano, muitas vezes sem nos aperceber, e uma das formas de escrituras negras que se situam no amplo espectro das tradições orais africanas. Para Adjaottor, Appiah e Nartey, os adinkra são símbolos da ética-estética Akan, e sua espiritualidade tradicional. Mas são também um sistema de comunicação com uma concepção tipicamente Akan de competência comunicativa que envolve a prevalência da expressão não verbal sintética e o valor do verbo preciso contextualizado na circunstância também precisa. (Petit e Ventura, 2019).

A presença e a ressignificação do sistema visual Adinkra no Brasil constituem um campo de estudo fundamental para compreender a resistência cultural da diáspora africana e sua transposição dos povos Akan para o território brasileiro. O povo Akan é um grupo etnolinguístico originário da África Ocidental, residindo principalmente no sul de Gana e em partes do leste da Costa do Marfim. Eles habitam a região costeira do Golfo da Guiné e historicamente migraram para essas áreas por volta dos séculos XI ou XII, provavelmente vindos do norte. Foi com esse povo que veio para o Brasil esse sistema de grafismo em forma de símbolos que representam ditos populares.
Como símbolo de resistência, os Adinkras transcendem a função decorativa, atuando como sínteses de provérbios e valores éticos que, ao serem estampados em gradis, joias ou na pele, constituem uma ferramenta política de reivindicação de uma ancestralidade apagada pela escravidão.
O uso contemporâneo do símbolo Sankofa, por exemplo, exemplifica a valorização do passado como guia para o futuro, consolidando o Adinkra como um código de resistência que transforma a cidade em um museu vivo de filosofia africana.
A literatura acadêmica destaca o papel da "continuidade dinâmica" na manutenção desses grafismos, onde a técnica artesanal negra inseriu a estética africana na estrutura física da sociedade.

Caminhar pelas cidades brasileiras é, muitas vezes, ler um arquivo de memórias que sobrevivem ao silêncio e ao apagamento. Se você observar atentamente os gradis de ferro dos casarões antigos na Bahia e em toda construção do Brasil colônia que sobrevivem hoje, as estampas que colorem as feiras de economia criativa ou as tatuagens que marcam a pele de uma juventude em busca de identidade, encontrará mais do que simples ornamentos. Ali, escondidos em curvas e formas geométricas, pulsam os Adinkra: um sistema de escrita visual milenar do povo Akan, de Gana, que atravessou o Atlântico nos porões dos navios tumbeiros.
Longe de serem apenas "desenhos bonitos", cada símbolo é a síntese de um provérbio ou valor ético. No Brasil, o uso desses grafismos transbordou o território sagrado dos terreiros e museus para se tornar uma ferramenta política e estética. Ao estampar um Sankofa (o pássaro que volta para buscar o passado) em um muro urbano ou em uma joia contemporânea, o povo afro-brasileiro não está apenas decorando o espaço; está reivindicando uma ancestralidade que tentaram apagar. Entender a presença dos Adinkras nas ruas brasileiras e em nossa cultura é decifrar um código de resistência que transforma a cidade em um museu vivo de filosofia africana.

Ao decifrar o Adinkra, reconhece-se que a filosofia africana não ficou restrita ao continente, mas reterritorializou-se e fundamentou as bases da cultura nacional. Essa apropriação por movimentos sociais e pela economia criativa rompe com padrões coloniais e empodera a juventude negra, transformando o espaço urbano em um manifesto contra o racismo estrutural. Portanto, o estudo do sistema Adinkra no Brasil é essencial para a descolonização do olhar e a valorização da identidade nacional.

***
ARTE

Dentre os possíveis e variados conceitos que a arte pode ter podemos sintetizá-los do seguinte modo: a arte é uma experiência humana de conhecimento estético que transmite e expressa ideias e emoções na forma de um objeto artístico (desenho, pintura, escultura, arquitetura etc...) e que possui em si o seu próprio valor. Portanto, para apreciarmos a arte é necessário aprender sobre ela. Aprender a observar, a analisar, a refletir, a criticar e a emitir opiniões fundamentadas sobre gostos, estilos, materiais e modos diferentes de fazer arte. (AZEVEDO JÚNIOR, 2007).


1. Sankofa. Volte e busque! Um símbolo da sabedoria de aprender com o passado para construir o futuro. Do provérbio Akan, "Se wo were firi na wosan kofa a, yenkyiri", que significa "Não é tabu voltar para buscar o que você esqueceu
(ou deixou para trás)".

Embora Gye Nyame seja o símbolo Adinkra mais popular em Gana, Sankofa é o mais popular fora do país, servindo como um símbolo de profundo significado espiritual para muitos afro-americanos e outros africanos na diáspora que desejam se conectar com suas raízes.

