segunda-feira, 27 de maio de 2024

ELEMENTOS DA LINGUAGEM VISUAL

ELEMENTOS BÁSICOS DA LINGUAGEM VISUAL
PONTO, LINHA, FORMA E COR


As Sereias: consta que elas cantavam, mas de uma maneira que não satisfazia, que apenas dava a entender em que direção se abriam as verdadeiras fontes e a verdadeira felicidade do canto. Entretanto, pelos seus cantos imperfeitos, que não passavam de um canto ainda por vir, conduziam o navegante em direção àquele espaço onde o cantar começava de fato. Elas não o enganavam, levavam-no realmente ao objetivo.
(...) mais ai era terde demais...
 
(Maurice Blanchot, USP)



Em “Sintaxe da linguagem visual” Dondis (2000) afirma que: “(…) A caixa de ferramentas de todas as comunicações visuais são os elementos básicos, a fonte compositiva de todo tipo de materiais e mensagens visuais, além de objetos e experiências: o ponto, a unidade visual mínima, o indicador e marcador de espaço; a linha, o articulador fluido e incansável da forma, seja na soltura vacilante do esboço seja na rigidez de um projeto técnico; a forma, as formas básicas, o circulo, o quadrado, o triângulo e todas as suas infinitas variações, combinações, permutações de planos e dimensões; a direção, o impulso de movimento que incorpora e reflete o caráter das formas básicas, circulares, diagonais, perpendiculares; o tom, a presença ou a ausência de luz, através da qual enxergamos; a cor, a contraparte do tom com o acréscimo do componente cromático, o elemento visual mais expressivo e emocional; a textura, óptica ou tátil, o caráter de superfície dos materiais visuais; a escala ou proporção, a medida e o tamanho relativos; a dimensão e o movimento, ambos implícitos e expressos com a mesma frequência”. (daisyaguilera).
São esses os elementos visuais; a partir deles obtemos matéria-prima para todos os níveis de inteligência visual, e é a partir deles que se planejam e expressam todas as variedades de manifestações visuais, objetos, ambientes e experiências.

Logo, podemos iniciar com o ponto, a linha, a superfície, luz e sombra, cor e volume, que se entende como sendo os elementos plásticos básicos que formam tudo aquilo que tocamos ou vemos. Eles formam o vocabulário básico do artista e conhecê-los é poder aguçar a percepção e compreensão da obra criada.

Conhecer e saber analisar esses elementos nos auxilia na interpretação de obras visuais, a entender melhor a mensagem que o artista quer transmitir por meio do seu trabalho. A relação entre eles é o que dá às coisas as formas e os significados que possuem.


O conhecimento dos elementos da linguagem visual e de sua alfabetização ou letramento é fundamental no desenvolvimento de critérios de leitura da imagem visual e tem por objetivo ultrapassar a resposta natural dos sentidos e os gostos e preferências condicionados.

As imagens impactam de uma forma poderosa nossas emoções e atitudes em relação à mensagem por elas veiculadas, o que, consequentemente, afeta nossas decisões. 

Desta forma, os recursos visuais empregados em uma imagem estimulam nossa imaginação e nosso pensamento criativo. 

Assim, conhecer os elementos da linguagem visual  auxilia enormemente no entendimento da obra que eu mesmo produzo e em obras de outros artistas em museus e em peças veiculadas pela publicidade.

Assim como as palavras são formadas por elementos gráficos, as letras, é necessário conhecer e reproduzir cada letra para escrever palavras. E para escrever um texto inteligível se faz necessário conhecer bem as palavras, seus significados, seus usos ao longo do tempo e atualmente. O mesmo se dá com as imagens. É necessário conhecermos os elementos básicos da linguagem visual para começarmos a entender a mensagem que está plasmada na imagem.

Para isso, hoje vamos estudar alguns desses elementos que constituem a imagem. 

Vamos, então agora, iniciar o estudo dos elementos básicos da linguagem visual: 

o ponto, a linha a forma e a cor


O PONTO 

O ponto é a unidade básica de representação visual. é a sua menor unidade. É onde tudo começa. É a partir do ponto que surgem todas as outras formas. 

Quando falamos em “ponto”, podemos pensar em um ponto final (.) ou um ponto de interrogação (?) ou de exclamação (!) que fazem parte da pontuação na escrita. Podemos ainda pensar em um ponto de ônibus, em um ponto de chegada ou de partida, em um ponto de encontro... 

Esses pontos, que determinam um lugar, também são significativos.

Mas, vamos pensar no ponto ou nos pontos que usamos para realizar um desenho, uma pintura, enfim uma composição artística.

Os pontos na composição artística não têm dimensões definidas, pois se apresentam de diferentes formas. Eles podem ser redondos, ovais, quadrados, pequenos ou grandes. 

Se você usar esses recursos, conseguirá efeitos interessantes na sua produção artística. Sendo assim, podemos afirmar que um simples toque da ponta do lápis no papel forma um ponto, que pode, como falamos, variar de forma e de tamanho.

Então, chamamos de ponto gráfico aquele ponto em que sua forma e dimensão são definidas pelo artista.

Existe ainda o ponto geométrico que é usado na Geometria para determinar um lugar no plano ou no espaço.

Em Matemática, particularmente na Geometria e na Topologia, um ponto é uma noção primitiva pela qual outros conceitos são definidos. Um ponto determina uma posição no espaço. Na Geometria, pontos não possuem volume, área, comprimento ou qualquer dimensão semelhante. Assim, um ponto é um objeto de dimensão 0 (zero). Um ponto também pode ser definido como uma esfera de diâmetro zero.

Nos Elementos de Euclides, um ponto é definido como "o que não tem partes". Isto significa que o que caracteriza um ponto é a sua posição no espaço. Com o aparecimento da geometria analítica, passou a ser possível referir-se a essa posição através de coordenadas.

Em geometria, um ponto é uma idealização abstrata de uma posição exata, sem tamanho, no espaço físico, ou sua generalização para outros tipos de espaços matemáticos. Como objetos de dimensão zero (adimensionais), os pontos são geralmente considerados os elementos indivisíveis fundamentais que compõem o espaço, do qual consistem curvas unidimensionais, superfícies bidimensionais e objetos de dimensões superiores (com mais de duas dimensões); inversamente, um ponto pode ser determinado pela interseção de duas curvas ou três superfícies, chamadas de vértice ou esquina, canto (corner).

Na geometria euclidiana clássica, ponto é uma noção primária, primitiva, intuitiva, definida como “aquilo que não tem partes” nem dimensões. Os pontos e outras noções intuitivas não são definidos em termos de outros conceitos, mas apenas por certas propriedades formais, chamadas axiomas, que devem satisfazer; por exemplo, “há exatamente uma linha reta que passa por dois pontos distintos”.

