quarta-feira, 27 de maio de 2026

ARTE E COMUNIÇÃO

ARTE E COMUNICAÇÃO

Plano de Aula: A Arte como Linguagem e Comunicação
Público-alvo: 9º ano do Ensino Fundamental.
Duração: 8 aulas.


Compreender como a humanidade utiliza a arte para transmitir ideias, sentimentos e mensagens políticas através dos tempos.


1. Introdução

O que a arte nos diz? 
A arte nasceu antes da escrita organizada. Desde os tempos em que humanos usavam as cavernas para se abrigar, o ser humano pinta para deixar mensagens, contar histórias e se conectar com o outro. A arte é um canal de comunicação visual que ultrapassa as barreiras da língua falada.

A arte surgiu nos primórdios da humanidade, há cerca de 60000 anos, durante o período Paleolítico. O desenho rupestre mais antigo do mundo tem cerca de 67.800 anos. Trata-se de um contorno em negativo de uma mão humana encontrado em uma caverna na ilha de Sulawesi, na Indonésia. A confirmação da idade foi feita por meio de modernos métodos de datação do material usado para confeccionar o desenho e do substrato onde esta o desenho.

O estêncil desbotado é uma mão em negativo, junto com outras pinturas rupestres espetaculares na ilha de Sulawesi, provavelmente foi feito por humanos que faziam parte de uma população que se espalhou para um continente perdido conhecido como Sahul, que hoje abrange Austrália, Papua-Nova Guiné e partes da Indonésia.

Esses desenhos são feitos com pigmentos ocre. Eles colocaram a mão ali e depois borrifaram pigmento. Não conseguimos dizer qual técnica eles usaram. Eles poderiam ter colocado pigmento na boca e borrifado. Eles poderiam ter usado algum tipo de instrumento", disse Maxime Aubert, arqueólogo e geoquímico da Universidade Griffith, na Austrália.

A tinta ocre das pinturas rupestres era feita a partir de minerais terrosos triturados ricos em óxidos de ferro, como a hematita (para o vermelho) e a goethita (para o amarelo). Esse pó mineral era misturado a um aglutinante natural (como gordura animal, a clara de ovo, e sangue e eventualmente seiva de plantas, óleo vegetal e até saliva) para dar liga e fixar a tinta no substrato rochoso da caverna. 

Estencil de mão, encontradas na caverna de El Castillo, na Espanha. A arte rupestre foi considerada uma das mais antigas do mundo, com 40.800 anos 
(Foto: AFP).

Estencil de mão encontrados na caverna Sumpang Bita, ìndonésia, datado de 39000, indonésia.

Pintura rupestre de um javali, de 54cm, datado de 45.500 anos, pintado na parede da caverna de Leang Tedongnge da ilha de Celebs, Indonésia.(elpais)


Essas primeiras manifestações gráficas humanas ocorreram através das pinturas rupestres, esculturas, e incisões em ossos registrando a necessidade humana de comunicar emoções, rituais e a sua visão de mundo.

2. Linha do tempo da comunicação visual

A) Pré-história: O registro da sobrevivência
Exemplo: Pinturas rupestres na Caverna de Lascaux (França) ou no Parque Nacional da Serra da Capivara (Brasil).
Como comunica: Os povos antigos não tinham papel ou alfabeto. Eles pintavam animais, cenas de caça e rituais nas paredes das cavernas para compartilhar técnicas de sobrevivência e registrar sua existência para as próximas gerações.

B) Idade média: a imagem substitui o livro
Exemplo: Vitrais das catedrais góticas, como a de Notre-Dame, e as esculturas nas igrejas.
Como comunica: Naquela época, a maioria da população não sabia ler. A Igreja Católica utilizava as imagens coloridas dos vitrais e as estátuas para contar as histórias da Bíblia de forma visual. Era o "livro" de quem não sabia ler.

C) Século XX: a arte como protesto e alerta
Exemplo: A pintura Guernica (1937), de Pablo Picasso.
Como comunica: Picasso usou o cubismo, com formas distorcidas, tons de preto, cinza e branco, para gritar ao mundo o horror do bombardeio à cidade de Guernica durante la Guerra Civil Espanhola. A obra não é apenas estética; é um manifesto de indignação contra a violência.

D) Atualidade: a arte urbana e o grafite
Exemplo: As obras do artista britânico Banksy ou dos brasileiros Os Gêmeos.
Como comunica: O grafite utiliza os muros das cidades para fazer críticas sociais diretas sobre política, consumo e desigualdade. A rua vira uma rede social física onde o artista dialoga diretamente com o cidadão comum.