Sankofa tem duas representações principais: um pássaro e um coração estilizado. A representação atual é o famoso pássaro Sankofa, um pássaro mítico com a cabeça voltada para trás, segurando um ovo no bico, enquanto parece se mover para frente. Isso representa a importância de extrair lições do passado para guiar o presente e o futuro.


2. Sankofa. Este coração estilizado com espirais é uma representação alternativa do símbolo Sankofa. As espirais representam o retorno ao passado, às raízes, para extrair lições para o presente e o futuro.



3. Gye Nyame. Exceto Deus/ a exceção do deus. Um símbolo que expressa a onipotência e a supremacia de Deus. É provavelmente o símbolo Adinkra mais popular no Gana, refletindo a profunda espiritualidade do seu povo.
O Gye Nyame está presente na nota de maior valor do Gana, a nota de 200 cedis, bem como nos brasões da Universidade de Cape Coast e da Faculdade Universitária Católica.




4. Adinkrahene. Rei dos símbolos Adinkra. Um símbolo de autoridade, liderança e carisma. Também simboliza qualidades associadas a reis. Diz-se que Adinkrahene foi a inspiração para o design dos outros símbolos.

5. Dwennimmen. Chifres de carneiro. Um símbolo de força (mental, física e espiritual), humildade, sabedoria e aprendizado. Este símbolo ocupa lugar de destaque no logotipo da Universidade de Gana, a primeira e maior universidade do país.


6. Funtumfunefu Denkyemfunefu. Crocodilos siameses. Um símbolo de unidade na diversidade que dá um destino comum; compartilhamento; do provérbio, "Funtumfrafu denkyemfrafu, wowo yafunu koro nanso wonya biribi a wofom efiri se aduane no de no yete no wo menetwitwie mu", a saber, Funtumfrafu e Denkyemfrafu compartilham um estômago, mas quando conseguem algo (comida), eles se esforçam por isso porque a doçura da comida é sentida quando ela passa pela garganta.
“Um crocodilo mítico Ganense que possui duas cabeças e um o estômago” Símbolo da unidade na diversidade, da democracia ou da unidade das familias, apesar das diferenças e das diversidades culturais. Este símbolo popular é um lembrar que a luta interna é prejudicial a todos os que se empenham nela.


7. Nkyinkyim. Torção. Um símbolo que representa a natureza tortuosa da jornada da vida e, também, a resistência, a versatilidade e o dinamismo necessários para prosperar nela. Willis observa que também é um símbolo de dedicação ao serviço.


8. Odo Nnyew Fie Kwan (Odo nyera Fie Kwan). O amor não se perde no caminho de casa. Aqueles que são guiados pelo amor sempre acabam no lugar certo.


9. Denkyem. Crocodilo. Um símbolo de adaptabilidade e inteligência.


10. Nea Onnim. Aquele que não sabe; como diz o provérbio, "Quem não sabe aprende, e passa a saber". É um símbolo de conhecimento, educação ao longo da vida e busca contínua pelo saber.


11. Nsoromma. Estrela (literalmente, "filha dos céus"). Um símbolo de fé e da crença na proteção e dependência de um ser supremo.


12. Aban. Fortaleza (ou castelo). Um símbolo de força, sede do poder, autoridade e magnificência.


13. Abe Dua. Palmeira. Um símbolo de riqueza, engenhosidade e autossuficiência.


14. Morada Santann. Totalidade do universo ou a vasta extensão da criação. Um símbolo da totalidade do universo – criação natural e social. Da expressão, "Morada santann yi firi tete, firi Odomankoma; Odomankoma boo adee; oboo awia, osrane ne nsoromma, oboo nsuo ne mframa; oboo nkwa, oboo nipa, na oboo owuo. Ote saa daa", a saber, "Este panorama da criação é desde tempos imemoriais, de Deus; Deus criou as coisas; ele criou o sol, a lua e os começos, ele criou a água e o vento; ele criou a vida, ele criou os seres humanos, e ele criou a morte.” De acordo com Arthur, o símbolo incorpora o olho, os raios do sol, a lua crescente dupla e o banquinho. O sol, a lua e o olho representam a criação natural por um ser supremo, enquanto o banquinho representa as instituições criadas socialmente e a criatividade dos seres humanos.


15. Abusua Pa. Uma boa família. Um símbolo de união familiar, laços de parentesco e apoio mútuo. Da expressão "Abusua pa mu na adoye ne koroye wo", que significa "É em uma boa família que encontramos amor e união".

16. Adwo. Calma. Um símbolo de paz, tranquilidade e silêncio.


17. Agyin Dawuru. Gongo de Agyin. Um símbolo de fidelidade, vigilância e cumprimento do dever. Concebido para comemorar a fidelidade de um certo Agyin, que foi um servo dedicado e tocador de gongo do Asantehene.