Em geometria, um vértice (ou vértices) é um ponto onde duas ou mais curvas, linhas ou arestas se encontram ou se cruzam. Como consequência desta definição, o ponto onde duas linhas se encontram para formar um ângulo e os cantos dos polígonos e poliedros são vértices, i.e., pontos.(WP)

O ponto na geometria é uma das entidades fundamentais, junto com a reta e o plano, pois são considerados conceitos primários, ou primitivos, intuitivos, ou seja, só é possível descrevê-los em relação a outros elementos semelhantes ou similares​. O ponto carece de comprimento, espessura e largura. Geralmente são descritos com base nos postulados característicos, que determinam as relações entre as entidades geométricas fundamentais.(WP

Euclides inicia seus Elementos (de geometria com as seguintes definições: 

1. Ponto é aquilo de que nada é parte. 
2. E linha é comprimento sem largura. 
3. E extremidades de uma linha são pontos. 
4. E linha reta é a que está posta por igual com os pontos sobre si mesma. 
5. E superfície é aquilo que tem somente comprimento e largura. 
6. E extremidades de uma superfície são retas. 
7. Superfície plana é a que está posta por igual com as retas sobre si mesma.
(USP)

O ponto é a unidade de comunicação visual mais simples e irredutivelmente mínima; é uma figura geométrica sem dimensão, nem possui comprimento, área, volume ou qualquer outro ângulo dimensional. Não é um objeto físico. Descreve uma posição no plano, determinada em relação a um sistema de coordenadas pré-estabelecido. (WP)

⚫️
Um ponto pode ter qualquer forma, ser qualquer objeto desde que possa ser ou estar repetido e possua tamanho e forma similares, para funcionar como elemento construtivo da linguagem visual. 

Na série Crianças de Açúcar, do artista brasileiro Vik Muniz, podemos relacionar cada grãozinho de açúcar a um pontinho na tela. Juntos eles formam a unidade da imagem. As imagens são de crianças caribenhas oriundas de famílias pobres que cortam cana de açúcar nas plantações em St. Kitts.

Observe:



Crianças de açúcar

Na série Divas e Monstros, Vik Muniz usou diamantes para formar a imagens das divas do cinema, cada diamante é um ponto que forma a imagem. Nos "Monstros" ele usou caviar (ovos do peixe esturjão) para criar as imagens.

Divas e Monstros, 2005, faz parte das séries Imagens de Diamantes e Imagens de Caviar e consiste em 12 fotografias coloridas compostas de diamantes (divas) e caviar (monstros).

Vik Muniz (detalhe)


Divas de diamente. Vik Munis, 2005.

Divas de diamente. Vik Munis, 2005.

CRIANÇAS DE AÇÚCAR 




Sobre o artista
Vicente José de Oliveira Muniz, Vik Muniz, nasceu em 1961 e é um artista brasileiro que se tornou conhecido principalmente por suas obras fotográficas, apesar de também passar pelas técnicas da escultura, da colagem e da sobreposição de elementos. Seu contato profissional com o meio artístico se deu quando se mudou para Nova Iorque (New York/EUA) no final da década de 1980. É formado em Publicidade e Propaganda pela Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP, em São Paulo. No começo de sua obra, é fácil notar que o artista tinha como principal objetivo e motivo para realizar trabalhos na arte, instigar a indagação utilizando imagens conhecidas do meio artístico e realizando transformações em seu conteúdo. Desta forma ele faz também uma crítica ao “status quo” da sociedade contemporânea. Em suas obras são usados produtos como o chocolate, açúcar, doces, alimentos como o feijão, café, molhos de tomate e produtos cosméticos, além de materiais menos nobre como lixo, recolhido em lixões. (modif. de galeria).

Os pontos usados por Vik Muniz, nesta obra são grãos torrados de café. 


O ponto de uma perspectiva geométrica


O ponto, de uma perspectiva gráfica 

(Fonte artes)

Quanto à utilização do ponto:
Em seus trabalhos, você pode utilizar o ponto para conseguir diversos efeitos. Por exemplo como nos exercícios de contorno, delineamento, sombreamento.

1) Contornar
É pontilhar o contorno da figura.



2) Delinear 
Delinear é pontilhar o contorno e os detalhes da forma, compondo ou produzindo uma forma ou figura.



3) Sombrear
Sombrear com pontos é preencher o espaço interno, dando uma noção de volume à forma criada.





Observação: 
Este exercício pode ser feito com lápis de cor, caneta hidrográfica e caso queira usar o computador, copie esta imagem e trabalhe em algum programa gráfico (como paint, phothoshop, corel, gimp) ou use um tablet ou o smartfone e um app para desenho. Use a ferramenta de pincel para criar pontos e varie o tamanho nos outros espaços.(artesatividades)



USE ESSAS IMAGENS PARA COLORIR COM PONTOS
LEMBRE-SE QUE OS SERES VIVOS SÃO BILATERAIS, O QUE TEM EM UM DOS LADOS (D ou E) TEM NO OUTRO. ENTRETANTO, VC PODE IGNORAR ESSE FATO 
E FAZER UMA COMPOSIÇÃO À SEU GOSTO.










(1)


VOCE CONHECE ALGUM ARTISTA QUE USA PONTOS? 


A LINHA

A partir de um ponto podemos traçar uma linha. A linha é uma sequência infinita de pontos. Essa linha deve ser entendida como força e direção e não apenas como linha de contorno. Isso quer dizer que as linhas direcionam o nosso olhar diante da imagem. Assim, elas também podem gerar sensações psicológicas como paz, agitação, etc. Na gravura do M.C. Escher como a distribuição das linhas confundem nosso olhar: ao mesmo tempo que parecem estar bagunçadas e embaralhadas, notamos que estão perfeitamente organizadas.


USOS DA LINHA NA ARTE

Linhas com tensão 

Grafismo indígena




Linhas verticais, inclinada (diagonais) e horizontal
Linhas Verticais: são linhas de força e de estrutura, hierarquia. Transmitem objetividade e confiança, mas não evocam emoções, pois são lidas como algo “frio”. Linhas inclinadas ou diagonais: linhas que transmitem movimento. Linhas Horizontais: remetem à linha do horizonte, que é imutável e estabelecida. Por esse motivo, elas passam as mensagens de imobilidade e segurança.




II. Exercício

Observe como Anders Zorn usa a linha e tente fazer algum objeto usando linhas de diversos tipos para conseguir expressar seu objetivo











Anders Zorn, artista sueco (18 de fevereiro de 1860 – 22 de agosto de 1920) que além de ter pintado óleo, fazia desenhos e gravuras. Ele use o desenho e a gravura em metal para estudar a luz e sombra antes de pintar uma tela.
A calcogravura (gravura em metal) e o desenho são ótimas opções pra quem gosta de trabalhar hachuras e sombras.