3. ATIVIDADE PRÁTICA 

PROPOSTAS

1. Artivismo (Arte Ativista)
Uso da expressão visual para defender causas sociais, ambientais ou políticas.
Objetivo: Estimular o debate público e provocar mudanças sociais imediatas.
Mecanismo: Cartazes, murais urbanos e performances chocam ou emocionam o espectador.
Exemplo: Intervenções urbanas que alertam sobre as mudanças climáticas globais.


2. Proposta: "Seu muro, sua mensagem".
Tarefa: Em uma folha de papel, os alunos devem criar um desenho rápido no estilo grafite ou lambe-lambe.


3. Design Crítico
Criação de objetos e cenários que contestam o status quo tecnológico e cultural.
Objetivo: Fazer o público questionar hábitos de consumo e futuros possíveis.
Mecanismo: Desenho de produtos fictícios ou provocativos exibidos em galerias.
Exemplo: Exposição de embalagens futuristas de água poluída vendida como luxo.


4. Intervenção Poética Urbana
Uso da palavra e da tipografia para quebrar a monotonia do espaço público.
Objetivo: Provocar reflexões cotidianas nos pedestres através de frases curtas.
Prática: Criar cartazes com mensagens poéticas, questionamentos filosoficos ou microcontos. Use letras garrafais pretas sobre papel jornal colorido para garantir leitura rápida.
Impacto: Transforma muros cinzas em páginas de leitura coletiva e espontânea.


5. Narrativas Visuais Coletivas
Criação de painéis em grande escala por meio do esforço comunitário.
Objetivo: Contar a história de uma comunidade através de imagens sequenciais.
Prática: Realizar oficinas onde os moradores desenham, pintam ou colam fotografias locais. Esses materiais são digitalizados, ampliados em xerox e colados juntos formando um grande mural.
Impacto: Fortalece a identidade local e democratiza o acesso à produção artística.


6. Lambe-Mídia e Ativismo Visual
Uso do formato de cartaz para dar voz a pautas sociais urgentes.
Objetivo: Comunicar dados, denúncias ou campanhas de conscientização sem filtros institucionais.
Prática: Desenvolver artes gráficas de alto contraste com ilustrações marcantes e dados estatísticos simplificados. A colagem é feita em pontos estratégicos de grande circulação de pessoas.
Impacto: Funciona como um veículo de comunicação independente e de contra-narrativa.


7. Remix Gráfico (Colagem Digital e Analógica)
Fusão de estéticas históricas com elementos contemporâneos.
Objetivo: Ressignificar símbolos visuais e explorar a textura do papel.
Prática: Misturar gravuras antigas, recortes de jornais e texturas digitais no computador. Imprimir o resultado em diferentes tipos de papel (sulfite, kraft) e rasgar as bordas manualmente antes da colagem.
Impacto: Cria uma estética híbrida rica que valoriza o erro e a textura na comunicação visual.


8. Lambe-Lambe Interativo (QR Code e Realidade Aumentada)
Conexão direta entre o suporte físico da rua e o ambiente digital.
Objetivo: Expandir a mensagem do cartaz estático para conteúdos multimídia.
Prática: Inserir QR Codes caligrafados ou integrados ao design do lambe-lambe. Ao escanear, o pedestre é direcionado para uma música, um manifesto em áudio, um vídeo ou um filtro de realidade aumentada.
Impacto: Amplia o tempo de engajamento do público e cria uma experiência imersiva de comunicação.




Regras para  

a) A imagem deve transmitir uma mensagem clara sobre um problema atual (ex: respeito às diferenças, o mensagem antirracista, mensagem de paz e contra a guerra, antifascismo). 

b) Não vale usar palavras, apenas símbolos e cores. Se usar palavras use o minimo. 


Dicas

Aprender a receita tradicional da cola de polvilho (grude)
Saber quais os melhores papéis e técnicas de impressão para rua.
Entender as questões legais e de conservação da arte urbana.





4. Conclusão 

A arte é uma ferramenta poderosa de expressão e comunicação. Ao longo da história, ela mudou de suporte, da rocha para o vidro, da tela para o muro da rua, mas o objetivo continua o mesmo: conectar mentes e espelhar a sociedade.






Fonte









ARANHA, Carmen S. G. Arte e Comunicação. São Paulo: Editora Expressão e Arte, 2011.

BARBOSA, Ana Mae. Abordagem Triangular no Ensino das Artes e Culturas Visuais. São Paulo: Cortez, 2010.

GOMBRICH, Ernst H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2009.

SANTAELLA, Lucia. Como ler uma imagem. São Paulo: Paulus, 2012.


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