18. Akoben. Trombeta de guerra. Um símbolo de um chamado à ação, da prontidão para ser chamado à ação, da preparação e do voluntariado.


19. Akofena. Uma espada de guerra (ou as espadas cerimoniais do Estado). Um símbolo da autoridade estatal, da legalidade, da autoridade legitimada de um governante, do reconhecimento da bravura e dos feitos heroicos. O brasão de armas do Gana exibe uma dessas espadas cerimoniais cruzada com um bastão de linguista no quadrante superior esquerdo.


20. Akoko Nan. O pé de uma galinha. Um símbolo de disciplina aliada ao cuidado e à nutrição; do provérbio Akan, "Akoko nan tia ba na enkum ba", literalmente, "O pé de uma galinha pisa no pintinho, mas não o mata".


21. Akoma Ntoaso. União de corações. Um símbolo de acordo, união e unidade, ou uma carta magna. Uma ampliação do conceito de Akoma.


22. Akoma. Coração. Um símbolo de amor, boa vontade, paciência, fidelidade, carinho, perseverança e constância.




23. Ananse Ntentan (Ananse Ntontan). Teia de aranha. Um símbolo de sabedoria, astúcia, criatividade e das complexidades da vida. É a teia de Ananse, a aranha astuta que ocupa um lugar de destaque no folclore africano.

24. Ani Bere A Enso Gya. Não importa o quão vermelhos fiquem os olhos (ou seja, o quão sério alguém fique), seus olhos não soltam chamas. Um símbolo de paciência, autocontrole, autodisciplina e autossuficiência.


25. Anyi Me Aye A. Se você não me elogiar. Um símbolo de ingratidão, falta de reconhecimento e grosseria. Da expressão "Anyi me aye a, nsee me din", que significa "Se você não me elogiar, não manche meu nome (isto é, não prejudique minha integridade)".


26. Aponkyrene Wu A. Quando um sapo morre. Um símbolo de significado, valor e importância. Do provérbio "Aponkyerene wu a na yehunu ne tenten", que significa "É quando um sapo morre que vemos seu verdadeiro comprimento". Isso remete à tendência de subestimar ou não apreciar pessoas ou coisas até que as percamos.


27. Asaawa. Baga doce ou baga milagrosa. Um símbolo de doçura, sabor doce, prazer e hedonismo. Do provérbio "Asaawa se: Ode nka anomu", que significa "A doçura não permanece na boca para sempre".


28. Asase Ye Duru. A terra tem peso. Um símbolo da providência e da divindade da Mãe Terra.


29. Asetena Pa. Boa vida. Um símbolo de gastos ostensivos, indulgência, riqueza e classe social elevada. Do ditado "Asetena pa ye awerefire", que significa "Boa vida é esquecimento (isto é, boa vida faz com que a pessoa esqueça suas origens humildes)".


30. Ava. Samambaia. Um símbolo de resistência, independência, desafio às dificuldades, robustez, perseverança e engenhosidade.


31. Bese Saka. Um cacho de nozes de cola. Um símbolo de riqueza, poder, abundância e fartura. Também um símbolo de união e solidariedade.


32. Bi Nka Bi. Que ninguém morda o outro. Um símbolo de justiça, jogo limpo, liberdade, paz, perdão, união, harmonia e da prevenção de conflitos ou discórdias.


33. Boa Me Na Me Mmoa Wo. Ajude-me e deixe-me ajudá-lo. Um símbolo de cooperação e interdependência. Do aforismo "Boa me na me mmoa wo", que significa "Ajude-me e deixe-me ajudá-lo" ou "Benkum dware nifa na nifa nso adware benkum", que significa "A esquerda lava a direita e a direita lava a esquerda".


34.Boafo Ye Na. A raridade de um ajudante disposto. É um símbolo de apoio, proteção, cooperação e trabalho em equipe. "Boafo ye na", a expressão popular Akan associada a esse símbolo, significa literalmente "Ajudantes são raros" ou "Pessoas prestativas são raras".


35. Dama Dama. Quadriculado. Um símbolo de astúcia, inteligência e estratégia.


36. Dono Ntoaso. O tambor duplo, símbolo de tensão unida, representa ação conjunta, atenção, boa vontade, louvor, alegria e destreza.


37. Dono. O tambor falante da tensão. Um símbolo de reconhecimento, louvor, boa vontade e ritmo.


38. Duafe. Pente de madeira. Um símbolo de consideração feminina ou de boas qualidades femininas, como paciência, prudência, carinho, amor e cuidado.


39. Dwantire. Cabeça de carneiro. Um símbolo de inocência e ausência de culpa. Do provérbio "Dwantire se: Me tiri mu faa; okwasea bobonya menni fo nti na mabo hyire", que significa: "A cabeça do carneiro diz: Minha consciência está livre; o tolo justo que nunca sente culpa não deve se vestir de preto, portanto, estou sempre de branco". A ideia aqui é que o inocente não teme nenhuma acusação.