A FORMA

Uma linha fechada gera uma forma, uma massa. Ao elaborar uma obra a preocupação com a forma dos objetos representados na obra está diretamente relacionada com seu equilíbrio ou sua instabilidade. A forma piramidal, por exemplo, esta associada ao triângulo que, por sua vez, pela sua simetria (ambos os lados iguais) e por sua base maior que o topo, muitas vezes é associado à perfeição. 

Um exemplo bem conhecido é a Monalisa, de Leonardo da Vinci, onde Leonardo usa uma composição triangular para enfatizar o equilíbrio, a harmonia e a perfeição. 


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Esquema de proporções da Mona Lisa. 
(1)

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Além das formas bidimensionais, também temos formas quadradas, circulares, além de formas tridimensionais na arte. Na arquitetura por exemplo, as obras do arquiteto Oscar Niemeyer são um ótimo exemplo nesse sentido. Observe o Museu Nacional, inaugurado em 2006.



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Planetário da UFSM 
O Planetário da UFSM foi fundado em 1971, sendo idealizado pelo professor fundador e primeiro reitor José Mariano da Rocha Filho. O projeto de criação foi elaborado pelo arquiteto Oscar Valdetaro a partir de um esboço que o professor Mariano recebeu do arquiteto Oscar Niemeyer, em 1960. A cor branca da cúpula e as linhas curvas dão suavidade à estrutura da cúpula contra o fundo da paisagem.


A COR

Finalmente, a cor é o elemento agregador, o toque final de uma composição artística. Veja o branco intenso na obra acima. Não tornam essas construções mais suaves, delicadas e ao mesmo tempo grandes e imponentes?! Se fossem pintadas de preto, por exemplo, assumiriam um olhar totalmente diferente. Por isso dizemos que as cores possuem qualidade emotiva. E existe até uma ciência por trás disso sabia? 
É a cromologia, ou estudo das cores. De acordo com essa ciência pinturas com cores quentes, por exemplo, são mais alegres, intensas. Já pinturas com cores frias tendem a ser mais tristes ou retraídas.

Compare esses dois autorretratos de Frida Kahlo e veja como isso tudo faz sentido.

A) Autorretrato com vestido de veludo, B) autorretrato com flores.

Para ajudar nesta empreitada, vamos lançar mão do "Disco das cores" ou da “roda das cores”, onde estão definidas as cores primárias, secundária e terciarias e da “paleta de cores” com a classificação de cores frias e quentes.

A) Roda ou Disco de cores; B) paleta de cores quentes e frias



Cores Luz

Cores Luz e cores pigmento (fisikaos)

Quando falamos de cores, é preciso distinguir entre a cor-luz e a cor-pigmento. 

A cor-luz ou cor-energia é toda cor formada pela emissão direta de luz. Já a cor-pigmento é a cor refletida por um objeto, isto é, a cor que o olho humano percebe. A cor luz é produzida nos objetos que emitem luz, como lâmpadas incandescentes e fluorescentes, LED, monitores, lanternas, e o Sol.

Ao usarmos filtros de várias cores e iluminarmos um objeto verde com luz azul ele aparece preto para nosso olho. Isso ocorre porque ele absorve o comprimento da luz azul e não tem luz para refletir.

Ou ao iluminarmos um objeto de coloração vermelha, enquanto esse objeto não for iluminado com luz vermelha ou branca a cor o objeto ficava preta.




A cor pigmento é a cor das tintas; a cor-pigmento é a cor refletida por um objeto iluminado e percebida pelo olho humano.
O pigmento é um material, geralmente apresentado na forma de um pó, que muda a cor da luz refletida quando iluminado por uma fonte de luz; e isso se deve a absorção de todos os comprimentos de onda e a reflexão somente de uma determinada cor. 

Os pigmentos não emanam cor, mas recebem uma certa quantidade e só permitem o reflexo de certas tonalidades que o nosso olho percebe. (Delecave, 2021)

Como se pode perceber, a cor luz é o inverso da cor pigmento. Mas, em ambos os sistemas, existem as cores primárias. Elas são as cores puras, que não se decompõem. Juntas, formam todas as outras cores.

No grupo cor pigmento, historicamente as cores primárias são azul, vermelho e amarelo (sistema RYB), como Leonardo da Vinci estabeleceu em sua teoria das cores. 

Durante séculos, artistas utilizaram e continuam utilizando essas cores primárias para formar a extensa paleta empregada em suas obras.
Sabe-se hoje que o sistema RYB é cientificamente incorreto.

Atualmente, o padrão CMYK é o mais utilizado para misturas de pigmentos (ciano, magenta, amarelo e preto). 

Neste sistema padrão, as cores primárias são: ciano, magenta e amarelo. A elas se junta o preto, que serve para dar contrate. Com apenas estas quatro cores, uma impressora é capaz de criar qualquer tonalidade. 

Neste padrão, a mistura é feita de forma subtrativa. Pois, conforme adicionamos pigmentos, uma quantidade menor de cores é refletida.

Como já vimos, a combinação de duas cores primárias dá origem às cores secundárias. E a mistura de uma cor primária com uma ou mais secundárias cria as cores terciárias. (Delecave, 2021).

Características

Todas as cores apresentam três características: matiz, tom e intensidade.

Matiz é a característica que define e distingue uma cor. Azul, vermelho e amarelo são matizes. Quando misturamos, azul e amarelo, criamos outro matiz: verde. Em resumo, as cores primárias são matizes, assim como as secundárias e terciárias. A mistura de matizes dá origem a outro matiz.

Tom refere-se à maior ou menor quantidade de luz presente na cor. Ao adicionarmos preto a um matiz, ele fica gradualmente mais escuro. Essa graduação é conhecida como escala tonal. Acrescentando branco a um matiz, obtemos escalas tonais mais claras.

Intensidade tem a ver com o brilho da cor. Um matiz de intensidade alta é vívida, brilhante, como o amarelo. Um matiz de intensidade baixa é mais apagada, como as cores pastéis. (Delecave, 2021).


TEORIA DAS CORES

Toda irradiação de luz que atinge a retina em ambos os olhos passa por estruturas oculares e por processos físicos de reflexão, absorção e refração. A retina tem receptores centrais e periféricos que são chamados de cones e bastonetes. Esses fotorreceptores, através de integrações elétricas-químicas-elétricas, conduzem os estímulos pelas chamadas vias ópticas, até atingirem o cérebro na região occipital, onde serão processados como imagens

Cor é como nosso olho interpreta a reemissão da luz vinda de um objeto que foi emitida por uma fonte luminosa por meio de ondas eletromagnéticas. Corresponde à parte do espectro eletromagnético visível (400 a 700 nanômetros).




É uma percepção visual provocada pela ação de um feixe de fótons sobre células especializadas da retina, que transmitem através de informação pré-processada no nervo óptico, impressões para o sistema nervoso.  Nosso sistema nervoso possui uma área, o córtex occipital, na parte posterior do cérebro, que é uma grande parte do cérebro, e tem como função processar toda a informação elétrica e transformá-la em uma imagem, tanto com a luz preta e branca, que delimita contrastes e formas, quanto os outros estímulos que preenchem as formas com as cores.








Semelhante a um sensor de câmera digital, as células sensíveis à luz no olho, fotorreceptores, cones e bastonetes, na retina, detectam comprimentos de onda de luz dentro de intervalos específicos e em locais específicos. Essa informação então viaja pelo nervo óptico até os neurônios no córtex visual que interpretam a informação e começam a decifrar o conteúdo da imagem. 

Os pesquisadores há muito pensavam que a cor e a forma eram extraídas separadamente e depois combinadas apenas nos centros cerebrais específicos (centros superiores), mas uma nova pesquisa mostra que elas são combinadas muito antes (Anupan e cols, 2019).

Os neurônios visuais respondem seletivamente à cor e à forma ao longo de um continuum, enquanto alguns neurônios eram ativados apenas por uma cor ou forma específica, muitos outros neurônios respondiam a uma cor e forma específicas simultaneamente, ao contrário de noções estabelecidas de longa data sobre como funciona o processamento visual. 

Ao contrário do que é ensinado em sala de aula, que cor e forma são processadas separadamente no córtex visual inicial e posteriormente integradas por mecanismos desconhecidos, o que na realidade não ocorre. Vemos que o cérebro codifica cor e forma juntas de maneira sistemática e de maneira inteligente. 










Cores luz (aditivas)
As cores aditivas são aquelas produzidas pela luz, ou seja, quando a luz é emitida pelo próprio objeto. O sistema RGB (red, green e blue), usado na produção de design para web, é composto por vermelho, verde e azul, cores aditivas e primárias que definem as outras de acordo com a quantidade que possuem de cada uma delas. O seu sistema oposto é o CMY (cyan, magenta e yellow), compostos pelas cores ciano, magenta e amarelo. A junção das cores aditivas resulta em branco.(sos)

Cores pigmento (subtrativas)
As cores pigmento têm origem na absorção da luz, ou seja, quando a cor refletida é aquela não absorvida pelo objeto. O sistema RYB (red, yellow e blue), comum à indústria da tecelagem, é composto das cores primárias e opacas vermelho, amarelo e azul, que juntas, resultam em cinza. Para clareá-las, usa-se branco e para escurecê-las, usa-se preto.
As cores pigmento transparentes fazem parte do sistema CMYK (cyan, magenta, yellow e black), usado principalmente para impressão de materiais. As cores primárias aqui seriam ciano, magenta, amarelo e preto. Inclui-se o preto, pois a mistura dos três não resulta em um preto “puro”, apenas em um cinza escuro.

(1)

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EXERCÍCIOS

I) Pegue uma folha do seu caderno de Arte e siga as instruções para realizar a atividade.

1) Instruções:

✓ Usando um lápis, espalhe pontos aleatórios sobre a folha

✓ Ligue os pontos

✓ Após ligar os pontos crie formas do tamanho que desejar

✓ Escolha as cores, ou hachuras (1) que deseja utilizar, podendo usar lápis grafite 6B, lápis de cor ou giz de cera para pintar a sua obra

✓ Tente não colocar cores iguais muito próximas ou juntas, dessa forma todas as cores estarão em destaque

✓ Use a criatividade e escolha cores que possam expressar as suas emoções para colorir a sua arte.


(1) A trama ou hachura é uma técnica artística utilizada para criar efeitos de tons ou sombras a partir do desenho de linhas paralelas próximas.


2) Quais elementos visuais você utilizou para produzir sua obra e desenvolver sua criatividade? Responda em seu caderno.





Fonte


































sexta-feira, 24 de maio de 2024

ESTUDO DAS CORES

ESTUDO DAS CORES

As cores não pertencem aos objetos ou a luz em si, elas são resultado da interação e interpretação que o cérebro faz quando as ondas eletromagnéticas incidem em células especiais os cones e bastonetes que revestem a retina dos nossos olhos. 

Estudo da cor (1)

A cor pode ser abordada mediante a perspectiva da interação da luz com os olhos, cor-luz. 

A cor-luz, ou cores primárias RGB, também são chamadas de cores aditivas, a junção de delas, em intensidades distintas, “geram” outras cores. Adicionando as três, se a intensidade de cada uma for máxima, origina-se o branco. Novamente é importante pontuar que as luzes não se somam, pelo princípio da interdependência da luz, um feixe luminoso não colide com outro, ao se cruzarem, mantêm as respectivas trajetórias sem que haja interação. A adição é apenas uma percepção, uma mesma célula não distingue dois impulsos que a impressiona ao mesmo tempo, quando esse fenômeno ocorre entendemos o estímulo em nossas células (cone) como um novo estímulo, uma nova cor.

Ao misturarmos tintas de cores vermelha, verde e azul, obtemos uma cor que poderíamos caracterizar como marrom escuro - se absorção dos pigmentos fosse próxima de 100% veríamos o preto. Todavia, por meio das experiências já demonstradas com luzes de cores idênticas, obtemos o branco. 
Como explicar esse aparente conflito? 

Num primeiro momento, combinamos luzes, agora estamos combinando pigmentos que interagem com a luz. Essa interação resultará, em maior ou menor grau, nos fenômenos de absorção, reflexão e transmissão. Desse modo, quando misturamos um pigmento amarelo com um magenta e iluminamos a mistura com uma luz branca, enxergaremos o vermelho. Para entender esse fato devemos nos lembrar que o amarelo é resultado da adição do verde com o vermelho e o magenta, do vermelho com azul. O pigmento é amarelo porque ele absorve majoritariamente o azul, já o magenta, absorve principalmente o verde, logo, a mistura irá absorver a luz verde e a azul e refletirá o vermelho que não é absorvido por nenhum dos dois pigmentos. Para conseguir as demais cores por mistura de pigmentos devemos ter essa equação em mente, vermelho + verde + azul = branco. Outro exemplo, a cor laranja é obtida por meio da mistura dos pimentos vermelho e amarelo, desse modo, a reflexão predominante é do vermelho e com intensidade menor, do verde - lembrando que o vermelho está presente duas vezes já que o amarelo é resultado do vermelho e do verde -; essa mistura absorve o azul. O que os pigmentos fazem então, é absorver as cores, e por essa razão, as cores-pigmentos são denominadas como cores subtrativas, elas subtraem cores do espectro. As cores-pigmentos (subtrativas) também são chamadas conhecidas como CMYK (cyan, magenta, yellow e key – ciano, magenta, amarelo e a chave/preto) e não por coincidência, são usadas nas tintas de impressora. O pigmento preto representa a absorção “total”, é ausência de reflexão - não é uma cor -, ele ajuda para melhorar a percepção das demais cores quando misturadas, melhora os tons. Sendo assim, temos dois sistemas de cores: cores primárias RGB e cores primárias CMYK. Na Figura abaixo, nota-se que as cores secundárias do sistema aditivo, geram as cores primárias do sistema subtrativo, a recíproca é verdadeira.