40. Eban. Cerca. Um símbolo de segurança, proteção e amor.


41. Epa. Algemas. Um símbolo da lei e da justiça.


42. Ese ne Tekrena. Dentes e língua. Um símbolo de aprimoramento, progresso, crescimento, necessidade de amizade e interdependência.


43. Esono Anantam. Pegada de elefante. Um símbolo de liderança, proteção, poder e segurança. Do aforismo "Wodi esono akyi a, hasuo nka wo", que significa "Quando você segue o elefante, você não é tocado pelo orvalho nos arbustos".


44. Fafanto, Fawohodie. Borboleta. Um símbolo de ternura, delicadeza, honestidade e fragilidade.


45. Fawohodie. Liberdade ou independência. Um símbolo de liberdade, independência, emancipação, autodeterminação e autogoverno. Do provérbio "Fawohodie ne obre na enam", literalmente, "A liberdade caminha com o sofrimento", ou seja, "A liberdade ou a independência vêm com responsabilidades".


46. Fihankra, Fiankre. Uma casa cercada ou protegida. Um símbolo de irmandade, segurança, proteção, plenitude e solidariedade.


47. Fofo. Uma planta com flor (Bidens pilosa, picão preto). Um símbolo de advertência contra o ciúme e a cobiça.


48. Gyawu Atiko. A parte de trás da cabeça de Gyawu. Um símbolo de valor e bravura. Usado como sinônimo do símbolo Kwataye Atiko.


49. Hwehwemudua. Régua ou haste de medição (vareta de investigação). Símbolo de excelência, qualidade superior, perfeição, conhecimento e análise crítica.


50. Hyw Wo Nhye (Hye Anhye). Queime, você não queimará (fig. incombustível). Um símbolo de resistência e imperecibilidade; também um símbolo de permanência.


51. Kete Pa. Uma boa cama. Um símbolo de um bom casamento, de um casamento bem-sucedido e de bons cuidados. Da expressão "Obaa ko aware pa a na yede no to kete pa so", que significa "É quando uma mulher entra em um bom casamento que ela é colocada em uma boa cama".


52. Kokuromotie. Polegar. Um símbolo de cooperação, participação, trabalho em equipe, indispensabilidade e harmonia. Do provérbio "Yensiane kokuromotie ho mmo po", que significa "Não se dispensa o polegar para dar um nó". Qualquer pessoa que tente dar um nó sem usar os polegares compreende rapidamente o significado deste provérbio.


53. Kramo Bone Amma Yeanhu Kramo Pa. O mau muçulmano dificulta o reconhecimento do bom. Um símbolo de advertência contra o engano e a hipocrisia.


54. Krapa (Musuyedee). Krapa significa "boa alma", enquanto Musuyidea significa "algo para remover a impureza ou o mal". É um símbolo de equilíbrio espiritual, boa sorte, fortuna, santidade, força espiritual e retidão de espírito.


55. Kuronti ne Akwamu. Kuronti e Akwamu. Um símbolo de democracia, troca de ideias, deliberação.


56. Kwatakye Atiko. A parte de trás da cabeça de Kwatakye. Um símbolo de valor e bravura. Este símbolo também é chamado de Gyawu Atiko. Diz-se que era um penteado de Kwatakye, um capitão de guerra do antigo Império Ashanti.


57. Kyemfere. Caco de cerâmica. Um símbolo de conhecimento, experiência, serviço, lembrança, antiguidade, raridade e herança. Do provérbio: "Kyemfere se odaa ho akye, na onipa a onwenee no nso nye den?", que significa: "O caco de cerâmica alega ser antigo; e o oleiro que o moldou?"


58. Mako. Pimentas. Um símbolo de desigualdade e desenvolvimento desigual; vem do provérbio "Nem todas as pimentas da mesma planta amadurecem ao mesmo tempo".


59. Mate Masie. Ouvi dizer e guardei. Um símbolo de sabedoria, conhecimento e prudência. Do ditado "Nyansa bon mu ne mate masie", que significa "A essência da sabedoria é 'Ouvi dizer e guardei'".


60. Mekyea Wo. Eu te saúdo. Um símbolo de cumprimentos, reconhecimento e respeito. Quando dois Akans se encontram, primeiro se cumprimentam antes de qualquer outra coisa. Cumprimentam-se não apenas para trocar gentilezas, mas porque cumprimentar é reconhecer um semelhante.


61. Menso Wo Kenten. Eu não estou carregando sua cesta. Um símbolo de trabalho árduo, autossuficiência e autodeterminação econômica.