Cores Aditivas e Subtrativas.

Teoria das cores

Existe ainda um sistema de cores anterior a esses dois e que é o sistema comumente difundido, ele é derivado da teoria das cores a Leonardo da Vince, e é conhecido como sistema RYB (Red, yellow and Blue – vermelho, amarelo e azul) usado nas artes plásticas. O vermelho, amarelo e o azul são as cores primárias, as oriundas dessas são as secundárias que, por sua vez, originam as terciárias. Embora, esse sistema cumpra excelentemente bem a sua função, o espectro de cores que por ele é fornecido é menor se comparado ao CMYK. Isso ocorre porque os cones, células visuais transdutoras de ondas eletromagnéticas, são mais sensíveis as cores RGB e as combinações delas.

Um conceito adjacente ao das cores subtrativas é o de cor complementar, ela é a cor que visualizamos quando uma das cores é absorvida/subtraída do espectro RBG, a tabela abaixo traz alguns exemplos. Essas cores são muito importantes para a análise das cores refletidas, sistema CMYK, e na química analítica, especialmente na detecção de compostos por espectroscopia UV-Vis.


Usando o conceito de cores complementares, podemos explicar a razão pela qual a água do mar é azul-esverdeado. Usando a lógica apresentada na tabela, quando a enxergamos azul-esverdeado é porque está faltando o vermelho, isso significa que a água salgada absorve principalmente o vermelho e a absorção é maior com a profundidade. Desse modo, ainda que a água seja incolor, ela retira o vermelho da luz espalhada pela atmosfera e enxergamos o azul-esverdeado. Embora o céu seja predominantemente azul, dependendo do período do dia, não significa que a luz verde e vermelha não esteja presente, essas luzes estão apenas sendo espalhadas com menor intensidade. Micro-organismos, algas e partículas também podem mudar o regime de absorção da luz e, consequentemente, alterará o padrão de cor refletida pela água.

As cores são muito importantes para nossa espécie, inclusive existem estudos psicológicos que categorizam como as cores influenciam em nosso comportamento. Embora, a Física das Cores não se preocupe com os aspectos subjetivos da percepção das cores e como essa varia entre indivíduos, certamente ela contribui muito à medida que delimita as variáveis próprias a luz e sua interação com os objetos e aquelas que não são.





Fonte

Fernando Modesto Borges de Oliveira



quinta-feira, 23 de maio de 2024

LENDO IMAGENS

LENDO IMAGENS: UMA VIAGEM DOS OLHOS 


Não vês que o olho abraça a beleza do mundo inteiro? [...] 
É janela do corpo humano, por onde a alma especula e frui a beleza do mundo, aceitando a prisão do corpo que, sem esse poder, seria um tormento [...] 
Ó admirável necessidade! 
Quem acreditaria que um espaço tão reduzido seria cabaz de absorver as imagens do universo? 
[...] O espírito do pintor deve fazer-se semelhante a um espelho que adota a cor do que olha e se enche de tantas imagens quantas coisas tiver diante de si. 

(Leonardo da Vinci)


"O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente… E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver".

(Mário Quintana)





É POSSIVEL LER UMA IMAGEM?

Sim, é possível e necessário ler uma imagem, mas não como se lê uma palavra ou uma frase. As imagens não podem ser lidas de maneira linear, isto é, em apenas uma direção, no nosso caso, da esquerda para a direita. Um dos problemas da leitura linear é o hábito do “já li, não preciso reler”. (revista, 2024)


Para responder à pergunta acima, há ao menos duas perguntas pressupostas:
1) como se lê uma frase?;
2) é possível ler uma imagem assim como se lê uma frase?

Tentemos responder a elas primeiro.

Como se lê uma frase? A resposta mais objetiva seria: da esquerda para a direita. No entanto, para um árabe, a resposta estaria errada: os árabes leem da direita para a esquerda. Mas por ora fiquemos com a nossa resposta, digamos, ocidental-cristã. Continuemos lendo da esquerda para a direita.(revista, 2024)

Deste fato bem prosaico, posso tirar uma dedução espantosa, se não assustadora: a forma como lemos uma frase molda a forma como pensamos. Se lemos uma frase da esquerda para a direita, então pensamos na mesma direção, desenhando mentalmente uma linha, de preferência reta.(revista, 2024)

Esta linha reta pressupõe um ponto de partida e um ponto de chegada: uma causa e uma consequência. Logo, pensamos sempre procurando as causas e as consequências de todos os fenômenos. Nosso pensamento é linear, portanto, causal.

Na verdade, nosso pensamento é histórico. A escrita linear fundou a história e as noções basilares de causa, consequência, crescimento e progresso. Por isso se diz que, antes da escrita, não havia história, apenas pré-história. O pensamento moldado pela escrita linear organizou os fenômenos em linhas causais e assim fundou o que conhecemos como história, que por sua vez constitui o que chamamos de verdade e de sociedade.(revista, 2024)

A verdade mesma, porém, é muito mais complexa do que uma sucessão de linhas retas, uma abaixo da outra. Para chegar um pouco mais próximos dessa complexidade, contamos com o mito, a religião e a arte – nessa ordem.

Essas instâncias leem o mundo não apenas através de linhas escritas, mesmo que as utilizem. A literatura, por exemplo, se apoia na metáfora, por definição ambígua: cada metáfora diz pelo menos duas coisas, logo, de uma linha faz pelo menos duas linhas, que não são paralelas nem necessariamente perpendiculares.

A imagem artística, por sua vez, sempre concorreu com a escrita e com a história, mostrando o mundo de maneira não linear. A imagem artística não é feita de linhas retas que se sucedem uma abaixo da outra, mas de curvas que se cruzam e se sobrepõem de mil formas ou mais.

A nossa época, ao criar a fotografia, o cinema, a televisão e a internet, se apropriou da imagem artística para transformá-la em imagem técnica e reproduzi-la ao infinito. Por isso, filósofos como Vilém Flusser dizem que estamos saindo da história para entrar na pós-história.

O que ele chama de pós-história tem vários problemas, de que não vou tratar aqui, mas uma qualidade: quebra-se a hegemonia do pensamento linear, obrigando-nos a pensar de maneira não apenas linear, logo, de maneira não apenas causal.

Somos obrigados a aprender a ler imagens, justamente para que elas não soterrem nossa mente e congelem os nossos sentidos, pela quantidade absurda com que nos assaltam. De certo modo, somos obrigados a pensar como os artistas sempre pensaram, ou seja, pulando fora das linhas retas e dos quadrados formados por linhas retas.(revista, 2024)

Essa conclusão nos leva à segunda pergunta: é possível ler uma imagem assim como se lê uma frase? A resposta: sim, é possível e necessário ler uma imagem, mas não como se lê uma frase. As imagens não podem ser lidas de maneira linear, isto é, em apenas uma direção, no nosso caso, da esquerda para a direita.

Um dos problemas da leitura linear é o hábito do “já li, não preciso reler”. Sempre é preciso reler porque sempre é preciso repensar. Duvidar habitualmente do que se leu e do que se pensou é a condição sine qua non do que chamamos de consciência. Precisamos duvidar, por exemplo, dos mitos modernos do crescimento e do progresso, frutos meio podres de um pensamento ainda linear.(revista, 2024).


Como ler uma imagem

Leitura de imagens é o ato de apreender uma imagem com o objetivo de compreendê-la e de atribuir-lhe significado a partir de nossas próprias experiências, assim como fazemos com um texto escrito.

(Apreender: assimilar mentalmente, abarcar com profundidade; compreender, captar).

Lembrando que o texto escrito podem ser: 

Texto Narrativo: narra, conta uma história.
Texto Descritivo: apresenta a descrição de algo.
Texto Dissertativo: busca defender uma ideia com base na argumentação.
Texto Expositivo: pretende apresentar um tema a partir de recursos como a conceituação, a definição, a descrição, a comparação, a informação e enumeração..
Texto Injuntivo: ou instrucional; é pautado na explicação e no método para a realização de algo.

E com a imagem não é diferente. 

Há vários modos de uma imagem ser lida, entre elas podemos citar: 

a leitura formal,
a leitura interpretativa, 
a leitura iconográfica, 
a leitura iconológica,
a leitura gestáltica, 
a leitura semiótica, 
a leitura estética, 
entre outras.

Vamos nos ater apenas em duas dessas possibilidades de leitura: a leitura formal e a leitura interpretativa.  

Esses dois modos se ler/ver se complementam auxiliando o leitor/espectador na atribuição de significados ao que observa. 

O que é, então, ler? E em que consiste ler uma imagem? Segundo os pesquisadores do Projeto Zero de Harvard, a leitura é uma atividade simbólica tão importante quanto a produção artística, porque é ela que possibilita interpretar as imagens. 
Baseando-se em Kant e na teoria construtivista de Piaget, a leitura é concebida como compreensão e interpretação, apreensão de informações, seletividade e reconstrução do objeto. 
Numa visão construtivista, a leitura é uma atividade complementar à produção, ou seja, para apropriar-se de um determinado objeto de conhecimento o sujeito constrói representações e interpreta-as. 

As representações possuem algumas propriedades dos seus referentes e excluem outras. O que foi excluído, no entanto, ressurge na interpretação, no ato de leitura. 

Assim, ler não é decifrar, “não equivale a reproduzir com a boca o que o olho reconhece visualmente” (Ferreiro, 1985, p.85). 
Isto porque a atividade de leitura supõe a compreensão do modo de construção, seja de um texto seja de uma imagem. 

Ler uma imagem seria, então, compreendê-la, interpretá-la, descrevê-la, decompô-la e recompô-la para apreendê-la como objeto a conhecer (Pilar, 1993)

Tal qual acontece nos textos verbais, acontece nos textos imagéticos; conhecer códigos (letras, palavras do texto escrito) possibilita a leitura e o entendimento, compreensão do texto; na imagem o conhecimento dos elementos visuais (da imagem), símbolos, procedimentos e contextos nos auxiliam na apreensão/compreensão do discurso ou da narrativa da imagem que se lê (que se deseja atribuir significado).

LEITURA FORMAL 

Para realizarmos uma leitura ou análise formal de uma produção artística, é preciso observar cada detalhe de sua gramática articuladora, ou seja, como se articulam os elementos, os símbolos e os códigos que fazem parte de sua estrutura e sua composição. (1)

ARTES VISUAIS 
● Ponto 
● Linha 
● Forma 
● Plano 
● Superfície 
● Textura 
● Volume 
● Luz e sombra 
● Cores 
● Relação entre figura e fundo
 
DANÇA 
● Qualidades do movimento 
● Peso 
● Fluência 
● Tempo 
● Espaço 
● Coreografia 
● Espaço cênico 
● Relações do corpo com o som e o silêncio 
● Figurino 
● Cenário

MÚSICA 
● Ritmo 
● Melodia 
● Harmonia  
● Altura 
● Duração 
● Timbre 
● Intensidade 
● Partitura 
● Instrumentos 
● Voz 
● Sons corporais

TEATRO 
● Texto dramático 
● Encenação 
● Tipo de palco 
● Plateia 
● Figurinos 
● Cenário 
● Sonoplastia 
● Gestos

As perguntas mais importantes que devemos nos fazer ao iniciarmos a tentativa de leitura de uma imagem são:

1) O que podemos ver? O que está explicito na obra? Seus elementos, formato etc.
2) É sobre o quê? Existe a possibilidade de identificarmos o "assunto" da obra?
3) O que ela diz para quem a observa, frui? 
4) Qual é a relação da obra com o mundo? (modif. Padilha, 2012)

Ainda segundo Padilha (2012), toda obra de arte, seja pintura, escultura, vídeo ou fotografia, por exemplo, tem em si suas próprias qualidades. Estas nos darão informações quando estivermos lendo uma imagem. Para entendermos essas qualidades precisamos olhar para as características formais da obra, em termos de linhas, tons, cores, espaço e massa, por exemplo. Ao olharmos para suas propriedades físicas, como para seus materiais e processos, aprofundaremos nossa compreensão do objeto artístico. 
Os materiais da arte moderna abrem espaço para um arranjo ilimitado de cores, texturas e tipos de pintura. Os artistas saíram de um tempo em que os estilos ditavam as cores e o modo de proceder, como as cores e até o formato da tela, por exemplo para pintura de marinas (paisagens do mar, porto etc). 


O que significa F, P e M?

Figura
Normalmente utilizado para representar retratos ou figuras. Estas telas são muito solicitadas porque são muito versáteis se não formos muito claros sobre o que queremos representar.

Paisagem 
Como o seu nome indica, este formato foi concebido para representar fundos e paisagens, tem uma medida mais alongada do que a série de figuras.

Marinas 
Este é o formato mais alongado em termos de tela, é utilizado para representar paisagens nas quais queremos mostrar a linha do horizonte acima dos elementos do primeiro e segundo planos.(totenart)

Os materiais escultóricos e suas técnicas seguiram os mesmos caminhos. No começo do século XX, artistas como Marcel Duchamp apresentavam em galerias, de maneira simples e corriqueira, objetos comuns como obras de arte. Desde então os artistas incorporaram a liberdade em seus procedimentos, e essa postura se estendeu no uso muitos tipos de materiais, alguns que nem são do campo da arte, possibilitando a realização da arte moderna e contemporânea de acordo com as suas ideias. 
A arte contemporânea pode ser produzida praticamente com qualquer material, filme e vídeo, objetos achados, comida, móveis, ar (gases). Esses materiais  afetam a história e associações que eventualmente possamos, expandindo o nosso entendimento da obra. (modif. Padilha, 2012).