62. Mframadan. Casa bem ventilada. Um símbolo de resiliência e prontidão para enfrentar as vicissitudes da vida.


63. Mmeramubere. Cruz feminina. Símbolo de calor, luz solar e vitalidade.


64. Mmeramutene. Cruz masculina. Símbolo da luz do sol, do calor, da resistência e da retidão.


65. Mmere Dane. O tempo muda (os tempos mudam). Um símbolo da transitoriedade dos bons tempos.


66. Mpatapo. Nó de pacificação. Um símbolo de pacificação, perdão e reconciliação.


67. Mpuannum. Cinco tufos (de cabelo). Um símbolo de lealdade e ofício sacerdotal.


68. Nea Ope Se Obedi Hene. Aquele que quer ser rei. Um símbolo das qualidades de um líder, serviço e habilidades de liderança. Da expressão "Nea ope se obedi hene daakye no firi asee sua som ansa", que significa "Aquele que quer ser rei no futuro começa aprendendo a servir".


69. Nea Oretwa Sa. O abridor de caminhos. Um símbolo para problemas de liderança, pioneirismo e a necessidade de um líder acatar conselhos.
"Nea oretwa sa" significa literalmente "aquele que está pavimentando um caminho". O nome do símbolo deriva do provérbio Akan, "Nea oretwa sa nnim se n'akyi akyea", que significa "Aquele que está pavimentando um caminho não sabe que ele é curvo ou tortuoso atrás dele". A imagem é a de alguém limpando um arbusto para abrir uma trilha. As manobras pelo terreno irregular invariavelmente levam a um caminho que não é reto, um fato óbvio para os observadores, embora o próprio abridor de caminhos possa estar alheio a isso enquanto realiza sua tarefa com afinco.


70. Nkonsonkonson. Corrente. Um símbolo de união, de comunidade.



71. Nkotimsefo Mpua. O penteado dos assistentes da corte. Um símbolo de lealdade e prontidão para servir.


72. Nkrabea. Destino. Um símbolo de destino, determinismo, distribuição desigual de talentos e desigualdade. Do aforismo "Esono onipa biara ne ne nkrabea" ou "Onyame nkrabea mu nni kwatibea", que se traduzem literalmente como "Cada um tem seu próprio destino distinto" e "O destino de Deus não pode ser contornado", respectivamente.


73. Nkyemu (Nkyimu). As divisões cruzadas feitas no tecido Adinkra antes da estampagem dos símbolos são um símbolo de destreza, precisão e artesanato de qualidade.


74. Nnamfo Pa Baanu. Dois bons amigos. Um símbolo de amizade, companheirismo e camaradagem. Do aforismo "Hu m'ani so ma me nti na atwe mmienu nam" (literalmente, "É por causa de 'soprar a poeira dos meus olhos' que dois cervos caminham juntos") ou "Adwen yedwen no baanu" (literalmente, "Pensar se faz em pares"). Também, "Ayonkofoo baanu goro obaa koro ho a, ntotoee ba" (literalmente, "Quando dois amigos brincam com uma mulher, isso traz mal-entendidos").


75. Nsaa Um tipo de tecido trançado, reconhecido pela sua qualidade. Um símbolo de excelência, autenticidade e genuinidade.


76. Nserewa. Búzios. Um símbolo de opulência e riqueza. Também um símbolo de sacralidade quando usados por sacerdotes. Os búzios eram tradicionalmente usados como moeda em partes da África Ocidental antes da era colonial. De fato, a forma anglicizada da palavra Twi para "búzio" — "sedee" — foi o nome adotado para a moeda nacional quando o país deixou de usar a libra ganense após a independência.


77. Nteasee. Compreensão. Um símbolo de compreensão e cooperação.


78. Nyame Baatanpa (Awurada Baatnfo). Deus, o bom pai. Um símbolo do cuidado e da proteção de Deus por toda a sua criação.


79. Nyame Biribi Wo Soro. Deus, há algo nos céus. Da frase: "Deus, há algo lá em cima (nos céus); que venha até mim." Um símbolo de esperança e inspiração.


80. Nyame Dua. Árvore de Deus (tronco sagrado). Um símbolo da presença e proteção de Deus.


81. Nyame Nti. Pela graça de Deus. Mais literalmente, "Por causa de Deus". Um símbolo de fé e confiança em Deus. O provérbio associado a este símbolo é "Nyame nti, menwe wura", que significa "Por causa de Deus (pela graça de Deus), não me alimentarei de folhas (como um animal)".


82. Nyame Nwu Na Mawu. Deus não morrerá para que eu morra; um símbolo que expressa a imortalidade da alma humana.


83. Nyansapo. Nó da sabedoria. Um símbolo de sabedoria, engenhosidade, inteligência e paciência. O provérbio associado a este Adinkra é "Nyansapo wosane no badwenma", que significa "Um nó da sabedoria só é desatado pelos sábios". A Universidade de Ciência e Tecnologia Kwame Nkrumah (KNUST) utiliza o Nyansapo em seu logotipo e o provérbio associado como seu lema.