LEITURA FORMAL

Cores

Que cores o artista usou? Por que ele usou essas cores? Como essas cores estão organizadas? Quais efeitos elas criam?

Formas

Que tipo de formas encontramos na obra? Formas arredondadas, retas, pontiagudas, pontilhados? Que ou quais efeitos elas criam?

Símbolos

Que tipo de marcas e símbolos o artista usa? Que efeitos eles têm? Eles fazem parte da nossa cultura? O que significam?

Superfície

Com o quê a superfície parece? Que tipos de texturas podemos ver? Qual, quais efeitos elas criam?

Escala

Qual é o tamanho real dessa obra? Ela é grande? Suas dimensões originais são muito diferentes das dimensões da reprodução que estamos vendo? Faria alguma diferença se ela fosse maior ou menor? Será que há algum motivo para o artista ter escolhido esse tamanho?

Espaço

Podemos encontrar na obra sensação ou ilusão de espaço ou profundidade? Há preocupação com isso?Como as formas são colocadas no espaço? Há simetria? Como é o movimento das formas no espaço?

Materiais

Com que materiais essa obra foi feita? São materiais tradicionais ou “encontrados”? Como seria nossa reação diante a obra se o artista tivesse usado materiais diferentes? Quais associações ou conotações os materiais usados carregam? Você é capaz de identificar todos os materiais usados pelo artista olhando para a reprodução?

Processo

Como essa obra foi feita? Foi o artista que a fez ou ela foi fabricada? Que tipo de habilidade esteve envolvida no processo de produção da obra? Aconteceram fortes mudanças ao material enquanto a obra foi feita? Conseguimos ver na obra pronta indícios de seu processo de construção?

Composição

Como a obra está organizada? Como é a proporção dos elementos apresentados? A obra apresenta semelhanças ou contrastes? As formas no espaço parecem seguir uma organização ou estão desorganizadas? Parece haver um planejamento ou não?



Uma outra forma de iniciar tentativa de interpretação é buscar na obra um tema, um motto ou motivo condutor. Por exemplo uma leitura temática da obra.

Conteúdo

O que é a obra? Ela é sobre o quê? O que está acontecendo? Podemos imaginar um enredo? A obra foi inspirada em alguma obra literária (literatura mundial, nacional, mitológica, religiosa etc.)?

Mensagem

Depois de fazer uma descrição atenta da obra, o que podemos especular sobre o que o artista quis dizer? Que tipo de mensagem ele tentou passar? O que esta obra representa?

Título

O que o artista quis dizer com esse título? Ele muda o jeito como vocês vêm a obra? Vocês dariam outro título para ela?

Tema

Qual é o tema desse trabalho? Ele apresenta mais de um tema? Qual será que foi a inspiração do artista para fazer essa obra?

Tipo / Gênero

Há alguma relação dessa obra com os gêneros tradicionais da História da pintura (mesmo que a obra em questão não seja uma pintura), como por exemplo, o nu, a paisagem, o retrato ou a pintura de natureza morta?


Ao respondermos esses questionamento, podemos nos aproximar de um entendimento mais profundo da obra e seu motivo ou temática, pelo menos para cada um que a contempla. 


LEITURA INTERPRETATIVA 

A leitura interpretativa prevê as relações que se traça entre a produção artística e o espectador. 
Quanto mais se conhece da obra, mais precisa será a leitura interpretativa. 
Portanto, é importante que o espectador se informe sobre o contexto do tema/conceito, o contexto em que a obra foi produzida, a biografia do artista, a linguagem, o estilo e a poética pessoal do autor. 

A partir de então, o espectador estabelece diálogos entre a obra e suas próprias vivências, potencializando suas habilidades de leitura e interpretação da obra, do tema abordado e, consequentemente, do mundo. 

VAMOS TENTAR ENTÃO? 

O ideal seria se pudéssemos estar frente a frente com a obra original da artista Tarsila do Amaral. Mas para nosso propósito, de uma aproximação de uma leitura da obra vamos usar as imagens disponível na internet.

1)

Morro da Favela. Tarsila do Amaral, 1924
Óleo sobre tela, 64,5X66,0 cm
Fase Pau Brasil (1924 a 1928): o homem trabalhador, o tempo do campo, apresenta um Brasil mais rural, que estava se industrializando, que recebe muitos europeus refugiados.

Morro da Favela. Tarsila do Amaral, 1924
Óleo sobre tela, 64,5X66,0 cm

Questione-se

1) Que elementos da paisagem e personagens foram representados?
2) Em que suporte eles foram representados?
3) Eles foram representados de forma realista, isto é, buscando semelhança com o mundo "real"?
4) Que tintas (guache, óleo etc.) foram utilizadas?
5) Quais as cores predominantes?
6) Que tipos de linhas e figuras geométricas podem ser identificados?
7) Como foi o trabalho com a luz? É muito ou pouco iluminado?
8) E em relação ao movimento? Tem movimento na obra como se percebe?

Sobre a artista: Tarsila do Amaral (1/set/1886 - 17/jan/1973)

● Nasceu Capivari, interior de SP em 01 setembro de 1886.
● De origem abastada, viveu sua vida como herdeira de grandes propriedades rurais e seu privilégio econômico facilitou seu acesso à cultura e à educação. Cresceu rodeada de sete irmãos e pais cultos. Aprendeu a tocar piano e a falar francês ainda na infância. Já adolescente, foi estudar na cidade de São Paulo no Colégio Nossa Senhora de Sion e, anos mais tarde, em 1902 vai à Espanha para concluir seus estudos no colégio Sacré Couer de Barcelona, onde se inicia nas artes. 
● Em junho de 1922, depois da Semana de Arte Moderna, volta ao Brasil para "descobrir o modernismo" no país.
● Conhece os escritores Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (1890-1954) e Menotti del Picchia (1892-1988), e com eles e Anita Malfatti funda o Grupo dos Cinco;
● A partir de 1933, seu trabalho passa a ter uma aparência mais realista.
● Influenciada pela mobilização socialista, pinta, no mesmo ano, quadros como Operários e 2ª Classe, que apresentam uma preocupação com as mazelas sociais;
● Pintora e desenhista.
● Influenciada por vanguardas europeias, especialmente pelo cubismo, cria um estilo próprio, explorando formas, temáticas e cores na busca por uma pintura de caráter tipicamente brasileiro.
● Explora as cores e formas e a luz tropical. 
● Tinha uma historia de vida da elite paulista
● Brasilidade nas cores e formas. 
● Marginalização das pessoas pobres
● A realidade das pessoas vulneráveis, (dos pretos pós abolição)
● Segregação dos pretos pobre
● Expulsão para periferia
● Busca de um local para viver: periferias, ladeiras, morro, locais insalubres
● Inova sua influencia do cubismo: cores mais fortes, luz tropical
● Retrato do cotidiano de uma vida simples, um tempo diferente da metrópole.
● Diferente da vida no centro da megalópole de SP e RJ
● Qual a visão de mundo dessas pessoas durante a transformação social da cidade.
● Ela passa uma ideia de um embelezamento da cidade com jardins
● Mostra a miséria das pessoas que trabalhavam fazendo bicos, apesar dela não ser dessa classe social. Ela denuncia essa transformação e precarização 
● Reflexões sobre condições dignas e sustentáveis para a existência humana no planeta (coletividades, problemas sociais, relações de poder);
● O ser humano, pensado como indivíduo (integrante de grupos sociais, econômicos e culturais); como os artistas representavam esse estrato da população? Será que um artista oriundo da favela representaria dessa forma a vida na favela?
● Reflexões sobre a identidade em formação no tempo histórico e biográfico e as relações com gerações passadas e presentes; de onde viemos para chegarmos onde estamos? O que aconteceu para que esses escravizados fossem empurrados para a periferia?
● Análise sobre as situações-problemas e mudanças nos sistemas de produção e conflitos; ambiente do pós-guerra, preocupação do pais com seus produtos (visto na obra como um todo).
● Obras simples; como mostra a estruturação das casas; as casas não são pintadas dessa maneira nas favelas, não tem engenharia, nem planejamento, nem saneamento básico, nem infraestrutura para os diferentes estágios da vida (crianças, jovens, adultos e velhos)...


No alto da pintura as casas mal conseguem parar em pé, inclinadas como a vegetação.

Tela onde somente são apresentadas pessoas pretas 
Figuras simplificadas sem preocupação com a anatomia

Movimento: apenas sugerido; indicado pela diagonal que divide a tela da direita para a esquerda.

Essas casas se assemelham a uma favela?

Um jardim planificado como os do Rio ou São Paulo. 

O Modernismo brasileiro
● Surgiu na Europa, no início do século XX;
● Reformulou os parâmetros da arte para adequar-se ao contexto histórico;
● Teve nas vanguardas artísticas o auge da experimentação de formas e técnicas;
● Iniciou-se, no Brasil, na década de 1920, com a Semana de Arte Moderna de 1922;
● Possui três fases distintas no Brasil;
● Abordou a construção de uma identidade nacional no Primeiro Modernismo;
● Apresentou, no Segundo Modernismo, uma prosa realista e temas sociais;
●Abarcou a prosa de aspecto reflexivo e existencial, além de uma poesia vanguardista no Terceiro Modernismo. (brasilescola)

Contexto histórico
Ainda majoritariamente agrário, começavam a esboçar-se no país os primeiros sinais de industrialização, principalmente na capital paulista. Proclamada em 1889, a República mostrava-se uma sucessão pouco democrática das oligarquias e privilégios coloniais, agora expressos na política do café com leite. Na qual oscilavam presidentes ora mineiros, ora paulistas, mantendo-se os interesses da federação alinhados ao da burguesia industrial iniciante e dos latifundiários cafeicultores e leiteiros de ambos os estados, em clara concentração do poder na região Sudeste do país.

Características do Movimento Modernista
● Experimentação de formas e técnicas;
● Liberdade de criação;
●Frequente engajamento social propondo reflexões sobre a vida humana e o progresso;
● Interesse nas adaptações que o indivíduo sofre no mundo modificado, que se apresenta como um desafio à integridade das personagens nas obras;
● Valorização do cotidiano enquanto material para produção de arte;
●Uso de símbolos para representar as diversas camadas da realidade.(brasilescola).

2)
Título: Menino com lagartixas
Artista: Lasar Segal (1889-07-21/1957-08-02)
Data: 1924. Dimensões físicas: L61 x A98 cm; Técnica: Óleo sobre tela

Menino com lagartixas é uma das pinturas da “fase brasileira” de Segall. A denominação, dada pelo crítico Mário de Andrade, refere-se às primeiras produções do artista em nossas terras. Essa fase revela o impacto que a luz tropical, o vegetação e os tipos de negros exercem sobre sua obra criada no Brasil. Emergente do Expressionismo, Segall deixa temporariamente de lado as tonalidades baixas, ocre, cinza e preto, do período europeu e adota “uma paleta nova de cores claras e cômodas”, no dizer de Mário de Andrade. Todas as falas do verde cobrem as folhas do bananal, ao fundo, cuja exuberância é domesticada pela presença reiterada das linhas retas. No primeiro plano, uma imagem exótica que seduz o pintor e dá título à obra. (acervo). 

Lasar Segall (21/jul/1891 - 2/ago/1957) foi pintor, gravador e escultor judeu lituano e brasileiro. Sua obra deriva do impressionismo, expressionismo e modernismo. Seus temas mais significativos foram representações do sofrimento humano, da guerra, da perseguição/segregação e prostituição.

Lasar Segall (Vilnius, Lituânia, 1889 – São Paulo, São Paulo, 1957). Pintor, gravador, escultor, desenhista. Destaca-se por transitar por estilos de pintura distintos e por retratar o universo socioeconômico de pessoas menos favorecidas.

3)

"Roda da Rosa" - Edward Potthast
Pintor norte-americano (1857-1927)

Cândido Portinari. Futebol, 1935, óleo sobre tela, 97X130cm

Cândido Portinari. Roda infantil, óleo sobre tela, 39x47cm

1) Identifique o artista, sua data de nascimento, nacionalidade
2) Data de produção da obra?
3) A obra pode estar relacionada com a época quem que foi produzida?
4) Identificar vestimentas, atividades e locais retratados
5) A brincadeira das crianças retratadas tem alguma semelhança com as brincadeiras das crianças de hoje?
6) Quem voce pensa que são essas crianças?
7) As roupas delas são iguais as que se usam hoje?
8) Que brincadeiras as crianças estão realizando na representação?
9) Você já realizou esse tipo de brincadeira em algum momento de sua vida? Já viu algum hoje brincando dessa brincadeira?
10) Que brincadeiras são realizada hoje?

11) Represente por meio de colagem, desenho, pintura ou outra técnica que julguem pertinente, as brincadeiras atuais ou que voce participa hoje
12) Incluam o titulo da obra, o autor e o ano de produção.




MEMENTO













Fonte




















 

ARTE E RECILAGEM SEXTO ANO

ARTE E RECICLAGEM PRODUÇÃO DE PAPEL MACHÊ 6º ANO Reciclar embalagens de ovos (feitas de polpa de celulose) e papel velho é o segredo dos gra...