84. Obohemaa. Diamante. Obohemaa significa literalmente "rainha das pedras" e, neste caso, representa um diamante. É um símbolo de preciosidade, gema e tesouro. Vem do provérbio "Wo de wo sika to aboo a, wowe", que significa "Se você usa seu dinheiro para comprar pedras (não preciosas), você as come".


85. Ohene Aniwa. Os olhos do rei. Um símbolo de vigilância, visão de futuro, inteligência, proteção, segurança, defesa, autoridade e poder. Do aforismo "Ohene aniwa twa ne ho hyia", que significa "Os olhos do rei o cercam", ou seja, "O rei vê tudo".


86. Okodee Mmowere. As garras de uma águia. Um símbolo de força, bravura e poder. Esses atributos derivam do caráter e das características da águia.


87. Okuafo Pa. Bom agricultor. Um símbolo de diligência, trabalho árduo e empreendedorismo.


88. Osram ne Nsoromma. Lua e estrela. Um símbolo de fidelidade, carinho, harmonia, benevolência, amor, lealdade e feminilidade.


89. Owo Foro Adobe. Uma serpente sobe por uma palmeira de ráfia. Um símbolo de engenhosidade, excelência, feitos extraordinários e da realização do incomum ou impossível.


90. Owuo Atwedee. Escada da morte. Um símbolo da certeza e universalidade da morte.


91. Pempamsie. Costurar com prontidão. Um símbolo de previsão, prontidão, firmeza, resistência, valor e destemor.


92. Sepow. Faca de carrasco. Um símbolo da justiça.


93. Sesa Wo Suban. Mude seu caráter. Um símbolo de advertência contra a arrogância, a falta de educação e o comportamento desonroso.


94. Som Onyankopon. Adorar a Deus. Um símbolo de devoção e adoração. Da expressão "Som Onyankopon", que significa literalmente "Adorar a Deus".


95. Sunsum (Ntoro). Alma. Um símbolo de pureza espiritual e limpeza da alma. Os Akans acreditam que esta é a parte de Deus, o criador, que é transmitida a uma pessoa através de seu pai. A mãe de uma pessoa não pode transmitir sunsum (alma) para o filho. Em vez disso, ela transfere seu mogya (sangue) para ele.


96. Tabono. Remo ou pá. Um símbolo de força, confiança e persistência. Esses atributos derivam das qualidades exigidas de quem rema um barco.


97.Tanfo Bebre. O inimigo sofrerá; o inimigo se afundará em sua própria amargura. Um símbolo de má vontade, ciúme e inveja.


98. UAC Nkanea. Luzes UAC. Um símbolo de avanço tecnológico.


99. Wawa Aba. Semente da árvore wawa. Um símbolo de resistência, força e perseverança.


100. Wo Nsa Da Mu A. Quando suas mãos estão dentro (do prato). Um símbolo de governo participativo, democracia e pluralismo. Do aforismo "Wo nsa da mu a, wonni nnya wo", que significa "Quando suas mãos estão dentro do prato, as pessoas não comem tudo e não deixam nada para você".


101. Woforo Dua Pa A. Quando você sobe em uma boa árvore. Um símbolo de apoio a boas causas.


Símbolos Adinkra (mid)


1 - ADINKRAHENE É o chefe dos símbolos adinkra. Simboliza a liderança, o carisma e a grandiosidade.
2 - NYAME NTI Pela graça de Deus. Simboliza a fé e a confiança em deus.
3 - NSOROMMA Criança do Céu (estrelas) Símbolo da Guarda Um lembrete que o deus é o pai e zela por todos os povos.
4 - Duas cabeças pensam melhor do que uma.
5 - OSRANE NE NSOROMA (lua e estrela). Um símbolo de fidelidade. Sinceridade. 6 - NEA ONNIM NÃO A SUA, OHU "Quem não sabe pode aprender" Símbolo do conhecimento, a educação ao longo da vida e a busca contínua pelo conhecimento.
7 - SANKOFA "voltar e buscá-la". Símbolo da importância de aprender com o passado.
8 - AYA, representa força e quando vencemos desafios. Esse desenho mostra uma semente que, mesmo com todas as dificuldades, consegue gerar uma planta forte. 9 - DENKYEM "crocodilo". Símbolo da capacidade de adaptação. O crocodilo vive na água, ainda respira o ar, demonstrando uma adaptação às circunstâncias.
10 - ANANSE NTONTAN representa a teia da aranha. Simboliza a sabedoria, complexidade da vida.
11 - NKYINKIM, iniciativa, dinamismo e versatilidade.
12 - BI DO BI INKA Ninguém deve morder os outros. Simboliza a paz e harmonia. 13 - DWENNIMMEN "Entendimento". Símbolo de humildade, juntamente com a força.
14 - WAWA ABA "semente da árvore wawa". Símbolo da rusticidade, resistência e perseverança. A semente da árvore wawa é extremamente difícil. Que inspira o indivíduo a perseverar através das dificuldades.
15 - ESE NE TEKREMA "os dentes e a língua". Símbolo de amizade e de interdependência. Os dentes e a língua desempenham papéis interdependentes na boca. Eles podem entrar em conflito, mas eles precisam trabalhar juntos.
16 - AKOFENA "espada de guerra". Coragem, bravura e heroísmo. Além de reconhecer a coragem e bravura, as espadas podem representar a autoridade do Estado legítimo.
17 - NYANSAPO: símbolo da sabedoria, engenhosidade, inteligência e paciência. 18 - ODO NNYEW FIE KWAN: "O amor nunca perde o seu caminho para casa". Símbolo do poder do amor.
19 - AKOKO NAN "O pé de uma galinha". Símbolo de carinho e disciplina. O nome completo deste símbolo traduz em "A galinha pisa em seus pintinhos, mas ela não os mata."
20 - FUNTINFUNEFU-DENKYEMFUNEFU, são crocodilos siameses, simbolizando unidade. União independente das diferenças culturais e democracia.
21 - OWO FORO ADOBE "cobra escalando a árvore de ráfia". Símbolo de firmeza, prudência e diligência.
22 - "SANKOFA" significa "volte e pegue o que importa". Quer dizer que é importante para todos voltar ao passado para aprender lições que a vida nos deu, a fim de usá-las com sabedoria no presente.
23 - NYAME BIRIBI WO SORO "Deus está no céu". Simboliza a esperança.
24 - MMERE DANE "mudanças de tempo". Símbolo da dinâmica da vida, mudança da vida.
25 - DAME-DAME Nome de um jogo de tabuleiro. Símbolo da inteligência e engenhosidade.
26 - AKOMA NTOSO "Corações Ligados". Simboliza a compreensão e o acordo.
27 - GYE NYAME "exceto para Deus". Símbolo da supremacia de Deus. O mais popular para uso em decoração.
28 - DUAFE "pente de madeira". Símbolo do desejável. Qualidades femininas símbolo de beleza e limpeza.
29 - NKONSONKONSON "elo da cadeia". Símbolo da unidade e as relações humanas. Um lembrete para contribuir com a comunidade, que na unidade se encontra a força.
30 - KWATAKYE ATIKO "estilo de cabelo de uma guerra. Asante capitão". Símbolo de bravura e coragem. Estilo do cabelo de um capitão de guerra da antiga Asante. 31 - MPATAPO "nó de pacificação / reconciliação". Símbolo da paz, reconciliação e pacificação após a contenda.
32 - AKOMA "coração". Símbolo de paciência e tolerância. De acordo com Agbo, quando uma pessoa é dito que "ter um coração na barriga", essa pessoa é muito tolerante.
33 - MPUANNUM "cinco tufos" (de cabelo). Símbolo da função sacerdotal, lealdade e habilidade. É o penteado tradicional das sacerdotisas, representa a alegria.
34 - MMUSUYIDEE "o que remove a má sorte". Símbolo da boa fortuna e santidade.
35 - NYAME NNWU NA MAWU "Deus nunca morre, portanto não posso morrer". Símbolo da onipresença de Deus e a existência perpétua do espírito do homem. 36 - EBAN "cerca" símbolo de segurança, amor e segurança. Uma casa que tem uma cerca em torno dela é considerado uma residência ideal. A cerca simbolicamente separa e protege a família do lado de fora.
37 - NYAME DUA "árvore de Deus" - altar. Símbolo da presença de Deus e da proteção.
38 - TAMFO BEBRE "o inimigo vai ensopado em seu próprio suco". Símbolo de ciúme e inveja.
39 - HWE MU DUA Símbolo de exame e controle de qualidade. Este símbolo sublinha a necessidade de lutar pela melhor qualidade, seja na produção de bens ou em esforços humanos.
40 - MATE MASIE "O que eu ouço, eu continuo". Símbolo do conhecimento, sabedoria e prudência. O significado implícito da frase "mate Masie" é "eu entendo". Entendimento significa sabedoria e conhecimento, mas representa também a prudência de se levar em consideração o que outra pessoa disse.
41 - EPA "algemas". Símbolo da lei e, a justiça, escravidão e cativeiro. "O símbolo lembra agressores da natureza intransigente da lei. Desencoraja, no entanto, todas as formas de escravidão".
42 - KUNTINKANTAN (não possuem). Há necessidade de humildade e servidão. Falta de humildade.
43 - ASASE YE DURU "a Terra tem peso". Símbolo da providência e a divindade da Mãe Terra. Este símbolo representa a importância da Terra para sustentar a vida. 44 - OSRAM NE NSOROMMA "A Lua e a Estrela". Símbolo do amor, fidelidade, harmonia. Este símbolo reflete a harmonia que existe na ligação entre um homem e uma mulher.
45 - PEMPAMSIE "costurar em prontidão". Símbolo de constância, prontidão, resistência.
46 - NEA OPE SE obediência "quem quer ser rei". Símbolo de serviço e liderança. "Aquele que quer ser rei no futuro deve primeiro aprender a servir."
47 - BESE SAKA "saco de nozes de cola". Símbolo de riqueza, poder, abundância, muita união e unidade.
48 - BOA ME NA ME MMOA WO "Ajude-me e deixe-me ajudá-lo". Símbolo de cooperação e interdependência.






CARIMBOS ADINKRA

Adinkra é um conjunto de símbolos (ideogramas) pertencente ao povo Ashanti (ou Asante), que atualmente habitam principalmente os países de Gana, Burkina Faso e Togo. Estes símbolos tradicionalmente circulam estampados em tecidos, esculpidos em pesos de ouro e entalhados em peças de madeira, estando presentes em várias partes do mundo em consequência das diásporas africanas. São mais de oitenta símbolos que representam e transmitem valores dessas populações, dentre os quais se destaca Sankofa, representação de um pássaro que olha para trás, remetendo ao princípio de aprender com o passado para construir o futuro. Na atualidade é possível identificar a presença dos adinkras na obra de artistas contemporâneos, como Owusu-Ankomah (Gana), Rommulo Conceição, Rubem Valentim e Abdias Nascimento (Brasil), bem como na arquitetura. A Oficina de Carimbos Adinkras se apresenta como ferramenta de valorização dessa tradição ao promover o acesso a essa importante forma de comunicação gráfica africana, tecnologia constantemente negada na visão eurocêntrica. Também por isso, propõe-se que a oficina aconteça como parte das atividades em comemoração ao Mês da Consciência Negra (novembro).
Os participantes irão confeccionar carimbos a partir de moldes de alguns símbolos
adinkras e conhecer parte da história desta tradição gráfica. A oficina também se propõe a realizar uma introdução às técnicas de impressão com materiais acessíveis e de fácil manuseio, como placas de MDF e EVA, tesouras sem ponta e tinta acrílica, facilitando a participação de diversos públicos, incluindo crianças e adolescentes.
Objetivos
Valorizar a tradição dos símbolos Adinkra, apresentando sua história e seus usos presentes no cotidiano; Confeccionar carimbos com símbolos Adinkra com materiais acessíveis e ferramentas de fácil manuseio; Promover a introdução dos participantes nas técnicas de arte impressa.

METODOLOGIA

● Acolhimento e apresentação dos participantes;
● Introdução à arte impressa e à simbologia Adinkra e suas representações na
atualidade;
● Confecção dos carimbos com materiais acessíveis e de fácil manuseio como EVA
em plaquinhas de MDF;
● Impressão com uso dos carimbos fabricados pelos participantes sobre papel
canson e tecido (retalhos ou “painel” de algodão cru”); Os participantes poderão
levar os carimbos confeccionados por cada um deles, bom como as impressões;
● Durante a secagem das impressões, conversa sobre o processo, resultados e
aprendizagens;
● Agradecimentos e preenchimento das avaliações.

MATERIAIS E EQUIPAMENTOS

● Placas de MDF 5mm(10cm x 10cm )
● Folhas de EVA (cores sortidas)
● Cola de alta aderência (Sugestão: cola de isopor ou cola extra PVA)
● Papel Canson A3 (180 gramas)
● Papel Vegetal A4
● Tecido algodão cru
● Tinta acrílica (cores sortidas)
● Bandejas de isopor

● Rolos de espuma (10cm)
● Tesouras sem ponta
● Estiletes (uso somente pelo Educador



Fonte



















Petit. Sandra Haydée e Ventura. Wagner Maycron. PARANGADINKRA: POTENCIALIDADES PRETAGÓGICAS, ENSINAMENTOS E FILOSOFIAS DE TRÊS ADINKRAS DO POVO AKAN EM GANA. Revista da ABPN • v. 12, n. 31 • dez 2019 – fev 2020, p. 189-217.

OS ADINKRAS: IDEOGRAMAS DAS TRIBOS AFRICANAS Carlos Luiz Pereira de Cerqueira UEFS e Marise de Santana, UESB.






























ARTE E COMUNIÇÃO

ARTE E COMUNICAÇÃO Plano de Aula: A Arte como Linguagem e Comunicação Público-alvo: 9º ano do Ensino Fundamental. Duração: 8 aulas. Compr...